Perfil da dívida pública piora na gestão Bolsonaro; veja outros destaques

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Desde o começo do governo Jair Bolsonaro, o prazo médio dos títulos emitidos pelo Tesouro passou de 5 anos para 2,1 anos. Ou seja, caiu a menos da metade. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Já os títulos que vencem em 12 meses dobraram, de cerca de R$ 600 bilhões para quase R$ 1,2 trilhão.

Nos próximos 12 meses, o Brasil terá de refinanciar um quarto de sua dívida pública federal de R$ 4,5 trilhões, com expectativa de piora em seu perfil. Em 2021, os vencimentos a cada trimestre alcançarão cerca de R$ 300 bilhões.

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Isso porque o Tesouro poder ter de encurtar ainda mais o prazo dos títulos que vende no mercado, buscando pagar juros menores a investidores que cobram taxas cada vez mais altas, sobretudo para papéis com vencimentos longos.

Alta de preços deve durar seis meses

Por mais que o choque inflacionário seja temporário, a duração deve ser de pelo menos mais seis meses, afirmam especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast.

Com o dólar alto, forte demanda da China e uma recuperação inicial forte da economia, as empresas devem continuar repassando o aumento dos custos de insumos enquanto houver gargalos na produção.

Já os agricultores tendem a preferir o mercado externo, mais rentável, limitando a oferta doméstica de alimentos, que também deve ser afetada por problemas climáticos.

Capital estrangeiro retorna à bolsa em outubro

Apesar das incertezas derivadas da pandemia, o dólar alto e a permanência do ministro Paulo Guedes foram suficientes para estimular o retorno de estrangeiros à B3 em outubro. As eleições presidenciais nos Estados Unidos também contribuíram para essa entrada de recursos, conforme informou o jornal Estadão.

Além disso, no contexto atual a Bolsa pode ser considerada “muito barata”, em dólares, quando comparada com seus pares pelo mundo.

No mês passado, até o dia 28, a B3 registrou a entrada de R$ 3,1 bilhões em recursos estrangeiros, resultado de R$ 250,48 bilhões em compras e R$ 247,31 bilhões em vendas.

Vale lembrar que este é apenas o segundo mês de fluxo positivo visto em 2020, depois da entrada de R$ 343 milhões de junho.

2020 pode ter menor saída de capital

Depois da forte debandada de capitais do Brasil vista no primeiro semestre, a combinação de um saldo positivo da balança comercial com menores remessas de lucros e pagamentos de serviços ao exterior, além da desaceleração do ritmo de saída dos investimentos, deve tornar a dinâmica do fluxo cambial mais tranquila nos últimos meses deste ano, apesar de esse período ser, sazonalmente, marcado por aceleração do envio de recursos para fora, conforme informou o Valor.

Dessa forma, é possível que a saída de capitais em 2020 seja menor que a de 2019 – o pior ano da série histórica iniciada em 1982-, refletindo-se em pressão menor sobre o real. E tudo por conta da crise provocada pela pandemia.

Pix obrigará operadoras de maquinhas a inovarem

Com o início do novo sistema de transferências e pagamentos do Banco Central, Pix, o modelo de negócios de muitas empresas que hoje atuam em diferentes elos da cadeia de meios de pagamentos, especialmente como adquirentes, popularmente marcada como maquininhas deve mudar, segundo reportagem do jornal O Globo.

Hoje (3), o Pix começa a ser testado com clientes selecionados, antes de funcionar plenamente no próximo dia 16.

As adquirentes, que fazem a intermediação de pagamentos e cobram uma taxa sobre essa transação, devem perder receita e terão de inovar, oferecendo novos serviços ou produtos que compensem a queda no faturamento. No entanto, as próprias companhias enxergam novas oportunidades no Pix.

Reforma nos Estados desacelera alta de gastos com aposentados

De acordo com o Valor, a reforma previdenciária aprovada por Estados deve diminuir de 34% para 5% a taxa de crescimento da despesa agregada com inativos e pensionistas ao fim desta década e permitir que daqui a 30 anos o gasto já esteja abaixo do patamar registrado no ano passado em termos reais. Sem a reforma, a despesa ainda cresceria vigorosamente em 2039 e chegaria a 2059 ainda 30% acima do valor de 2019 em termos reais (descontada a inflação).

Mas o impacto positivo da reforma somente acontecerá no agregado de 15 Estados que aprovaram individualmente mudanças mais profundas na aposentadoria.

Governo Bolsonaro prefere Trump, mas busca diálogo com Biden

Desde que tomou posse, o presidente Jair Bolsonaro alinhou o Brasil aos EUA e, rompendo a tradição de evitar intromissões em assuntos internos de outros países, Bolsonaro e sua família aderiram explicitamente à campanha do presidente Donald Trump à reeleição.

Mas, diante de uma possível derrota de Trump, as autoridades brasileiras já tentaram reduzir potenciais danos. O Itamaraty começou a estabelecer canais de diálogo com interlocutores do candidato Joe Biden.

Autoridades do governo não escondem que gostariam de ver Trump reeleito. No entanto, caso Biden saia vitorioso, o entendimento do governo brasileiro é de que não haverá grandes mudanças.

Atualização Covid-19

O Brasil teve 179 óbitos confirmados por Covid-19 nas últimas 24 horas, elevando o total de vítimas a 160.253. Os novos casos positivados foram 8.501, de um total de 5.554.206.