Taxa de desemprego aumenta em 12 estados no primeiro trimestre

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

A taxa de desocupação do país no primeiro trimestre de 2020 ficou de 12,2%, com aumentos no número de desempregados em 12 estados.

Os resultados foram revelados nesta sexta-feira (15) pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Ela é calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No final de março, o IBGE já havia divulgado o avanço trimestral na taxa de desemprego. Hoje, o instituto apresentou o resultado por unidades da federação.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, houve queda de 0,5 ponto porcentual. Na época, a taxa era de 12,7%.

No entanto, vale observar que os dados não incluem o fechamento de vagas pela pandemia de coronavírus. Os dados foram coletados até março, e as medidas restritivas foram tomadas a partir do final daquele mês.

Desemprego por estados

As maiores taxas de desemprego foram observadas na Bahia (18,7%), Amapá (17,2%), Alagoas e Roraima (16,5%).

As melhores, em Santa Catarina (5,7%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Paraná (7,9%).

Desemprego: pesquisa aponta desigualdades sociais

A taxa de desocupação foi estimada em 10,4% para os homens e em 14,5% para as mulheres.

A taxa de desocupação das pessoas que se declararam brancas (9,8%) ficou abaixo da média nacional; porém a das pretas (15,2%) e a das pardas (14%) manteve-se acima.

Entre os jovens de 18 a 24 anos de idade, o desemprego passou de 23,8%, no último trimestre de 2019, para 27,1%. No Nordeste, o desemprego para essa faixa etária chegou a 34,1%.

De acordo com a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, é esperado haver no primeiro trimestre um aumento da desocupação, devido às dispensas dos trabalhadores temporários contratados no final do ano.

“A maior parte dos temporários dispensados no início do ano são jovens, o que faz com que a queda no nível de ocupação seja maior nesta faixa”, explica Adriana.

Em relação ao tempo de procura por emprego, a pesquisa mostra que 45,5% dos desocupados estavam de um mês a um ano em busca de trabalho. Outros 23,9%, há dois anos ou mais.

Informalidade é maior no Pará e no Maranhão

A taxa de informalidade passou de 41% para 39,9% no país e, entre as unidades da federação, as maiores taxas foram registradas no Pará (61,4%) e Maranhão (61,2%) e as menores em Santa Catarina (26,6%) e Distrito Federal (29,8%).

Embora a taxa de informalidade tenha se mantido estável em 18 estados, ela ficou acima da taxa média nacional (39,9%) nesses locais, variando de 41,2%, em Goiás, até 61,4% no Pará.

Em 11 destes 18 estados, a informalidade ultrapassou 50%. Apenas Distrito Federal (29,6%) e Santa Catarina (27,3%) tiveram taxas de informalidade abaixo de 30%.

“A informalidade teve queda porque houve uma redução das duas populações que a compõem – empregados sem carteira do setor privado e trabalhadores por conta própria – devido às dispensas dos contratados no quarto trimestre. Isso significa que os trabalhadores sem carteira e os que trabalham por conta própria não estão sendo absorvidos pelo mercado formal”, analisa a pesquisadora.

Para o cálculo da taxa de informalidade da população ocupada, a pesquisa considera como informais os empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada, empregados doméstico sem carteira de trabalho assinada, empregadores sem registro no CNPJ, trabalhadores por conta própria sem registro no CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

Subutilização avança em dez estados

A taxa composta da subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a força de trabalho ampliada) atingiu 24,4% o país. E subiu em dez estados, mantendo-se estável nos demais 17.

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O Nordeste foi a região com mais subutilização da força de trabalho. No Sul foram registrados os menores índices.

Entre os estados, as maiores taxas foram no Piauí (45%), Maranhão (41,9%), Bahia (39,9%), Rio Grande do Norte (36,5%), Sergipe (35,9%) e Paraíba (35,1%). Santa Catarina (10,0%), Mato Grosso (14,8%) e Rio Grande do Sul (15,9%), tiveram as menores taxas.

O número de desalentados foi de 4,8 milhões de pessoas. Destaque para Bahia (774 mil), que respondia por 16,3% do contingente nacional.

O percentual de pessoas desalentadas no primeiro trimestre de 2019 foi de 4,3%. Com crescimento de 0,2% na comparação com o quarto trimestre de 2019. E estável em relação ao primeiro trimestre de 2019. Maranhão (17,8%) e Alagoas (15,5%) tinham os maiores percentuais e Santa Catarina (0,8%) e Rio de Janeiro (1,2%), os menores.

As unidades da federação com mais trabalhadores por conta própria foram Amapá (39,5%), Pará (35,2%) e Amazonas (34,3%). Todos ficaram acima da média nacional de 26,2%. Os menores registros foram no Distrito Federal (19,3%), São Paulo (21,9%) e Santa Catarina (22,9%).

Coleta por telefone

Em função da pandemia, o IBGE interrompeu a coleta presencial de todas as pesquisas no dia 17 de março. E vem, desde então, coletando as informações por telefone.