Com intervenção do Banco Central, dólar abre em queda depois de três dias de recorde

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

O dólar iniciou o dia em queda nesta quinta-feira (28), depois de ter renovado o recorde nominal de fechamento pelo terceiro dia seguido nesta quarta. Às 10h, o dólar era comercializado a R$ 4,218, uma queda de 0,39%.

O Banco Central mudou sua estratégia para acalmar a alta do dólar e a decisão parece ter surtido efeito.
A instituição anunciou para esta quinta-feira (28) novo leilão para venda de dólares à vista, em um total de US$ 1 bilhão. A estratégia é diferente da adotada entre terça e quarta, quando a instituição anunciou as operações durante a realização do pregão.

Queda

Nesta quinta, o dólar iniciou o dia já em queda. Às 10h, era comercializado a R$ 4,218, uma queda de 0,39%. Às 11h30, já estava em R$ 4,2399.

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Na quarta, a moeda encerrou o dia vendida a R$ 4,259, com alta de R$ 0,019 (0,44%).

Na quarta-feira, a moeda encerrou o dia vendida a R$ 4,259, com alta de R$ 0,019 (0,44%). Essa é a maior cotação de fechamento desde a criação do real em valores nominais, sem considerar a inflação.

No dia anterior, o dólar fechou a R$ 4,2584, em alta de 0,45%. Na máxima da sessão, chegou a R$ 4,2711. O Banco Central interveio vendendo dólares à vista em leilão extraordinário.

Na parcial do mês, o avanço chega a 6,20% frente ao real. No ano, a valorização chega a 9,92%.

Nesta quinta, é aguardada nova oferta líquida do BC, de até US$ 1 bilhão, a fim de acalmar a cotação do dólar.

Leilões

Quando o dólar chegou a ser negociada a R$ 4,28, na terça, o Banco Central também precisou intervir. Fez dois leilões de venda direta das reservas internacionais, de acordo com informações da Agência Brasil. Em cada leilão, o BC arrecadou cerca de R$ 1 bilhão.

As altas recordes são creditadas à repercussão da entrevista com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que na segunda (25), em Washington, disse não ter preocupação com a alta da moeda americana, que naquele dia havia fechado a R$ 4,21.

“O dólar está alto. Qual o problema? Zero. Nem inflação ele está causando. Vamos importar um pouco mais e exportar um pouco menos”, minimizou. E acrescentou que era “bom” o brasileiro se acostumar com juros mais baixos e com o câmbio mais alto “por um bom tempo”.

Escalada do dólar

A elevação constante do dólar deve afetar o preço de produtos que fazem parte do cotidiano dos brasileiros. A moeda americana pode encarecer combustíveis e viagens para o exterior.

Na tentativa de conter a escalada do dólar, o Banco Central fez dois leilões da moeda. A medida evitou que a cotação chegasse perto de R$ 4,28.

Durante participação em um evento nos Estados Unidos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que “é bom o mercado se acostumar com o câmbio mais alto por um bom tempo”.

A declaração é tida como o gatilho para a escalada do dólar. Segundo a economista Camila Abdelmalack, a afirmação foi interpretada por investidores como um desinteresse do governo pelo câmbio atual.

A moeda americana iniciou o mês cotada a R$ 3,99. Na última segunda-feira (25), ela fechou o dia a R$ 4,21. Na manhã de ontem (26), foi negociada a R$ 4,27, mas encerrou o dia vendia a R$ 4,24.

 

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