Dólar continua a moeda mais importante do mundo

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

A pandemia de coronavírus causou estragos por todo o globo, e nos EUA não poderia ser diferente. O vírus tirou milhões de empregos, paralisou companhias, no entanto o dólar continua sendo a moeda mais importante do planeta.

O índice de divisa americana, que compara o dólar a uma cesta de moedas, avançou mais de 6% desde o começo de março. Em comparação ao euro, a moeda americana teve alta de 3,5% desde o início de 2020, conforme informou reportagem da AFP.

Globalmente aceita

O crescimento do dólar aconteceu em virtude de ser a moeda mais procurada no mundo. Em momentos de incerteza, muitos investidores buscam a moeda americana como reserva de valor.

Kit Juckes, chefe mundial de estratégia cambial do banco Société Générale, fala sobre um “privilégio exorbitante do dólar”.

“De forma permanente, há pessoas que querem comprar muitos dólares”, explicou Juckes. “Enquanto isso ocorrer, será possível ativar a máquina de impressão de notas sem enfraquecer a moeda”, acrescentou.

Ou seja, os americanos podem emitir dólar sem gerar inflação, o que não ocorre como nenhum outro país ou moeda no mundo.

Sendo assim, as múltiplas intervenções do banco central dos EUA, o Federal Reserve, nas últimas semanas, para garantir liquidez no mercado, não fizeram o dólar cair.

“As medidas do Fed para facilitar a disponibilidade e o acesso ao dólar no mundo diminuíram o ritmo de sua valorização”, disse Joe Manimbo, da Western Union.

“Mas a demanda por ‘títulos de refúgio’ no clima atual é mais forte que as ações do Fed”, acrescentou.

Além disso, A necessidade de empresas por caixa, em um contexto de queda de receita, também favorece a procura por dólares.

O dólar possui uma posição consolidada como a mais trocada no planeta. E, por essa razão o Fed comunicou em meados do mês passado que facilitaria a troca de divisas com outros bancos centrais para que eles conseguissem elevar suas reservas de dólares.

Segundo Jackes, a demanda por dólar é mais evidente em economias emergentes, que possuem dívidas na moeda americana. Mas alguns poderão ter dificuldades em obter dólares.

Alguns emergentes têm economias muito dolarizadas, como imóveis, carros e até serviços transacionados na moeda americana.

Moeda forte

Antes do coronavírus, a moeda americana já estava fortalecida por causa dos indicadores impressionantes da economia dos EUA.

Segundo Daniel Katzive, do BNP Paribas, a moeda dos EUA se favoreceu, desde o começo do ano, do declínio das cotações do petróleo, cotados em dólares, e avanço em relação a moedas, como o rublo, a coroa norueguesa ou o dólar canadense, que são vinculadas ao desenvolvimento do petróleo.

O presidente americano Donald Trump não acha interessante o dólar forte. Isso porque afeta diretamente nas exportações dos EUA em meioa a guerra comercial com os chineses.

“A questão da supremacia da moeda americana ressurgirá nas próximas semanas”, afirmou Kathy Lien, da BK Asset Management.

Uma recessão duradoura nos Estados Unidos poderia, a longo prazo, enfraquecer o dólar.

LEIA MAIS

Trump: “É certo que haverá um corte na oferta de petróleo”

Lojas Americanas (LAME4) e B2W (BTOW3) criam comitê para monitorar crise