DMVF3, HYPE3, PNVL3, PFRM3: farmacêuticas têm recomendação para compra

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: hypera divulgação

Em relatório em que analisa os dados do segundo trimestre de empresas do setor farmacêutico, a casa de análises Eleven recomendou a compra de quatro empresas do setor e se manteve neutra em uma.

São elas: d1000 (DMVF3), Hypera Pharma (HYPE3), Dimed/Panvel (PNVL3) e Profarma (PFRM3).

Segundo a análise, as farmácias foram beneficiadas no início da pandemia com o movimento de estocagem de produtos e medicamentos no fim de março.

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Porém, este comportamento entre os consumidores foi alterado no início de abril, momento em que as recomendações de distanciamento social estavam mais rígidas e o receio de contaminação estavam mais acentuados, retraindo consideravelmente as vendas no varejo farmacêutico.

Cenário

De acordo com os dados fornecidos pela Cielo, que reflete parte das vendas, após abril as vendas foram se recuperando gradualmente, encerrando julho em níveis pré-pandemia, porém voltaram a recuar levemente em agosto.

Dados do consumo de varejo farmacêutico

Além do cenário atípico também houve dois fatores que contribuíram negativamente para a fraca geração de receita entre as farmácias.

O primeiro foi a postergação do reajuste de preços dos medicamentos de marcas e genéricos, que são definidos ao fim do primeiro trimestre de todos os ano com valores estabelecidos pela Lei nº 10.742, aprovada em 6 de outubro de 2003.

Especialmente em 2020, devido à pandemia, estes reajustes foram postergados para o final de março, transferindo parte da receita sazonalmente mais forte no 2T20 para o 3T20.

O segundo ponto que impactou o resultado do 2T20 foi o fechamento temporário de lojas de shoppings seguindo as orientações de saúde pública, a fim de mitigar a dispersão do vírus.

A inatividade destas lojas contribuiu negativamente para a entrega do resultado no 2T20.

Aceleração dos canais digitais

Mas a pandemia e a menor circulação de pessoas proporcionou oportunidade para as redes acelerarem as vendas nos canais digitais

A Panvel, que já possuía estratégia digital avançada, conseguiu alcançar maior penetração nas vendas digitais com 17,8% no 2T20. Segundo a companhia, em julho o cenário foi ainda mais positivo, com alcance de 19,1% das vendas pelos canais digitais.

A RD também apresentou penetração relevante nas vendas digitais, com 7,6%. “Entretanto acreditamos que esta tendência não irá se manter com a retomada do fluxo de pessoas”, diz a Eleven.

A d1000 lançou seu e-commerce e aplicativo da marca Drogasmil no final do 2T20 e divulgou que vão acelerar este processo e adiantar os lançamentos dos aplicativos e sites para todas as marcas ainda no 3T20. Por outro lado, o canal de delivery por telefone é bem forte na d1000. Assim, o meio chegou a reportar mais de 10% das vendas de abril.

Além da aceleração na migração das compras físicas para o ambiente digital, as farmácias tiveram outra oportunidade. Avançou a aceleração na transformação das farmácias em hubs de saúde, centros de saúde que promovem soluções unificadas aos clientes.

O segmento de distribuição, atividade core da Profarma e serviço complementar da Hypera, também foi impactado pela postergação do reajuste. No entanto, parte desta perda no segundo trimestre foi compensada pelo maior volume de vendas para farmácias de bairros.

Recomendações

Assim, a Eleven recomenda a compra dos quatro ativos nos respectivos targets:

  • D1000 (DMVF3): R$ 29 (hoje está em R$ 10,65).
  • Hypera Pharma (HYPE3): R$ 45 (hoje está em R$ 31,30).
  • Dimed (PNVL3): R$ 43 (hoje está em R$ 24,09).
  • Profarma (PFRM3): R$ 9 (hoje está em R$ 4,98).

Mas em relação à Raia Drogasil (RADL3), a Eleven mantém posição neutra, com preço alvo em R$ 138.

Cenário da d1000

Segundo a Eleven, a d1000 reportou prejuízo de R$ 13 milhões no segundo trimestre, abaixo das expectativas. O resultado foi prejudicado pela queda nas vendas, vista principalmente em abril, momento mais agudo da crise. De acordo com a companhia, em junho suas farmácias já operavam próximas dos níveis pré-pandemia.

“Vale mencionar que a abertura de shoppings e da flexibilização do distanciamento social foram pontos importantes para a retomada gradual, cerca de 18% do portfólio de lojas são localizadas em shoppings”, diz a Eleven.

A companhia vem passando por um processo de reestruturação com o fechamento de lojas ineficientes (neste trimestre foram fechadas dez lojas) e abertura de lojas no modelo popular, que possuem margens mais atrativas.

Em agosto foi realizado o IPO da d1000 que levantou R$ 368 milhões para o caixa da companhia a fim de subsidiar o plano de expansão.

“Acreditamos que o potencial da d1000 vai além da abertura de lojas, pois apresenta melhores estratégias no mix de vendas, com maior relevância nas vendas dos produtos de marcas próprias e com precificação mais assertiva”, afirmam os analistas.

 

Grupo Dimed e a estratégia digital

O Grupo Dimed publicou o seu resultado do segundo trimestre com lucro líquido de R$ 3,4 milhões ante os R$ 19 milhões no mesmo período do ano passado.

A retração nas vendas das farmácias no segundo trimestre não foi diferente para o Grupo Dimed. Foi reportada queda de 1,8% a/a nas vendas no seu segmento do varejo farmacêutico, a Panvel.

O grande destaque do resultado foi a penetração de 17,8% nas vendas nos canais digitais no total das vendas. A Panvel sempre esteve à frente dos seus pares na estratégia digital e agora se posiciona como benchmark no segmento.

O segmento de atacado (distribuição) reportou uma participação menor na receita bruta do grupo no segundo trimestre, com 9,7% no 2T20 comparado com a participação de 11,1% no 2T19, o que é atribuído à sua tática de preservar estoques de mercadorias para priorizar o abastecimento da Panvel diante do cenário de incertezas.

Por fim, no final de julho o Grupo Dimed realizou o seu follow-on. O movimento irá direcionar cerca de R$ 302,6 milhões. Ou seja, o equivalente a 63% dos recursos captados, para o plano de expansão. O objetivo do plano é ampliar o market share da marca Panvel na região Sul. Mas os recursos também vão ajudar a formar uma barreira de entrada para possíveis concorrentes.

 

RaiaDrogasil e os impactos de curto prazo

A rede reportou no 2T20 lucro líquido de R$61,7 milhões. Ou seja, queda de 61,6% quando comparado com mesmo período do ano anterior. O resultado foi negativamente impactado pelas menores vendas nas farmácias, causada pelo menor fluxo de consumidores, a postergação de consultas médicas e pelo atraso do reajuste do preço dos medicamentos, transferindo parte dos ganhos para o 3T20.

“Acompanhando o movimento das vendas, os maiores impactos foram sentidos em abril e gradualmente foram recuperando, as vendas online foram relevantes para mitigar este efeito, tendo atingindo 7,6% de penetração nas vendas do varejo”, diz a Eleven.

Na teleconferência a companhia confirmou seu guidance de abertura de 240 novas lojas para 2020 (até o momento obteve 94 aberturas e 5 encerramentos). O foco das inaugurações será nas regiões Sul e Nordeste.

“Uma novidade foi anúncio do possível split de 5 para 1 em suas ações, o que julgamos ser um movimento positivo para aumentar ainda mais a liquidez do papel”, diz a Eleven.

 

Cenário da Profarma

Diferente do que correu com o varejo farmacêutico, a distribuidora Profarma se beneficiou do cenário de pandemia. As imposições ao distanciamento social fomentaram o consumo em farmácias independentes e de bairro, que são os maiores clientes da distribuidora, marcando crescimento de 11,6% na receita bruta.

O cenário favorável para o segmento de distribuição foi diferente para o varejo farmacêutico, que prejudicou o resultado da Profarma como um todo, refletido no prejuízo de R$ 4,4 milhões. Ainda no segundo trimestre ocorreu a postergação do reajuste dos preços de medicamentos, que normalmente ocorre no final de março e, especialmente este ano, aconteceu no início de junho, transferindo parte do ganho com vendas para o terceiro trimestre.

“Vale mencionar que o IPO da d1000 foi exclusivamente em oferta primária, e os recursos não foram destinados à Profarma. Assim, seguimos construtivos com a Profarma devido às expectativas positivas para a d1000”, dizem os analistas.

 

Hypera tem resiliência

A Hypera encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 396,4 milhões. Mas R$ 110,6 milhões são referentes ao reembolso feito pelo Sr. João Alves de Queiroz Filho referente aos pagamentos indevidos identificados nos trabalhos do Comitê Independente relacionado à operação “Tira Teima” da Polícia Federal.

Retirando este efeito, a margem líquida teria sido de 26,7%, com queda de 3,1 p.p. quando comparado ao mesmo período do ano passado. “Apesar de ser uma margem menor, entendemos que é um resultado positivo diante do cenário de crise”, diz a Eleven.

Com o menor fluxo de consumidores e redução de consultas, as vendas para o consumidor final, sell-out, foram negativamente impactadas. No entanto, parte desta perda foi compensada pela maior venda de medicamentos genéricos, reflexo do maior consumo em farmácias independentes.

Por fim, também houve novidades em relação ao guidance para o ano, incluindo a aquisição da linha BuscoPan. A receita líquida esperada é de aproximadamente R$ 4 bilhões (vs. R$ 4,250 bilhões a R$ 4,350 bilhões sem Buscopan). O lucro líquido das operações continuadas segue o mesmo patamar divulgado anteriormente, de R$ 1,3 bilhão (antes R$ 1,275 bi).