Magazine Luiza (MGLU3): desdobramento começa hoje; entenda a operação

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: EQI

O Magazine Luiza (MGLU3) realizou um desdobramento de ações que começou a valer nesta quarta-feira (14), na razão de 1 para 4. Ou seja, quem tinha uma ação da companhia até ontem, agora tem quatro. E o valor de cada uma também foi ajustado. Ontem, os papéis fecharam em R$ 106,96 e abriram hoje em R$ 26,50. Perto das 12h, estavam cotados a R$ 25,45, com queda de 2,12%.

Algumas empresas listadas em Bolsa de Valores em determinado momento optam por fazer um desdobramento de ações.

Mas você sabe por que isso é feito e qual é o objetivo? Quais impactos para o investidor? É isso que vamos explicar nesse artigo.

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Definição de desdobramento de ações

Também chamado de “split de ações”, o processo consiste em um aumento do número total de ações no mercado. O objetivo é reduzir o preço das ações.

Quando a administração de uma empresa (ou de um fundo imobiliário) acredita que deve aumentar a quantidade de papéis em circulação no mercado para facilitar sua negociação para o investidor, ela pode optar por fazer um desdobramento de ações. O objetivo principal é claro: liquidez. Esse é movimento muito comum no mercado – especialmente de ações.

O split (do inglês dividir) não altera o valor do investimento. Ou seja, os investidores que já possuem aquele ativo não sofrerão interferências. O que ocorre é que, com o desdobramento, agora ele terá uma quantidade maior de ações, mas que “valem” o mesmo de antes. Isso ocorre por que, com a divisão da ação, o valor dela no mercado também é dividido proporcionalmente.

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Vamos dar um exemplo para facilitar o entendimento.

Se uma empresa hipotética decide dividir suas ações pela metade, o investidor terá o dobro no número de papéis e o preço dividido por dois.

Por exemplo: caso um investidor tenha 100 ações ao preço de R$ 6 cada, ele terá um investimento total naquela empresa de R$ 600. Quando a empresa fizer o desdobramento, o investidor terá 200 ações ao preço de R$ 3 cada. Ou seja, os mesmos R$ 600. Altera-se a quantidade de papéis e o preço daquela ação, mas o valor investido pelo acionista continua o mesmo.

Assim, de forma prática, o desdobramento nada mais é do que uma operação de multiplicação de ações e divisão dos preços com foco na liquidez, sem alterar o valor do investimento ou da empresa. Ou seja: a ação não está ficando “mais barata”, ela apenas foi dividida.

Os desdobramentos podem acontecer em qualquer razão. Porém, as mais comuns são de 1 para 2, 1 para 3 e 1 para 4 ações.

As motivações do split

Algumas empresas acabam se valorizando muito no mercado com o passar do tempo e, assim, tornam-se inviáveis para que os pequenos investidores possam negociá-las. Isso ocorre pelo crescimento e consequente valor de mercado e patrimonial de um ativo.

Como a principal motivação para fazer o desdobramento de ações é aumentar a liquidez, a companhia faz esse movimento com o objetivo de chamar a atenção de novos investidores.

Desta forma, como o preço unitário de cada ação será menor, os pequenos investidores são mais suscetíveis a avaliar aquela ação pós-desdobramento. Ou seja, para o pequeno investir é muito mais interessante analisar uma ação que custa R$ 20 do que uma que custa R$ 100 (em um cenário de desdobramento de 1 para 5).

Assim, os principais motivos para uma empresa realizar um desdobramento de ações são:

  • Aumento de liquidez no mercado;
  • Maior número de ações disponíveis no mercado;
  • Possibilidade de maior acesso a pequenos investidores, aumentando a base de acionistas;
  • Maior interesse pela empresa. Apesar de não aumentar valor ao investidor que já é acionista, o ativo tende a ser vista com “bons olhos” pelo mercado. Isso ocorre porque para realizar um split a empresa já tem que ter um bom tempo de mercado, estar madura e, geralmente, já houve um crescimento significativo do negócio.

 

Vantagens e desvantagens do desdobramento

Para o investidor um desdobramento de ações não traz desvantagens. Pelo contrário, com a ação mais líquida, há a possibilidade de mais investidores entrarem no negócio, o que tende a valorizar os papéis. Assim, com maior liquidez, torna-se mais fácil negociá-los em Bolsa.

Ainda que a liquidez seja algo positivo, em alguns casos pode ser um ponto de atenção. Isso porque, com a alta volatilidade da ação desdobrada, investidores “indesejados” podem chegar. Ou seja, com ações mais baratas, investidores especulativos podem ser mais atraídos, resultando em uma volatilidade ainda maior.

Para a companhia, uma desvantagem (mas que, claro, é levada em conta pela administração de cada uma) é que um desdobramento tem custos. São necessários reuniões com acionistas, comunicados ao mercado, avisos aos acionistas e a demanda de um bom tempo dos executivos.

 

Grupamento de ações

De forma oposta ao desdobramento, existe também o grupamento de ações. Neste caso, o caminho inverso é realizado.

Ou seja, o grupamento tem como objetivo melhorar a liquidez e os preços das ações quando elas estão cotadas a preços muito baixos no mercado.

Assim, por meio do “inplit”, o preço da ação é elevado para facilitar sua negociação em bolsa. Da mesma forma que o desdobramento, o grupamento não altera o valor que o investidor já tem.

Como exemplo, se um acionista tem 100 ações ao preço de R$ 4 cada, ele terá investido na empresa R$ 400. Após o grupamento, ele continuará a ter os mesmos R$ 400, mas divididos em 50 ações de R$ 8 (em um grupamento de 2 para 1).

Um dos objetivos da empresa, neste caso, é diminuir a volatilidade dos ativos.