Diretor-geral da OMC pede união global para superar crise do coronavírus

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
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Crédito: Wikipedia

Em entrevista à CNN Brasil, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que o “comportamento mais agressivo” de alguns países por insumos hospitalares e equipamentos médicos durante a pandemia, pode deixar “marcas e atrapalhar o futuro do comércio internacional” e afirmou ser necessária uma união global para combater a crise atual.

Recessão

Em coletiva realizada ontem (9), a OMC reviu as suas projeções e estima que agora as importações devem ter uma contração entre 13% e 32%, devido à crise gerada pelo coronavírus, informa o jornal Valor Econômico. “A crise é, primeiro e antes de tudo, uma crise de saúde que força os governos a tomar medidas sem precedentes para proteger a vida das pessoas”, declarou Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC.

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Tensões internacionais

Na entrevista concedida à CNN Brasil, Azevêdo falou sobre a necessidade de uma “coordenação global” para evitar tensões futuras, pois, os EUA tem sido acusado de “pirataria moderna” ao interceptar e direcionar material médico para o território norte-americano. Entre as nações que acusam o país, estão a Alemanha, França e Brasil.

Outra questão levantada pelo diretor-geral da OMC, é a possibilidade de um colapso na área de transporte internacional e atenta para o fato de que, talvez, os governos tenham que socorrer as cias.  Azevedo afirmou que há um “risco real” de uma crise da malha aérea se tornar um gargalo no Brasil. “Esse foi um setor que sentiu um impacto muito forte e eu tenho dito muito que os governos precisam se preparar para a retomada das atividades econômicas”, disse.

A crise no Brasil

Sobre como o Brasil pode ser afetado pela atual crise, Azevedo destacou a participação do Brasil na área de comércio exportador com destaque para a agroindústria e explicou que, uma “recessão global levará, certamente, a um impacto nas exportações brasileira”.

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“Ao contrário das grandes crises do passado, essa é uma crise, sobretudo, de saúde que pode se recuperar relativamente rápido e, com a retomada da demanda mundial, a economia e as exportações brasileiras podem se recuperar, sobretudo com a melhora dos preços da commodities”, analisou o diretor-geral da OMC.

Economia diversificada

Roberto Azevêdo ressaltou que o Brasil possui uma economia diversificada e que isso pode ser essencial na recuperação econômica pós-pandemia.

“Quanto mais complexa, quanto mais diversificada for a economia, menos vulnerabilidade ela tem também. Quando você depende de um setor ou dois ou coisa desse tipo, as suas vulnerabilidades são maiores. Eu acho que o Brasil tem uma economia relativamente sofisticada, não é um mono exportador, que só exporta, como nas épocas coloniais, café, borracha… Não é isso, nós temos um impacto industrial pujante”, ressaltou.

Commodities

“Há uma incerteza muito grande no futuro do comércio das commodities. Eu acho que, em um primeiro momento (da crise), houve até uma possibilidade de escassez com algumas, porque alguns países começaram anunciar restrição de exportação de bens alimentícios, mas isso terminou não se espalhando muito”, disse Azevêdo.

Para o diretor-geral da OMC, “a parte de alimentos e de agronegócio não deve sofrer muito. O que pode afetar são as coisas indiretas, por exemplo: transporte, colheita e produção em alguns países por causa da redução de oferta e de trabalho.

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Impactos no transporte aéreo e marítimo

Ainda sobre os impactos negativos do transporte aéreo e marítimo, principalmente no que diz respeito ao transporte de cargas, Azevedo disse que inicialmente pode haver, porém, considerada “que não será muito”.

Azevêdo também declarou à CNN Brasil de que há um “risco real” da crise da malha aérea se tornar um gargalo no Brasil. “Esse foi um setor que sentiu um impacto muito forte e eu tenho dito muito que os governos precisam se preparar para a retomada das atividades econômicas”, ressaltou.

O diretor-geral também ressaltou que, diferente de outras crises, o motor da economia vinha funcionando bem, porém, a “gasolina foi cortada”. “Deixar as cias aéreas, áreas de logística quebrarem, ou saírem do mercado por causa dessa crise momentânea, é um mau negócio. O importante é assegurar que o motor vai continuar funcionando. Quando você voltar a injetar a gasolina, ele vai voltar a funcionar de uma forma mais robusta”.

Sobre as decisões dos governos diante da pandemia

“Acho que a injeção desses pacotes de estímulo da ordem, pelo menos no G20, de US$ 5 trilhões foi uma coisa importante. Foi um dos remédios que nós usamos para nos recuperar da crise de 2008, aprendemos com essa lição e estamos fazendo uma cosia parecida agora.

Porém, Azevêdo destacou na entrevista à CNN Brasil que a “ordem de grandeza” da atual crise é maior que a de 2008 e que “todos os setores da economia estão sendo afetados” e destacou a ação de governos, tais como, incentivos fiscais para ajudar o médio e o pequeno negócio. O diretor-geral, por fim destacou que foi a união global dos países em torno do G20, que possibilitou a superação da crise de 2008.