Deputada falou em nome do Planalto para tentar levar Moro ao STF

Paulo Amaral
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Uma nova leva de mensagens trocadas entre a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e o ex-Ministro da Justiça Sérgio Moro indica que ela falou em nome do Planalto para tentar influenciar na troca do comando da PF.

De acordo com o G1, Zambelli teria, em conversa com Moro no dia 23 de abril – um dia após a reunião ministerial em que Moro alega ter sido pressionado por Bolsonaro para trocar o comando da PF -, tentado acertar sua ida ao Supremo Tribunal Federal.

As novas conversas colocam a deputada em contradição com o que ela havia dito em seu depoimento à Polícia Federal na quarta-feira.

Na ocasião, Zambelli confirmou as conversas com Moro, mas negou ter agido a mando do presidente Jair Bolsonaro ou de alguém do Palácio do Planalto.

“Ele vai cair se  o senhor sair”

Em outro print da conversa, é possível ver a deputada Carla Zambelli tentando demover o então ministro Sérgio Moro de sair do cargo.

De acordo com Zambelli, a saída de Moro do Governo faria, em algum tempo, o presidente Jair Bolsonaro “cair”.

“O Brasil depende do sr estar no MJ (Ministério da Justiça)”, disse. “Bolsonaro vai cair se o Sr sair”, emendou Zambelli.

Moro impassível

Moro, por sua vez, se manteve impassível em meio às tentativas de Zambelli de ajeitar um acordo entre os dois “bicudos”, termo usado pela deputada para definir tanto Sérgio Moro quanto Jair Bolsonaro.

“Prezada, vamos aguardar”, “Prezada, não estou à venda” e “Vamos aguardar, já há pessoas conversando lá”, foram algumas das poucas respostas de Moro às incontáveis tentativas de Zambelli.

Comando da PF

A reportagem do G1 trouxe à tona também nesta quinta-feira uma outra conversa entre Sérgio Moro e Carla Zambelli, anterior à reunião ministerial que vem sendo usada por Moro para acusar Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal.

No dia 17 de abril, Zambelli questiona Moro se Maurício Valeixo seria o homem ideal para ocupar a diretoria-geral da Polícia Federal, e chega a indicar três nomes que “arrebentariam” no cargo, principalmente para a Lava Jato seguir adiante.

“Ministro, como usual, vou usar de 100% de sinceridade. O Dr. Valeixo é o homem certo para dirigir a PF? A Erika Marena e o Edu Mauat sempre apontaram coisas sobre as atitudes dele na lava jato. Uma mudança agora seria muito bem vinda. Há a lista tríplice…. a Erika arrebentaria lá na DG…. Os casos da lava jato no Congresso precisam andar. Por favor, faça algo, urgente”, diz Zambelli.

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Moro retruca, alegando que foi Valeixo quem manteve a prisão de Lula “diante da ordem ilegal de soltura do Des. la do RS”e dizendo que, “se algo demora da LV no stf não é pela PF mas de outras pessoas.”

Ao afirmar que Moro deveria conversar com Bolsonaro, que não aprovaria o fato de ele ser desarmamentista e que “não confiaria no Valeixo”, o ex-Ministro devolveu: “Bem, acho que ele deveria confiar em mim”.

O depoimento de Zambelli no inquérito

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) negou, em seu depoimento à Polícia Federal, que tenha conversado com o presidente Jair Bolsonaro ou com qualquer outra pessoa em nome do presidente propondo que o ex-ministro Sérgio Moro assumisse uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

Moro, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu trechos de uma conversa com Zambelli via aplicativo de mensagens, na qual a deputada se compromete a falar com “JB”, iniciais de Jair Bolsonaro, sobre a ida do então Ministro da Justiça para o STF em setembro.

A indicação, de acordo com os prints mostrados, estaria atrelada à aceitação por parte de Moro da troca de comando da Polícia Federal.

Moro, então, teria respondido que “não estava à venda”, deixando claro seu posicionamento em relação à tentativa de interferência política na PF.

Rubens Valente, colunista do Portal Uol, teve acesso ao depoimento prestado por Zambelli na quarta (13), no qual a deputada negou qualquer tratativa em relação ao assunto.

A parlamentar afirmou, segundo Valente, que “não chegou a ter qualquer conversa com o presidente Jair Bolsonaro no sentido de o ex-ministro Sérgio Moro aceitar a substituição da direção da Polícia Federal tendo como contrapartida a vaga no STF”.

Em matéria publicada nesta quinta, o jornal O Globo revelou outra parte do depoimento de Zambelli, no qual a deputada teria dito que “poderia trabalhar junto ao presidente Jair Bolsonaro no sentido de o ex-ministro Sergio Moro vir a ocupar a futura vaga, com a vaga decorrente da aposentadoria próxima do ministro Celso de Mello”.

A deputada federal explicou ainda que a missão não seria fácil, porque “o presidente tinha desconfianças com Moro pelo fato de ele ser desarmamentista, indo contra uma das principais bandeiras eleitorais de Bolsonaro”.

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