Desemprego sobe para 12,6% e 12,8 milhões estão sem trabalho

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Foto: Desemprego

A crise do coronavírus causou um impacto direto nas famílias brasileiras. O desemprego subiu de 11,2% para 12,6% no trimestre encerrado em abril deste ano. Os dados da Pnad-Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) foram divulgados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). São 12,8 milhões de pessoas desempregadas no país. Ou seja, hoje há 898 mil pessoas a mais à procura de trabalho.

O crescimento de 1,3 ponto percentual de desemprego entre fevereiro e abril foi percebido na comparação com o trimestre anterior, de novembro de 2019 a janeiro deste ano. Em relação ao mesmo trimestre de 2019, houve leve aumento – naquele período o desemprego foi de 12,5%.

Em percentual, a população desocupada (12,8 milhões de pessoas) teve aumento de 7,5% (898 mil pessoas a mais) frente ao trimestre móvel anterior (11,9 milhões de pessoas).

A população ocupada (89,2 milhões) caiu 5,2% em relação ao trimestre anterior (4,9 milhões de pessoas a menos). E caiu 3,4% (3,1 milhões de pessoas a menos) em relação ao mesmo trimestre de 2019. As quedas foram recordes da série histórica.

O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) caiu para 51,6%. É o menor índice da série histórica iniciada em 2012. Ou seja, houve uma redução de 3,2 p.p. frente ao trimestre anterior (54,8%).

A analista do IBGE Adriana Beringuy explica que os efeitos foram sentidos entre os informais e os com carteira assinada. “Dos 4,9 milhões de pessoas a menos na ocupação, 3,7 milhões foram de trabalhadores informais. O emprego com carteira assinada no setor privado teve uma queda recorde também. A gente chega em abril com o menor contingente de pessoas com carteira assinada, que é de 32,2 milhões”, explica.

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Taxa de desocupação - desempregados

 

Recorde de população fora da força de trabalho

A população fora da força de trabalho (70,9 milhões de pessoas) apresentou novo recorde na série iniciada em 2012. A alta foi de 7,9% (mais 5,2 milhões de pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 9,2% (mais 6 milhões) quanto a igual período de 2019.

A população desalentada (5 milhões) foi recorde da série. Ou seja, houve crescimento de 7% em relação ao trimestre anterior, com estabilidade em relação ao mesmo período de 2019.

Os desalentados são aqueles que estavam fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho adequado, ou não tinha experiência ou qualificação. Ou então era considerado muito jovem ou idoso, ou não havia trabalho na localidade em que residia.

A população subutilizada, isto é, aquela que poderia está desempregada ou que poderia trabalhar mais horas do que trabalha, chegou a 28,7 milhões, recorde da série histórica, 8,7% acima do trimestre encerrado em janeiro deste ano mas ficando estatisticamente estável em relação a abril de 2019.

 

Carteira assinada cai com desemprego

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado caiu para 32,2 milhões de pessoas. Este foi o menor nível da série histórica, caindo 4,5% frente ao trimestre anterior e 2,8% frente ao mesmo trimestre de 2019.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (10,1 milhões de pessoas) caiu 13,2% em relação ao trimestre anterior. E caiu 9,7% contra o mesmo trimestre de 2019.

O número de trabalhadores por conta própria caiu para 23,4 milhões de pessoas. Ou seja, uma redução de 4,9% em relação ao trimestre anterior e de 2,1% frente igual período de 2019.

A taxa de informalidade foi de 38,8% da população ocupada, representando um contingente de 34,6 milhões de trabalhadores informais. Este também foi o menor índice da série, iniciada em 2016. No trimestre anterior, a taxa havia sido 40,7% e no mesmo trimestre de 2019, 40,9%.

 

Saúde cresce e construção e indústria caem

Nos grupamentos de atividades, frente ao trimestre anterior, a ocupação cresceu apenas no grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (1,8%).

Por outro lado, houve redução em sete atividades. São elas: Indústria (-5,6%), Construção (-13,1%), Comércio e Reparação de Veículos (-6,8%), Transporte, Armazenamento e Correio (-4,9%), Alojamento e Alimentação (-12,4%), Outros Serviços (-7,2%) e Serviços Domésticos (-11,6%).