Alô, câmbio: cenário é de turbulência para o dólar

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Jcomp/Freepik

Alô, Câmbio! Tudo bem por aí? Passado o feriadão, voltamos com o mercado em ebulição após as manifestações do Dia da Independência. Dólar subindo e bolsa caindo, no movimento clássico de aversão ao risco. Segura!

O Sete de Setembro

Houve muita gente na rua com Paulista lotada, Copacabana idem, Balneário Camboriú nem se fala… Na briga dos especialistas em multidão (que haviam tirado o jaleco de analista em Afeganistão, é verdade), tivemos empate técnico. O lado do governo chamou de enorme sucesso histórico e a oposição de fiasco e abaixo das expectativas…  Normal não é mesmo?

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Mas e agora?

A subida de tom nos discursos e o contra-ataque da oposição tendem a manter o ambiente bem nebuloso. Se antes havia alguns bombeiros atuando com certa dose de sucesso, agora o incêndio parece ter se espalhado de vez…

E onde vai dar essa história toda? Bem difícil de dizer… O que é fato, por hora, já tem deixado o mercado bem preocupado. Pela ordem, a questão dos precatórios (olha o fiscal aí de novo) fica mais complicada para 2022. E as reformas devem mais uma vez empacar no Congresso. Tudo o que a gente mais temia por assim dizer. E não segue o jogo… mais uma vez.

Isto sem falar dos… caminhoneiros que podem vir a fazer manifestações pontuais. Ou até mesmo outras categorias que podem vir a realizar movimentos para chamar a atenção para pautas setoriais.  O que parece cada vez mais certo é que a eleição do ano que vem vai acontecer com um nível de polarização bem grande. E a tal da terceira via parece cada vez mais distante…

E o dólar?

Não tem jeito. Gringo odeia insegurança e se o câmbio é o principal termômetro da nossa situação econômica, vai seguir com tendência de alta. Isso já era esperado, mas o perigo mora em uma eventual escalada dos acontecimentos. Onde eu quero chegar é que é muito mais fácil o real desvalorizar 50 centavos do que valorizar os mesmos 50 centavos. Traduzindo: R$ 6 é bem mais fácil que R$ 4,80.

Por hora, vale a pena se preparar. A luz de atar os cintos está bem acesa na cabine do avião e teremos sim turbulência à frente. Até segunda ordem pelo menos… Câmbio, desligo.

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior daEQI Investimentos

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