Dia decisivo para as políticas monetárias de Brasil e EUA

Filipe Teixeira
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Crédito: Federal Reserve Board Chairman Jerome Powell has been under pressure from President Trump to cut interest rates.

Decisões de FED e COPOM criam expectativas entre os investidores

A grande dúvida desta quarta-feira gira em torno da decisão do FED. Mais uma vez, o dono da bola é Jerome Powell, que precisa optar por um dos dois caminhos:

O primeiro, consiste em manter a atual taxa de juros, ancorado nos recentes bons resultados do varejo, da produção industrial e o incidente na Arábia Saudita, que pode impactar diretamente no preço dos combustíveis, dando um empurrãozinho na inflação.

O segundo, confirmaria a aposta majoritária do mercado em um novo corte de 25 pontos-base.

O desejo de Trump é por um corte ainda mais agressivo, mas Powell já deixou claro em diversas ocasiões, que não está muito preocupado com a opinião do presidente.

Ontem (17) o FED/NY realizou uma operação de emergência para recomprar títulos, fornecendo assim, maior liquidez ao mercado. Foram recomprados US$ 53,15 bilhões em títulos, o maior volume em 10 anos. Para hoje, o FED/NY já anunciou novo leilão de US$75 bilhões.

A conta é simples: Donald Trump gasta mais do que arrecada, aumentando com isso a emissão de títulos da dívida, o que por consequência, prejudica a liquidez do mercado.

Não há razões para um novo corte por lá e esta também parece ser a opinião de Powell, mas ao que tudo indica, a insistência de Trump vencerá mais uma queda de braço.

Cobertor curto

Por aqui, com a ata “dada” do COPOM e 100% de apostas em um novo corte de 50 pontos-base na Selic, o destaque maior fica por conta de mais uma fala do ministro Paulo Guedes em um evento realizado em Brasília.

Com o veto de Bolsonaro à nova CPMF, a equipe econômica está “se virando nos trinta” para fazer a conta fechar. A redução de alíquotas do IR e o aumento da faixa de isenção tendem a virar promessa de campanha, infelizmente.

Ontem à noite, Paulo Guedes reafirmou o compromisso de reduzir os encargos trabalhistas, desonerando a folha de pagamentos, mas também citou que há um “enigma pela frente” em sua procura por aumentar a arrecadação.

Guedes confirmou que o governo está com sua proposta para a Reforma Tributária em mãos e que ela não é a de Bernardo Appy, que já se encontra em tramitação na Câmara.

Uma outra proposta será enviada pelo Senado, de autoria do ex-deputado Luiz Carlos Hauly e sobre o impasse, Guedes afirmou

“Vamos trabalhar com Câmara e Senado por uma proposta conciliatória”.

O ministro também afastou qualquer hipóteses de descumprimento ao teto dos gastos e finalizou com seu já tradicional otimismo sobre o futuro da economia, prevendo que o PIB dobre já a partir do ano que vem.

Política e vaidade

Como podemos observar na Reforma da Previdência, nestas horas, todos querem ser o “pai da criança” e a briga pelo protagonismo da Reforma Tributária está apenas começando.

O romancista francês Honoré de Balzac sintetizou em uma frase a postura que o governo deve adotar, a exemplo do que vimos na Reforma da Previdência:

“Deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir.”


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