Dia das Mães: com pandemia, vendas no varejo devem cair quase 60%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / CNC

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê que a pandemia causada pelo novo coronavírus provocará uma queda histórica no volume de vendas no Dia das Mães.

A data é considerada o “Natal do primeiro semestre” e é a segunda data mais importante do varejo em todo o ano, perdendo justamente para a data religiosa e festiva de dezembro.

“Em comparação com o ano passado”, diz a CNC em nota, estima-se “um encolhimento de 59,2% no faturamento real do setor na data”.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, disse que “o Dia das Mães deste ano ocorrerá em meio ao fechamento de segmentos importantes para a venda de produtos voltados para a data, como vestuário, lojas de eletrodomésticos, móveis e eletroeletrônicos”.

Em comparação com a Páscoa, que teve queda de 31,6% em 2020 e “tem como característica a venda de produtos típicos em segmentos considerados essenciais, como supermercados, que permaneceram abertos desde o início do surto de covid-19”, o Dia das Mães terá uma queda mais aguda.

Histórico

Nos últimos 16 anos, apenas três Dias das Mães tiveram queda no volume de vendas comparado com o ano anterior.

Em 2004, foi uma queda de 1,9%. Então, só em 2015, já na crise política que culminou no afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff, houve queda de 04%; e no ano seguinte, com o país já sob comando-tampão de Michel Temer, 9%, até então, a maior queda dessa série histórica.

Nesse período, 2008 foi o ano de maior alta com relação ao anterior, 10,9%, seguido por 2011, com mais 9,1%.

Mesmo sem a pandemia, o ano de 2019 também não foi muito de muita comemoração para o comércio varejista no Dia das Mães: houve uma leve alta de apenas 1%.

Os prováveis 59,2% negativos calculados pela CNC para 2020 não encontram similar na história do comércio.

Dia das Mães afeta segmentos

A expectativa de variação real das vendas é mais negativa nos segmentos varejistas como vestuário e calçados, com retração de 74,6%, seguido pelas lojas especializadas na venda de móveis e eletrodomésticos, com queda de 66,8%, e pelo segmento de artigos de informática e comunicação, que podem recuar 62,5%.

Utilidades domésticas e eletrodomésticos podem ter 59,8% negativos; farmácias, perfumarias e cosméticos, com menos 56,2%; supermercados, menos 47,7%; e livrarias e papelarias sofrendo uma baque de 37,5%.

Impacto no emprego

“Apesar de ser um dos setores econômicos mais diretamente impactados pela pandemia, o comércio varejista deverá sofrer não só com as restrições à circulação de consumidores, mas com a retração do nível geral de atividade e decorrente da evolução desfavorável dos fatores condicionantes do consumo”, diz a CNC.

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Ainda segundo a CNC, “inevitavelmente, espera-se um impacto significativamente negativo no mercado de trabalho, no segundo trimestre deste ano, com retrações tanto no nível de ocupação quanto da renda. Ademais, a aversão ao risco por parte das instituições financeiras tem dificultado o acesso a crédito por parte das famílias e, finalmente, a confiança do consumidor, que, em abril, atingiu o patamar mais baixo dos últimos quinze anos, de acordo com indicador da Fundação Getúlio Vargas (FGV)”.

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