Dividendos: veja as ações mais recomendadas para outubro

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

As ações de Taesa (TAEE11), BB Seguridade (BBSE3), Itaúsa (ITSA4), Engie (EGIE3) e Vale (VALE3) foram as que mais apareceram nas carteiras recomendadas de dividendos para o mês de outubro. O levantamento foi feito a partir da análise de seis carteiras: Eleven Investimentos, Guide, Ativa, Planner, Santander e Mirae.

O destaque foi o Taesa (TAEE11) com 4 recomendações de 6 carteiras analisadas. Enquanto as demais empresas tiveram 3 recomendações.

Logo atrás apareceram nomes de empresas, como BB Seguridade (BBSE3), Itaúsa (ITSA4), Engie (EGIE3) e Vale (VALE3).

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Em setembro, os destaques entre as pagadoras de dividendos foram BB Seguridade (BBSE3), ISA CTEEP (TRPL4), Cyrela (CYRE3) e Vivo (VVT4).

Taesa (TAEE11)

A corretora Planner espera que a Taesa faça uma distribuição de dividendos de R$ 0,35/unit em novembro (retorno de 1,3%).

De acordo com a corretora, a empresa mantém um desempenho operacional consistente, qualidade na operação dos ativos e forte geração de caixa.

Conforme a Guide, a empresa permanece com boa perspectiva de crescimento, com sólida execução das novas concessões, além de um atrativo dividend yield (indicador que mede a performance da companhia em relação ao pagamento de proventos).

“O baixo risco regulatório da Taesa, que possui contratos longos, com vencimento a partir de 2030, é outro ponto de destaque” lembrou a Guide.

A empresa historicamente reporta geração de caixa constante e robusta, com margens bastante elevadas (margem Ebtida em torno de 85% – 90%).

O histórico de disciplina de capital nos leilões e o alto rendimento de proventos (payout médio acima de 90% nos últimos 10 anos) que a empresa apresenta deixa a Guide confortável com a recomendação.

A Ativa ressalta que a Taesa investiu nos primeiros seis meses de 2020 o equivalente a 97% do total investido em 2019.

Dessa forma, a Taesa segue focando na finalização de seus seis projetos atualmente em construção.

BB Seguridade (BBSE3)

O Santander disse estar menos negativo com o potencial impacto das menores vendas de seguros nos canais tradicionais do Banco do Brasil (ou seja, sua rede de agências) devido às medidas de isolamento social.

Portanto, o banco acredita que o primeiro trimestre tenha sido o pior em termos de resultados e espera resiliência nos próximos trimestres. “Assim como vemos as ações da BB Seguridade como um dos melhores nomes defensivos para se manter durante a crise do coronavírus”, diz o relatório.

Conforme o Santander, os testes de estresse internos da BB Seguridade mostraram que, mesmo considerando zero de vendas, a empresa poderia manter seu atual nível de distribuição de aproximadamente 80% do lucro líquido (gerando um dividend yield de ~10% para 2020 e ~6% para 2021). Nesse sentido, o banco não espera grandes mudanças em sua política de dividendos.

Já a Ativa destaca que o BB Seguridade vem aprimorando as operações após a venda de IRB e, dessa forma, pode cada vez mais vir a se beneficiar da capilaridade de seu dono.

Em um cenário de alavancagem da previdência e do crédito, o negócio realiza ganho nas duas pontas, por atuar não só em ambos os setores, mas também com o necessário posicionamento.

“Os riscos de ingerência política vêm se mitigando e acreditamos que o BB Seguridade possa alcançar múltiplos cada vez maiores”, finaliza a Ativa.

Itaúsa (ITSA4)

A Itaúsa é uma holding constituída para centralizar as decisões financeiras e estratégicas de um conjunto de empresas.

As principais empresas controladas pela Itaúsa são Itaú Unibanco e suas controladas Banco Itaú e Banco Itaú BBA, no segmento financeiro, além de Duratex, Alpargatas, NTS e Itautec.

No entanto, as ações do Itaú, sozinhas, representam 96% do Valor Líquido dos Ativos (NAV) da Itaúsa.

Nesse sentido, segundo Santander, o Itaú continua a ter excesso de capital, altos índices de cobertura, ROAE bem acima de seu custo de capital e pares, um alto rendimento de dividendos, iniciativas digitais e menor exposição aos segmentos/indústrias mais impactados (PMEs e seguro de saúde).

Já a Guide Investimentos ressalta que os ativos do grupo ficaram com forte desconto frente aos seus preços potenciais, o que poderá resultar em apreciação também no preço da holding.

Além disso, a gestora acredita que a gradual retomada da economia interna deve manter elevada a demanda por crédito, fator que deve beneficiar ainda mais o lucro do Itaú.

Engie (EGIE3)

A Engie Brasil (EGIE3) é uma das maiores empresas privadas de geração de energia elétrica no Brasil, com capacidade instalada total de 9.491,7 MW.

Na avaliação do Santander, após a aquisição da unidade Transportadora Associada de Gás (TAG), a Engie se tornou uma das melhores empresas para surfar a nova tendência do mercado de gás doméstico. Além disso, também tem potencial para crescer no  segmento de fontes renováveis.

Tudo isso aliado ao fato de que as ações da empresa são negociadas agora com um valuation atrativo (com TIR real ao redor de 10%, e um dividend yield esperado na mesma magnitude).

Já a Ativa Investimentos definiu a Engie (EGIE3) como “aquele player que alia alta performance operacional com disciplina financeira”.

Isso porque, segundo a Ativa, os movimentos realizados pela Engie no mercado de energia e na alocação de recursos para investimentos tÊm se mostrado fora da curva, tal como seu compromisso com as métricas ESG.

Dessa forma, a corretora segue recomendando o ativo, que demonstrou vigor neste trimestre e com a queda na alavancagem, obtém ainda mais flexibilidade para buscar crescimento orgânico, inorgânico e continuar como uma excelente pagadora de proventos.

Por fim, mesmo em meio à pandemia do coronavírus, o Santander acredita que o ano será positivo para a Engie. Entre os motivos estão possíveis fusões e aquisições (através de leilões ou não) e a nova expansão do mercado de gás, além da venda de suas termelétricas a carvão.

Vale (VALE3)

A Vale (VALE3) anunciou recentemente a retomada da política de pagamento de dividendos, paralisada desde o desastre de Brumadinho.

Para o Santander, isso pode indicar maior confiança da mineradora nas operações e a redução das incertezas nos negócios em que atua.

Serão distribuídos proventos no valor de R$ 2,4075, sendo R$ 1,4102 na forma de dividendos e R$ 0,9973 na forma de juros sobre o capital próprio, no montante total de R$ 12,4 bilhões. Dessa forma, o dividend yield é de 4%.

A forte geração operacional de caixa permitiu à empresa retomar seu programa de remuneração aos acionistas.

Conforme a Mirae, a Vale superou as expectativas dos investidores no seu resultado no segundo trimestre, já que as vendas líquidas totalizaram R$ 40,4 bilhões, um aumento de 29% sobre o primeiro trimestre de 2020 e de 12,3% sobre o mesmo período de 2019.

O desempenho foi puxado pelo preço alto do minério de ferro e o dólar em ascensão em relação ao real no período.

A Mirae ressalta que a Vale apresenta uma baixa exposição em capital de terceiros em seu endividamento e decorrente desta sua boa estrutura de capital acabou não sendo exposta à variação cambial sobre o seu resultado financeiro, o que acabou refletindo em sua lucratividade.

O Santander espera que a demanda por minério de ferro de alta qualidade continue elevada no curto prazo, em decorrência de eventuais medidas de estímulos econômicos adotadas na China, como a priorização de obras de infraestrutura.

A Guide Investimentos também destaca que as melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar os riscos de governança e ambientais da companhia.