Diretor do BC diz estar “supertranquilo” com inflação e descarta mudanças

Paulo Amaral
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Fábio Kanczuk, diretor do Banco Central (BC), assegurou nesta sexta-feira (6) que não há qualquer pressão na economia brasileira por conta do aumento da inflação.

Em evento online promovido por um grande banco, o responsável pela Política Econômica do BC foi taxativo quando questionado sobre os cenários para 2021 e 2022.

“Supertranquilo. Isso [inflação] não deve fazer com que a política monetária seja diferente, pois, na nossa leitura, é algo temporário”, avaliou.

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Inflação de curto prazo era esperada, segundo BC

De acordo com Kanczuk, o BC já esperava que a inflação de curto prazo fosse um pouco mais alta, apesar de ter superado um pouco as expectativas idealizadas para setembro.

“Antes da pandemia a gente estava com hiato grande e estava com a inflação muito baixa. Então o cancelamento da pandemia voltaria para essa situação onde a inflação baixa era um problema, e não inflação alta”, explicou.

“Na cabeça do Banco Central as coisas estão acontecendo meio como a gente esperava. A gente está de olho, até porque é nosso trabalho ver em que sentido isso se manifesta no resto dos preços, mas por enquanto, supertranquilo”, repetiu.

IPCA em outubro

O IPCA fechou o mês de outubro com alta de 0,86%, a maior para o mês em 18 anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE.

O percentual, somado com os demais dos últimos 11 meses, chegou aos 3,92% no período, dentro da meta pré-estabelecida, que era de 4%.

Na visão do diretor do BC, a alta dos alimentos foi uma das principais vilãs da inflação no período. Kanczuk lembrou também que houve aumento das commodities em reais de mais de 20%, com impacto “relevante” na inflação nos últimos meses.

“Isso a gente, de novo, vê como algo temporário”, afirmou Kanczuk. “Com a retração desses estímulos, desses auxílios, a coisa volta à situação normal e é o que a gente espera que vai acontecer no horizonte relevante”, completou.

O BC e o câmbio

Segundo o diretor, o BC deverá atuar no final do ano no mercado de câmbio, por conta do fluxo maior esperado no País pela questão do overhedge dos bancos.

“O mercado precisa ser espesso, grosso o suficiente para aguentar um fluxo muito grande que vai acontecer no finalzinho do ano, e o Banco Central (está) pensando em alternativas de como não deixar que esse fluxo seja disruptivo”, afirmou.

“A gente tem dúvida se mercado tem espessura suficiente para isso e acha que vai precisar dar alguma ajuda para isso não chacoalhar e com isso o Brasil inteiro sair prejudicado”, concluiu o executivo.

*Com Reuters

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