Dívida pública chega a R$ 5,2 trilhões em fevereiro, alta de 2,75%

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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A dívida pública brasileira atingiu R$ 5,198 trilhões em fevereiro, alta de 2,75% em relação a janeiro. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (24) pelo Tesouro Nacional.

O aumento das emissões de títulos públicos fez a dívida pública federal continuar a subir em fevereiro.

A dívida pública mobiliária (em títulos) federal interna subiu 2,68% passando para R$ 4,951 trilhões.

Em fevereiro, o governo emitiu R$ 104,87 bilhões a mais do que resgatou, segundo a Agência Brasil.

E houve ainda a incorporação de R$ 24,3 bilhões em juros, quando o governo reconhece gradualmente os juros que incidem sobre a dívida.

O Tesouro Nacional informou que o mês de fevereiro foi marcado “pela cautela com o cenário doméstico e a evolução da pandemia, apesar do início da vacinação dos grupos prioritários”.

“Internamente, a discussões em torno da PEC emergencial e do novo auxílio emergencial contribuíram para a percepção de elevação do risco fiscal. No cenário externo destaque para a alta das Treasuries em função dos riscos relacionados à inflação e ao pacote de estímulos nos EUA”, destaca o Tesouro.

Dívida externa cai em fevereiro

A dívida pública externa caiu de R$ 237,88 bilhões em janeiro para R$ 247,93 bilhões em fevereiro.

Os principais responsáveis foram a alta de 0,99% do dólar em fevereiro e a contratação de R$ 7,24 bilhões em empréstimos de organismos internacionais pelo governo brasileiro.

Nos últimos meses, o Tesouro tem emitido mais títulos públicos para recompor o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência), que foi parcialmente consumido no início da pandemia do novo coronavírus.

Essa reserva subiu de R$ 805,7 bilhões em janeiro para R$ 933,2 bilhões em fevereiro.

Em março, abril e maio, vencerão R$ 581,2 bilhões em títulos federais.

Impactos da Covid-19

Nos primeiros meses da pandemia de covid-19, o governo queimou parte desse colchão para compensar a instabilidade no mercado financeiro.

Em agosto de 2020, o Banco Central repassou ao Tesouro R$ 325 bilhões para ajudar a recompor essa reserva. O restante está sendo feito com o aumento das emissões.

Em fevereiro, o Tesouro emitiu R$ 177,97 bilhões, acima de R$ 150 bilhões pelo sexto mês consecutivo.

Os resgates somaram R$ 66,46 bilhões, impulsionados principalmente pela troca de R$ 46,37 bilhões em títulos indexados à Selic.

Por meio da dívida pública, o governo pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos financeiros.

Em troca, compromete-se a devolver os recursos depois de alguns anos, com alguma correção, que pode seguir a taxa Selic (juros básicos da economia), a inflação, o dólar ou ser prefixada (definida com antecedência).

Reflexos em março

Em março, segundo o Tesouro, o apetite ao risco no mercado externo esteve limitado pelas preocupações com o movimento das Treasuries nos EUA e com os impactos da pandemia em diversos países.

“No cenário doméstico, a curva de juros ganhou nível e perdeu inclinação, com os prazos mais curtos reagindo à política monetária e os mais longos em alta, refletindo o cenário externo mais negativo”, diz o órgão federal.