Disputa entre EUA e Irã marca a distância entre Bolsonaro e Mourão

Fabian Fávero
Assessor de Investimentos na EQI Investimentos. Formado em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Atualmente cursando MBA em Investimentos e Private Banking pela IBMEC.

Crédito: Daniel Ferreira | Metrópoles

O General Hamilton Mourão, vice-presidente do País, vem atuando como representante do País em assuntos estratégicos internacionais. Exímio estrategista, ele nunca foi um defensor do alinhamento cego com os Estados Unidos. Em recente entrevista, declarou que “em relações internacionais, não existem amizades eternas nem inimigos perpétuos, existem apenas os nossos interesses”, mostrando o seu jogo de cintura para lidar com crises estrangeiras.

Sendo assim, as recentes declarações do Presidente Jair Bolsonaro serviu como um balde de água fria na relação entre os dois. Desde o ataque que matou o general iraniano Qasem Soleimani, as declarações que vieram dos gabinetes foram bem diferentes. Após declarar que não comentaria sobre as provocações, Bolsonaro mesmo declarou apoiou a ação americana.

Após isso, o Itamaraty emitiu nota na qual defendeu o combate ao terrorismo, porém reforçando o fato de que é necessária a cooperação internacional. A ala militar do governo e, principalmente, a agrícola, tentou convencer Bolsonaro a não declarar apoio em um primeiro momento. Isso se deu pelo medo de retaliações do Irã, tendo em vista que o país é um grande importador de produtos brasileiros.  Na sexta-feira, o presidente Bolsonaro declarou que não falaria por não ter o mesmo poderio bélico que os Estados Unidos.

Os iranianos estão entre os 25 maiores parceiros comerciais do Brasil. Apenas no ano passado, o intercâmbio comercial entre os dois países quase atingiu a marca de 10 bilhões de reais. Confira mais informações sobre estes números aqui.

Em outras ocasiões, o vice-presidente foi o braço diplomático do Planalto. Em divergências com China ou países do Oriente Médio, as reuniões com diplomatas foram predominantemente feitas por Mourão. Ainda, quem se reuniu com representantes de países europeus na crise dos incêndios na Amazônia também foi ele. Por último, foi o vice quem representou o Brasil na posse de Alberto Fernandéz, presidente eleito na Argentina e alvo de crítica de Jair Bolsonaro.

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Confira a nota oficial do Itamaraty:

Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo

Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo.

O Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento.

O terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Oriente Médio e aos países desenvolvidos, e o Brasil não pode permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul.

Diante dessa realidade, em 2019 o Brasil passou a participar em capacidade plena, e não mais apenas como observador, da Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo, que terá nova sessão em 20 de janeiro em Bogotá.

O Brasil acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive seu impacto sobre os preços do petróleo, e apela uma vez mais para a unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas.

O Brasil condena igualmente os ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá, ocorridos nos últimos dias, e apela ao respeito da Convenção de Viena e à integridade dos agentes diplomáticos norte-americanos reconhecidos pelo governo do Iraque presentes naquele país.