Dividendos são estratégia para investidor de longo prazo

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Foto: Pixabay

Quem nunca pensou por um instante ao menos na possibilidade de ganhar dinheiro sem se empenhar por isso? Estamos falando do que se chama costumeiramente de “viver de renda”.

Em um primeiro momento, pensamos na renda fixa, mas você sabia que também é possível ter renda passiva na bolsa de valores?

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Muitas pessoas sonham com a “façanha” de ganhar dinheiro sem precisar efetivamente fazer muito esforço para isso. 

Quando se é detentor de um ativo negociado em bolsa de valores, tem-se o direito de recebimento de todas as bonificações existentes. Parte daí o princípio de ter renda passiva vinda da bolsa. Outro ponto que não deve ser ignorado é o potencial de valorização do ativo em questão.

A lógica é simples: se uma determinada ação retorna boas quantias aos seus possuidores, é sinal de que se trata de uma boa empresa. Assim, o valor desse ativo tende a se valorizar, pois é evidente que se trata de uma boa ação. 

Se a distribuição dos lucros é feita de forma percentual sobre a cotação no momento do pagamento de alguma bonificação, a relação tende a ser exponencial com o tempo. Logo, quanto mais o tempo passar e o investidor preservar seu patrimônio, mais dinheiro receberá.

Dividendos: lucro compartilhado

Os donos de ações podem ser remunerados por meio da distribuição de dividendos. Em geral, as empresas listadas na bolsa distribuem no mínimo 25% do lucro líquido aos seus acionistas.

No entanto, há empresas que distribuem um percentual ainda maior. Isso porque quando a empresa tem lucro em um período tem três possibilidades:

  1. Usar o dinheiro para investir no negócio, comprando outras empresas, ampliando fábricas, etc.
  2. Deixar em caixa para cobrir algum custo futuro.
  3. Distribuir o lucro entre os acionistas.

Há empresas mais maduras que não precisam de tanto caixa ou mesmo de novos investimentos, como as companhias de energia elétrica. Por isso, acabam compartilhando boa parte dos resultados entre os acionistas.

Além de ser uma fonte de renda extra, uma vantagem dos dividendos é que eles são isentos de imposto de renda. Isso porque a empresa distribuidora já pagou IR. Por isso, o investidor não precisaria pagar novamente o imposto.

Dividend yield

Mas como verificar se uma empresa é boa pagadora de dividendos? O Dividend Yield (DY) é um indicador importante para quem investe no mercado financeiro visando a renda passiva. Especialmente para quem está interessado em receber rendimentos com regularidade.

Entretanto, além de calculá-lo, é fundamental, também, saber como interpretá-lo. Isso porque, o DY é um dos indicadores que permitem medir o desempenho de uma companhia de capital aberto, com análise dos dividendos pagos aos seus acionistas em um ano. Ele mostra a relação entre esses dividendos e o preço atual da ação.

Seu cálculo é dado pela fórmula de divisão: total de dividendos pagos em doze meses dividido pelo preço atual da ação. Ou seja, o dividend yield é o retorno que o dividendo traz em relação à sua ação.

Se a ação de uma companhia está custando R$ 50 e ela pagou, no último ano, R$ 5 em dividendos aos acionistas, a conta nos mostra que o dividend yield é de 10%.

Isso significa que as ações da empresa renderam 10% sobre o valor inicialmente investido. Ou seja, no período, o retorno do investimento foi de 10% ao ano.

Cuidados ao analisar dividendos

Como vimos, o fato de saber quanto um papel remunera seus investidores pode ajudar a tomar decisões no mercado acionário.

Porém, é importante que esse indicador seja analisado em conjunto com outros fundamentos da empresa. Isso porque, sozinho, o dividend yield pode distorcer a avaliação do investidor.

Além disso, é importante que se saiba que, nem sempre, uma empresa que distribui dividendos é uma boa opção de investimento. Da mesma forma, existem excelentes papéis cujo retorno não depende da distribuição de lucros.

O primeiro ponto a ser analisado na distribuição de dividendos é se houve lucro não recorrente. Suponha que em determinado exercício a empresa tenha vendido parte expressiva de seus imóveis. Assim, decidiu que os recursos da venda seriam distribuídos aos acionistas como dividendos.

Logo, o dividend yield desse ano foi maior do que o de anos anteriores. O motivo foi a influência da receita não recorrente, que veio da venda dos imóveis.

Ou seja, o investidor deve ter consciência de que não pode esperar por essa receita com regularidade. Por isso, para evitar surpresas, deve estar atento à origem do dinheiro distribuído pela companhia.

Mais cuidados

Outro ponto a ser observado é se houve geração de caixa e alavancagem no trimestre do resultado. Eventualmente, algumas empresas podem distribuir dividendos superiores aos seus resultados. Para isso, elas utilizam o próprio caixa ou, até mesmo, aumentam o seu endividamento.

Isso pode ocorrer quando essas empresas precisam de novas fontes de financiamento. E, ao realizarem boas distribuições, tornam-se interessantes para o investidor.

Esse é outro cuidado que se deve ter ao analisar o DY. Isso porque, ao receber dividendos atraentes, o investidor pode não perceber que a empresa pode estar sacrificando caixa ou aumentando dívidas.

O investidor também deve levar em consideração que um dividend yield baixo pode significar que a empresa prefere reinvestir seus lucros no próprio negócio em vez de distribuí-los aos acionistas.

Nesse sentido, há, inclusive, empresas que não pagam dividendos, mas são boas opções de investimento devido ao potencial de crescimento. Isso pode ocorrer quando a companhia acredita que a rentabilidade dos novos projetos supera o custo de oportunidade do mercado de capitais. Ou seja, o potencial de crescimento do negócio pode ser tão alto que, dificilmente, outros ativos poderiam dar maiores retornos.

Logo, um papel com DY baixo não pode ser considerado um mau investimento por si só.

Pandemia

Momento atípicos do mercado também devem ser levados em consideração na hora de avaliar uma empresa. Em 2020, por exemplo, a pandemia afetou drasticamente a distribuição de lucros. 

Os dividendos distribuídos pelas empresas de capital aberto tiveram queda de 29% em 2020. Os bancos foram os mais afetados, com uma baixa de 47% no valor distribuído. 

Por outro lado, a valorização do minério de ferro em um cenário de aumento da demanda e de dólar valorizado fez a Vale ser a empresa que mais distribuiu dividendos em 2020. 

Como são resultados impactados diretamente pela pandemia, o investidor deve pesar na balança se algo parecido irá se repetir nos anos seguintes.

Por fim, a distribuição de dividendos também pode estar associada à necessidade de capital intensivo. Isso porque quando a empresa atua em setores maduros ou que possuem alguma limitação de crescimento ela não precisa reinvestir constantemente.

Um exemplo disso é o setor de energia elétrica. Nesse sentido, as empresas do segmento precisam de licenças para atuarem em determinada região geográfica. Logo, seu potencial de crescimento é limitado, pois depende de variáveis externas.

Ao não investirem com tanta frequência, essas empresas conseguem ter mais sobra de recursos para distribuir aos acionistas. E isso torna o seu dividend yield mais alto.

Dividend yield ideal

E afinal, qual o dividend yield ideal? Não há uma resposta única para essa pergunta.

Isso porque não basta somente calcular o indicador. O mais importante é analisar os fundamentos das empresas para tentar entender como o DY poderá variar no futuro.

Por fim, é bom lembrar que, como qualquer outro indicador, o dividend yield é parte integrante de uma análise. Logo, deve ser utilizado para complementar uma avaliação mais profunda da empresa, e sempre em conjunto com outros índices.

Em geral, deve-se observar como a empresa obteve lucro, porque está distribuindo ou não o valor e comparar com outras companhias do mesmo segmento que, teoricamente, poderiam estar passando por uma situação econômica semelhante.

(Por Pablo Spyer, diretor da EQI  Investimentos)

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