Dólar alto volta a preocupar

Filipe Teixeira
Colaborador do Torcedores

Crédito: www.ab2l.org.br

Moeda norte americana voltou a se aproximar do “limite” dos R$4,20

O comunicado do Banco Central emitido na quarta-feira pós COPOM, nos deu sinais claros de que ainda não estamos perto do fim de nosso ciclo de corte nos juros. No entanto, como efeito colateral, fez com que o dólar retomasse sua escalada de alta, verificada algumas semanas atrás. Na máxima, a moeda norte americana bateu novamente nos R$4,16, parecendo querer testar mais uma vez a barreira estabelecida (ainda que não publicamente) dos R$4,20.

A marca é o limite imposto pelo Banco Central, para não deixar a inflação sofrer pressões que possam ameaçar a política de cortes na Selic e o mercado parece estar querendo pagar para ver. A dúvida é, ela ainda é válida ou Banco central deixara o “jogo seguir”, na próxima vez? Em afirmativo, até quando o BC aceitará queimar suas reservas?

Ontem, o real teve o pior desempenho frente ao dólar, em uma cesta composta pelas 34 moedas com maior liquidez, ligando o alerta e forçando uma nota intervenção para hoje: Novo leilão, desta vez de R$ 580 milhões no mercado à vista e outros R$580 milhões em swap cambial reverso às 09:00h.

Desgaste

Jair Bolsonaro e sua bandeira anticorrupção voltam a ser testados depois da divulgação de que a Polícia Federal está pronta para pôr as mãos em Fernando Bezerra Coelho, ex-ministro de Dilma Rousseff e atual líder do governo no Senado.

Suspeito de embolsar R$5,5 milhões juntamente com o seu “Bob Filho”, a denúncia contra o Senador vem em péssima hora, justo quando sua articulação está sendo colocada a prova, no andamento da Reforma da Previdência e futuramente, com a Reforma Tributária.

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Pesará certamente, para a base eleitoral do presidente, que segundo pesquisas, está cada dia mais diminuta, demonstrando não estar nada confortável com a indicação de Eduardo Bolsonaro à embaixada americana.

Lá fora

Os chineses reduziram sua taxa de empréstimos com prazo de um ano, de 4,25% para 4,20% pelos próximos 30 dias, mostrando que também não estão confortável com o atual ritmo de seus indicadores econômicos.

Nos EUA, dois FED Boys com direito a voto falam hoje, e quem sabe, dão maiores pistas sobre o que se passa na cabeça de Jerome Powell em relação ao futuro próximo.

Testando o topo?

Ontem vimos um “teste” interessante, quando o Ibov bateu novamente na casa dos 106 mil pontos, muito próximo de nosso topo histórico (106.650) nos dando esperanças de que um alívio nos conflitos geopolíticos externos, podem nos trazer um novo fôlego.

Mas ainda temos alguns dias até o encontro entre autoridades americanas e chinesas e até lá, nem Deus sabe o que pode sair da boca (ou dos dedos) de Trump e seus “blue caps”.

Pra fechar a sexta com uma boa notícia, a aposta em uma Selic abaixo de 5% até o fim de 2019 já passou a ser majoritária e deve ser observada no Boletim Focus da próxima segunda-feira.

Por isso todo o olhar especial em torno do dólar, visto que atualmente, a moeda americana parece ser a maior ameaça ao nosso ciclo de cortes projetado.

Filipe Teixeira – Wisir Research /Acompanhe o mercado financeiro em tempo real: https://t.me/wisir