Dividendos terão redução ou adiamento no pagamento

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil

Antes da crise do coronavírus, a consultoria Economatica projetava que mais de R$ 119 bilhões seriam distribuídos ao longo deste ano aos acionistas das empresas listadas na bolsa.

Este seria um valor recorde, com alta de 13% em relação a 2019. E se baseia no crescimento de lucro das empresas na comparação com 2018.

No entanto, com o revés econômico, os dividendos devem ser reduzidos. Em alguns casos, os pagamentos devem ser adiados para o final do ano.

“Se a política de distribuição de dividendos das empresas em 2020 se mantivesse idêntica à de 2019, o volume em 2020 deveria ser cerca de 13% superior ao do ano passado. Mas já sabemos que não será”, explica o gerente de relacionamento institucional da Economatica, Einar Rivero, que prevê uma queda considerável neste valor.

Empresas já sinalizaram mudança nos pagamentos

O Banco Central já limitou os dividendos dos bancos em 25% dos lucros, o que deve baixar de R$ 74 bilhões para R$ 18 bilhões o valor total pago aos acionistas.

Algumas companhias também já dão sinais de mudança nos planos de distribuição de dividendos.

A Petrobras realizaria os pagamentos em 20 de maio, mas postergou o prazo para 15 de dezembro. Entretanto, ela manteve o montante de R$ 1,7 bilhão para ações ordinárias (R$ 0,23 por ação) e R$ 2,5 bilhões para ações preferenciais (R$ 0,00045 por ação).

MRV, Engie,Energisa, Carrefour e Equatorial também afirmaram que farão revisões no pagamento de dividendos.

Dividendos: assembleia define mudanças

A redução ou adiamento dos dividendos é uma estratégia à qual as empresas recorrem em época de crise, para fazer caixa e garantir liquidez em épocas de crise, evitando recorrer ao endividamento.

No entanto, as mudanças dependem de aprovação das assembleias com os investidores. Vale lembrar que os pagamentos acontecem de acordo com a política de cada empresa, de maneira mensal, trimestral, semestral ou anual.

Volume de dividendos aumentou nos últimos 4 anos

De acordo com a Economatica, nos últimos 4 anos o volume de dividendos e juros sobre capital próprio vem crescendo continuamente. O gráfico abaixo considera o período de 2010 a 2019.

O menor valor da amostra foi registrado no ano de 2010, com R$ 59,6 bilhões.

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As empresas que mais geram dividendos

Abaixo, a lista da Economatica com as empresas que mais distribuíram dividendos em 2019. O setor financeiro segue na liderança, seguido pela Petrobras.

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