Mercado de ressaca: e agora, para onde vai o dólar?

Alexandre Viotto
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Divulgação

Na semana imediatamente posterior à Super-Quarta, o sentimento é de… Ressaca mesmo. E o que isso diz sobre o dólar?

Alta de 1% na Selic está em horizonte próximo…

O Copom avisou que deve manter o ritmo de alta de juros, abrindo espaço para um ajuste ainda maior. Os analistas entenderam o recado e colocaram como (quase) certa mais um ajuste de 1% na próxima reunião. E o Focus (pesquisa do Banco Central) já saiu ontem com 6,5% de expectativa para a Selic ao final de 2021. O que acontece com o dólar? Força para baixo…

Dólar: aperto monetário à vista?

Lá nos EUA, o Fed fez algo ainda mais “hawkish” que o esperado.

É verdade que não anunciou que reduziria o ritmo de compras de bonds (ainda)… Mas avisou que subirá os juros pelo menos duas vezes até o final de 2023. Apesar de parecer pequena a diferença com o que tínhamos antes, agora podemos ter alta de juros a qualquer momento. O dólar deveria seguir ladeira acima com essa “novidade”…

Dólar: balizador vai continuar sendo o FED a curto e médio prazo

Aí complicou não é mesmo? Mas o dólar vai cair ou vai subir? A resposta (nada simples) vai depender da intensidade do movimento de cada lado. É fato que os altos e baixos do câmbio dependem muito mais do que ocorre lá fora do que aqui dentro do país. Aproximadamente 70% da volatilidade é externa, por assim dizer. Então dependeremos muito mais do Fomc do que do Copom. Dito isso…

Até a China, de novo ela…

Devemos ficar atentos sim à inflação brasileira, curva de juros (CDI), inflação… Mas o que vai fazer o dólar se movimentar mesmo é a agenda americana. Dados de payroll, CPI (“IPCA” deles) e claro, as treasuries irão sim definir se estaremos acima ou abaixo de R$ 5 ao final de 2021. Isto sem falar da China, que agora inventou de manipular os preços do minério. Sim, só faltava essa…

Dólar: otimismo moderado

Porém, listo mais duas coisas que devem continuar ajudando a valorizar o nosso real. O Banco Central começou o movimento de alta bem antes do Fed… E estar à frente da curva é uma maravilha nesse caso.

Outro fator: os preços das commodities devem continuar pressionados, dado que o mundo está religando e a oferta de produtos continua deficitária em muitos setores. Em resumo, continuo moderadamente otimista no curto prazo para a moeda brasileira, sem esquecer de eventuais turbulências no caminho. A conferir…

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da  EQI Investimentos