Dólar alto e ações baratas: o que é bom observar antes de comprar

Paulo Filipe de Souza
Colaborador do Torcedores

Com o dólar a quase R$ 6, algumas ações podem ser beneficiadas e outras que estão baratas podem se mostrar com um alto custo final. Analisar os impactos do câmbio é uma boa estratégia para olhar para as ações.

Desde fevereiro, quando os impactos da pandemia começaram a aparecer por todo o mundo, o Ibovespa já caiu 29,7%. Mas tem setores na bolsa de valores que estão na contramão das quedas.

O setor de exportação, por exemplo, já teve uma valorização de 20% no mês de maio. A Suzano (SUZB3), empresa de papel e celulose, é um dos casos de valorização em meio a pandemia.

Em novembro do ano passado, muito antes do começo da pandemia, a ação da empresa custava R$38,23. Hoje, a ação está próxima dos R$42. Investir em exportadora pode parecer uma boa estratégia para se proteger contra a valorização do dólar, mas alguns aspectos precisam ser levados em conta.

Os impactos do dólar

As empresas que lidam com as exportação têm grande parte da receita em dólar. Vamos imaginar que uma empresa possua a maior parte das despesas em reais. Uma empresa nesse cenário tem aumento dos lucros com a desvalorização cambial.

Assim, vendendo o mesmo produto e com o mesmo preço essa empresa atinge uma receita muito maior. Só que esse não é o único ponto que deve ser analisado.

Muitas empresas possuem dívidas e empréstimos referenciadas em dólar. Isso quer dizer que, junto com o aumento do lucro, há o aumento do valor da dívida com a desvalorização do real.

Desde o começo do ano até agora, a valorização do dólar aumentou em R$ 907 bilhões o valor que empresas brasileiras vão ter que desembolsar para pagar dívidas referenciadas na moeda.

O problema é que cerca de 20% das empresas no Brasil não faz hedge, a proteção contra mudanças no câmbio. Ou seja, essas empresas vão pagando a diferença do cambial conforme vão pagando empréstimos e financiamentos.

O que analisar ao comprar uma ação

Há vários e importantes indicadores que devem ser usados para compra de ações. Mas é importante analisar aqueles que apontam as dívidas da empresa. Ainda mais se essas empresas possuem dívidas atreladas ao dólar e não possuem hedge cambial.

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Há inúmeros índices de endividamento, esses números podem mostrar se a empresa terá um aumento da dívida em casos de variações cambiais bruscas como as atuais.

Há exato 1 ano, o dólar era cotado a R$4,10. Hoje, a moeda está próxima de R$ 6. Essa valorização é de quase 50%. Um aumento assim tem um enorme impacto para empresas que possuem financiamentos ou empréstimos atrelados ao dólar.