Desmistificando o COE: interesse pelo produto cresce mais a cada dia

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
1

Crédito: Desmistificando o COE: produto ganha relevância a cada dia

O acrônimo COE significa Certificado de Operações Estruturadas e funciona como uma cesta de ativos.

“O COE é a casca e dentro dele é onde estão os derivativos, vinculados ao ativo objeto”, diz o assessor de investimentos Elias Wiggers.

Trata-se de um produto que combina renda fixa com elementos de renda variável.

Confira principais Ações para investir em Outubro

Conforme ele, é uma maneira de se expor a investimentos mais arriscados com maiores possibilidades de retorno, mantendo a proteção do capital como na renda fixa.

O produto oferece ainda acesso ao mercado internacional a partir de custos menores.

Segundo Wiggers, é possível adquirir o COE a partir de R$ 5 mil. “Valor de investimento relativamente baixo, permite acesso a produtos diferenciados”, frisa.

Monitore completamente sua Carteira

E disse mais: “diversificação é o grande mote do COE, pois serve a todo tipo de carteira e perfil de investidor.”

Entretanto, faz uma ressalva: “o COE não é papo de corretor de investimentos e nem invenção de mercado. É um produto financeiro como qualquer outro.”

Tanto é assim que há poucos dias ele conversou com a responsável pelos COEs da XP Investimentos, Maitê Kattar, sobre esse assunto.

Como operam as reguladoras

Wiggers explica que os COEs são emitidos por bancos. “Precisa ser registrado na Cetip, o sistema oficial de registro e liquidação financeira do Banco Central”, informa.

O BC é a instituição responsável pela regulação das emissões bancárias de títulos negociados no mercado brasileiro.

Já a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamenta a atuação das corretoras de investimentos e da negociação de ativos no mercado organizado.

“É ativo de emissão bancária, assim como CDB, LCI e LCA, com a diferenciação de que ele não conta com proteção do Fundo Garantidor de Credito, o FGC”, declara.

Conforme ele, os COEs são distribuídos pelos próprios bancos emissores e corretoras cadastradas junto ao BC e à CVM.

“O COE é usado pelo banco para captar dinheiro. Em resumo, você estará emprestando ao banco assim como faz quando aplica em um CDB”, diz.

Entretanto, o COE tem funcionamento diferente do CDB, pois parte do Certificado vai para uma aplicação financeira prefixada e outra parte vai para uma composição de derivativos.

Funciona como títulos de investimentos inspirados nas notas estruturadas do mercado norte-americano e europeu.

“No mundo, notas estruturadas representam 10% de todo funding bancário”, frisa.

Trata-se, por exemplo, de mais uma fonte de recursos utilizada pelos bancos para lastrear o financiamento oferecido aos clientes tomadores de empréstimos.

Porém, o COE não vai integralmente para o caixa do banco, pois o capital será utilizado para montar a estrutura de renda variável e fixa do produto.

XP: pioneira no mercado

A XP Investimentos foi, e continua sendo, pioneira nesse tipo de produto no mercado brasileiro. Acesse a carteira da XP aqui.

Tipos de investidores 

De acordo com Wiggers, é uma opção para investidores com qualquer perfil, seja conservador, moderado ou agressivo.

“Geralmente são os moderados e agressivos que mais adquirem”, diz.

Acontece que o investidor conservador não tem exposição à renda variável por medo de perder capital, visto que ela não permite prever o retorno.

“O COE cobre bem esta função, e pode remunerar até mais do que outras aplicações de renda fixa”, ressalta.

Com a queda na taxa dos juros, a atenção do mercado se voltou para o COE nos últimos meses. Assim, o retorno dele já se coloca acima de vários ativos de renda fixa tradicionais.

“Existe ainda o COE Bidirecional, que são aplicações onde se pode ganhar tanto na alta do mercado, quanto na baixa”, explica.

Investidores que desejam fugir do risco-Brasil adquirem o COE para expor capital ao mercado internacional. “Ele funciona como instrumento de diversificação em qualquer carteira.”

Custo para investir 

Conforme ele, o custo de fato existe, mas está embutido no preço unitário do veículo, que é a taxa de montagem da estrutura.

Porém, o custo dele gira em torno de 1,7% ao ano, no máximo, sendo cobrado na primeira e única vez. Importante reforçar, disse, que o COE não tem taxa de administração.

“Os fundos de renda variável tem, geralmente, taxa de administração mais cara”, lembra.

Outro fator importante é notar que todo lançamento de COE é uma oferta pública.

“Quando um COE é lançado, ele é uma “fotografia” daquele dia de lançamento, ou seja, reflete o mercado e demais indicadores econômicos daquele momento”, ressalta.

As duas modalidades 

Wiggers lembra que são duas as modalidades de COE, sendo o de valor nominal protegido e o de valor nominal em risco.

“Estes COEs que não tem capital nominal protegido são uma minoria e, neles, pode haver perdas, inclusive no vencimento”, explica.

E diz mais: “o COE não tem liquidez no curto prazo, embora possa haver negociação no mercado secundário, com valor de venda podendo ser menor que o capital investido.”

Para Elias, ao comprar COE, o investidor não está comprando um índice ou as ações de uma empresa, mas sim derivativos que estão vinculados àquele índice ou ação, aos quais muitas vezes ele somente tem acesso através desse veículo.

“O COE traz muita oportunidade interessante em um mercado novo, de cenários de juros baixíssimos e bolsa sem direção definida, que opera neste momento com o fator coronavírus impactando a economia”, conclui.