Money Week: diversificação internacional de investimentos enfrenta entraves

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Diversificação internacional de investimentos é uma estratégia importante, ainda mais diante da queda da Selic. No entanto, os brasileiros ainda enfrentam entraves regulatórios que dificultam este acesso, segundo especialistas ouvidos pela jornalista Fabiana Panachão no último dia da Money Week, nesta sexta-feira (26).

Durante a live, Roberto Lee, CEO da Avenue Securities e Gustavo Aranha, Sócio GEO Capital, explicaram que os investimentos dos brasileiros no exterior ainda enfrentam obstáculos.

Atualmente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determina que os fundos destinados ao público em geral só podem colocar até 20% do patrimônio líquido no exterior. Já os fundos dedicados a investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão) podem aplicar a totalidade dos seus recursos no exterior.

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De acordo com os especialistas, esta barreira está em discussão na CVM para ser retirada.

Cenário está mudando

De acordo com o CEO da Avenue, o investimento no exterior sempre ficou reservado à parcela mais rica da classe investidora.

Agora, com a queda da Selic e a maior maturidade do investidor brasileiro, isso está mudando. A Avenue Securities é uma corretora norte-americana que atende clientes brasileiros.

“A renda variável passou a ficar mais atrativa e o grande mercado de renda variável é aqui nos Estados Unidos”, disse. Vale lembrar que apenas 1% das empresas existentes no mercado global são listadas na bolsa brasileira.

De acordo com o executivo da GEO, que faz gestão de fundos de ações não brasileiras desde 2013, tanto o cliente quanto a indústria estão caminhando para investir mais no exterior.

No entanto, ele avalia que existe um longo caminho pela frente. “Em 2013, não existia nem regulação para um fundo brasileiro investir no exterior”, destaca.

Obstáculos à vista para brasileiros

Atualmente, um dos entraves está na regulação das ofertas de serviços. Em outras palavras, o marketing permitido ainda é muito limitado, segundo Lee. “A CVM regula a propaganda dos serviços de intermediação dos investimentos no exterior”, explica.

Outra barreira é a exigência de o investidor ser qualificado para poder investir em fundos que compram apenas papéis de empresas estrangeiras.

Já a abertura de conta por brasileiros em corretoras de valores é permitida. Mesmo assim, os especialistas afirmam que este mercado sempre foi direcionado para os clientes que têm mais dinheiro na conta. “Neste caso nunca houve exigência de qualificação do investidor, mas é possível melhorar o acesso”, disse.

Ele destacou que a regulação neste caso é feita pelos órgãos norte-americanos, e independe da CVM.

Briga de interesses

Apesar de a diversificação internacional ser vantajosa para o investidor, existe um jogo de interesses neste mercado. Segundo os especialistas, corretoras e bancos brasileiros estão acostumados a ter competição apenas interna. “A Faria Lima aprendeu a não competir”, disse Lee.

Segundo ele, a abertura do mercado enfrenta interesses da indústria. “Uma evidência disso é que as maiores corretoras e bancos brasileiros já detém veículos de investimentos nos Estados Unidos há vários anos e até décadas, mas sempre voltadas ao cliente super rico”, afirmou.

Dólar como investimento

Embora o Brasil tenha se inserido no contexto global de várias indústria, o mesmo não ocorreu com o mercado finenceiro. Além da ausência de produtos de investimentos internacionais, também existe esta limitação nos setores de crédito e de seguros.

“Nosso bolso está puramente atrelado à moeda doméstica, e isso é um risco tremendo para a sociedade.” Isso porque a valorização do dólar tende a corroer o patrimônio dos brasileiros. O mesmo não ocorreria se uma parte dos investimentos fosse atrelada ao dólar.

Durante a live, o porta-voz da GEO destacou que o brasileiro não costuma ver o dólar como investimento, mas como classe de ativo.

Ele defendeu que é importante usar o dólar para guardar uma parte do patrimônio, e não para especulação. “São conceitos diferentes, mas o brasileiro quer sempre saber se o dólar está com preço bom para poder comprar e vender lá na frente”, explica.