Grandes bancos alertam para risco fiscal; veja mais notícias dos jornais

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Freepik

Economistas e grandes bancos, nacionais e internacionais, vêm apontando o risco fiscal crescente do governo brasileiro. O alerta vermelho veio com o impasse em torno do financiamento do Renda Cidadã, programa social que deve substituir o Bolsa Família e o auxílio emergencial a partir do ano que vem, e com o racha dentro do governo quanto à flexibilização do teto de gastos.

“A política fiscal está convidando a uma crise da dívida”, diz relatório do Deutsche Bank divulgado pelo Estadão. Para o banco, falta comprometimento com a contenção dos gastos, o que empurra o país para um “abismo” fiscal.

Já o Itaú Unibanco estima uma elevação de despesas sociais de R$ 33 bilhões para R$ 66 bilhões, com o novo programa, o que poderá estourar o teto em R$ 20 bilhões em 2021. “É fundamental transparência nesses gastos e aprovação de ajustes na legislação para o acionamento automático dos chamados gatilhos do teto”, diz o banco.

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O Santander aponta que novos gastos obrigatórios poderiam minar o quadro de “consolidação fiscal”. O banco calcula a necessidade de um ajuste de pelo menos cinco pontos porcentuais do PIB (R$ 350 bilhões) nos próximos anos.

Segundo o Banco Central, a dívida bruta fechou agosto em R$ 6,39 trilhões, o equivalente a 88,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em relatório, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que o PIB do país deve ter queda de 5,8% em 2020 e que o país precisa reduzir os riscos e trabalhar pelas reformas e consolidação fiscal.

A reportagem aponta ainda que coube ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alertar e explicar ao presidente Jair Bolsonaro os riscos de furar o teto de gastos.

Equipe econômica cogita acabar com dedução padrão de 20% do IR

A equipe econômica estuda acabar com a dedução padrão de 20% na declaração simplificada do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), segundo o Valor e a Folha de S. Paulo.

De acordo com fontes do governo, a proposta não tem a ver com o Renda Cidadã, mas com estudos para a Reforma Tributária.

Também estariam em estudos a elevação da faixa de isenção do IR, mas também a possibilidade de alíquotas mais altas para rendas elevadas.

Guedes e Maia firmam acordo de paz

Em jantar realizado na segunda (5), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, selaram a paz em nome da agenda de reformas e o respeito ao teto de gastos.

“Nos dias seguintes à presidência, por divergências, por erros, e assumo os meus, nós fomos nos afastando e, agora, na pandemia, mais ainda, e, até, na semana passada, deixo o meu pedido de desculpas, fui indelicado e grosseiro. Não é do meu feitio, ao contrário”, declarou Maia.

“Eu nunca ofendi o presidente Rodrigo Maia. Isso não tem problema, foi uma troca. Isso não é ofensa pessoal, foi troca de opiniões, não tem ofensa. Eu, caso tenha ofendido o presidente Maia ou qualquer político, eu peço desculpas também. Eu às vezes dou exemplos genéricos”, disse Guedes em seguida.

O jantar, servido com guizado de bode, durou aproximadamente três horas e contou com a participação de os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Fábio Faria (Comunicações); os senadores Eduardo Braga (MDB-AM), Kátia Abreu (PP-TO) e Renan Calheiros (MDB-AL) e os ministros do TCU Vital do Rêgo e José Múcio, presidente da corte de contas.

No Twitter, Maia afirmou que “A situação fiscal do Brasil hoje requer união, diálogo e equilíbrio. Sem as reformas, o país entrará numa crise econômica muito grave. A partir de amanhã (hoje), precisamos retomar os trabalhos em torno da agenda de reformas, que não vai parar independentemente das eleições municipais. A regulamentação do teto de gastos é a nossa principal urgência, além da reforma tributária e da reforma administrativa encaminhada pelo governo”, disse, falando ainda em um “programa social dentro do teto de gastos” para auxiliar as famílias em 2021.

Jorge Oliveira vai para o TCU

O presidente Jair Bolsonaro escolheu o secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira, para assumir em 2021 uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

Até aqui, Oliveira era tido como o favorito de Bolsonaro para a vaga no Supremo Tribunal Federal que será aberta em julho, com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello. Agora, o caminho está aberto para uma nova indicação, mas já se sabe que será de um pastor “terrivelmente evangélico”, como apontou o presidente.

STF decide na quinta-feira se depoimento do presidente será por escrito

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, marcou para quinta-feira (8) a discussão sobre a prerrogativa ou não do presidente Jair Bolsonaro de prestar depoimento por escrito, no inquérito em que é investigado por tentar interferir na autonomia da Polícia Federal (PF). O inquérito também foi prorrogado por mais 30 dias.

Futuro da Linha Amarela deverá ser resolvido dia 21

Foi agendado para dia 21 de outubro o julgamento de quem será responsável pela gestão da Linha Amarela no Rio de Janeiro. Estão na disputa judicial o governo do Rio e a empresa Linha Amarela S.A (Lamsa), controlada pela Invepar.

A Associação Nacional de Defesa dos Usuários de Transportes (Anadut) apresentou um pedido de retirada de pauta, mas ele ainda não foi apreciado.

Atualização Covid-19

O Brasil registrou ontem 25.593 casos de Covid-19, elevando o total de infectados a 4,94 milhões, segundo o consórcio de veículos de imprensa. Foram registradas 398 mortes pela doença, chegando ao total de 146.773 óbitos.