Democrata Joe Biden é eleito o 46º presidente dos Estados Unidos

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Foto: Flickr

O democrata Joe Biden foi eleito neste sábado (7) o 46º presidente dos Estados Unidos.

A vitória sobre o republicano Donald Trump, que tentava a reeleição, foi confirmada depois que o Biden ultrapassou os 270 delegados do colégio eleitoral, número suficiente para derrotar o atual presidente.

Com 95% dos votos apurados na Pensilvânia, a projeção dos principais veículos de comunicação dos EUA — como a CNN, a agência Associated Press, a rede Fox News, além dos jornais New York Times e The Washington Post — cravou a vitória do democrata.

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O estado dá a Biden 20 delegados, que, somados aos 253 votos no Colégio Eleitoral, sem considerar Arizona — ainda em apuração –, dão 273 votos, três a mais do que o necessário para sua eleição.

Biden também ganhou em Nevada (6 delegados) e garantiu 279 votos no Colégio Eleitoral.

Nos últimos dias, as agências de notícias já noticiavam o aumento da vantagem de Biden sobre o adversário, especialmente no estado da Pensilvânia.

Pouco depois das 13h, no horário de Brasília, as agências informaram que Biden venceu no estado, levando os 20 votos em disputa no Colégio Eleitoral. .

Discurso da vitória

“Serei o presidente de todos os americanos, tenham votado ou não em mim”, declarou Biden.

“América, estou honrado por você ter me escolhido para liderar nosso grande país. O trabalho que temos pela frente será árduo. Vou manter a fé que você colocou em mim”, acrescentou Biden.

“As pessoas desta nação falaram. Elas nos deram uma vitória clara, uma vitória convincente”, disse Biden aos partidários em um estacionamento durante seu discurso de vitória, em sua cidade, Wilmington, estado de Delaware.

“Prometo ser um presidente que não busca dividir, mas unificar”, disse ele, dirigindo-se diretamente aos apoiadores de Trump.

“Agora, vamos dar uma chance um ao outro. É hora de colocar de lado a retórica dura, baixar a temperatura, nos vermos novamente, nos ouvirmos de novo”, declarou. “Esta é a hora de curar na América.”

Ele foi apresentado por sua companheira de chapa, a senadora norte-americana Kamala Harris, que será a primeira mulher, a primeira negra americana e a primeira de ascendência asiática a servir como vice-presidente.

A posse será em 20 de janeiro.

Trump promete contestar resultado

Por meio de sua rede social, Trump também se manifestou. Em sua conta no Twitter, ele disse, em caixa alta, ter vencido a eleição, de longe.

“Eu ganhei essa eleição, de muito”, tuitou Trump no sábado.

Trump, que estava jogando golfe quando as principais redes de televisão projetaram que seu rival havia vencido, imediatamente acusou Biden de “se apressar em fingir que é o vencedor”.

O presidente não seguiu o protocolo eleitoral após a divulgação do resultado do pleito: sem reconhecer a vitória do concorrente, não telefonou para Biden nem o convidou para um encontro que estabelece a transição do poder.

“Esta eleição está longe de terminar”, disse ele em um comunicado.

“A mídia não pode indicar quem será o próximo presidente”, postou neste domingo (8) no Twitter.

Trump entrou com uma série de ações judiciais para contestar os resultados, mas as autoridades eleitorais em estados de todo o país dizem que não há evidências de fraudes significativas, e especialistas jurídicos dizem que os esforços de Trump provavelmente não terão sucesso.

Logo abaixo, o Twitter colocou uma advertência na postagem dizendo que não havia confirmação de fontes oficiais sobre a declaração do presidente.

A campanha da Casa Branca comunicou que Trump não pretende reconhecer o triunfo de Biden.

A contagem de votos pode ser contestada por ações judiciais pelos advogados de Trump. Eles afirmaram que levarão o caso para a Suprema Corte.

“Esses processos na Justiça, contestando a vitória de Biden, serão levados adiante”, disseram em entrevistas neste sábado.

Correios

Muitos desses votos vieram pelos Correios — que fizeram mudar a liderança da apuração de Trump para Biden em estados como a Pensilvânia, Wisconsin, Michigan, Nevada.

A maioria desses últimos votos apurados, dizem a maioria dos analistas e comentarista políticos nos EUA, eram majoritariamente democratas — que preferiam concedê-los enviando seus cédulas pelos correios para manter o

distanciamento social em meio à pandemia.

Nas últimas semanas, os EUA viram o número de casos aumentar expressivamente, passando de 100 mil casos de contágio pelo novo coronavírus por dia.

Trump manteve, porém, a postura negacionista: passou os meses anteriores sem incentivar medidas básicas de proteção contra o contágio, ao deixar de usar máscaras. Não se preocupou ainda com aglomerações, apesar de ter se contaminado.

Biden ganhou na maioria dos estados da costa oeste, nos principais centros urbanos e capitais no nordeste do país.

Número de delegados

Biden conseguiu 273 delegados após vencer na Pensilvânia, segundo projetaram diversos veículos de mídia dos EUA.

A Associated Press, que contabiliza a vitória no estado do Arizona — a partir de projeções –, dá a Biden um total de 290 delegados.

Nas eleições americanas, vence o candidato que obtiver mais votos nos estados que indicam determinado número de delegados — proporcionais à população de cada um deles.

Quanto maior a população, mais alto é o número de delegados em cada estado.

Justamente por esse motivo, a eleição permaneceu acirrada até a contagem final dos votos.

A vitória frustra os planos de Trump de se reeleger. Ele não aceitou o resultado: “[a eleição] Está longe de acabar”.

Atrás nas pesquisas antes do dia oficial do pleito, em 3 de novembro, o republicano abriu vantagem no início da contagem de votos — concedidos pelo correio ou presencialmente.

Trump venceu em estados que indicavam empate ou pequena margem para ele — como a Flórida, Ohio e o Texas.

Biden, por sua vez, virou a apuração em estados como Wisconsin, Michigan e Pensilvânia. Caminha agora para ratificar a vitória na Geórgia, onde também começou a contagem atrás do republicano.

Vitória de Biden nos EUA pode favorecer bolsa brasileira, apontam analistas

Voto a Voto

A disputa foi voto a voto até este sábado.

Estados como a Geórgia registraram uma virada de Biden que foi ocorrendo aos poucos, na contagem das cédulas. Na quarta Trump vencia ali com mais de 40 mil votos.

Na quinta essa diferença, às 22h, era de 3.500. Na sexta ele virou a apuração.

Na madrugada de terça para quarta, porém, Trump — que já tinha ameaçado levar a disputa à Suprema Corte por discordar dos votos dados pelo correio — chegou a dizer a apoiadores na Casa Branca que pretendia travar a eleição na justiça.

Na quinta, em pronunciamento na Casa Branca, questionou a apuração e o processo eleitoral dos EUA.

Neste sábado, após o anúncio do triunfo democrata, houve panelaços em Nova York. Milhares saíram às ruas para comemorar o resultado.

Manifestações de simpatizantes do democrata foram registrados em várias cidades americanas.

Triunfo

Com a vitória garantida na Pensilvânia e no estado da Geórgia, Biden conseguiu mais que 270 delegados.

Assumirá em 20 de janeiro, após contabilizar mais de 74 milhões de votos, maior número já registrado numa eleição presidencial.

Ele inseriu no seu perfil no Twitter a expressão “presidente eleito” e postou: “América, estou honrado por você ter me escolhido para liderar nosso grande país”.

Perto de completar 78 anos, Joseph Robinette “Joe” Biden Jr., formado advogado, foi vice-presidente dos Estados Unidos de 2009 a 2017, Com Barack Obama como presidente.

Foi senador entre 1973 e 2009, pelo estado de Delaware. Tentou nomeação pelo partido entre 1998 e 2008.

Em abril de 2019, concorreu à nomeação para o pleito de 2020. Com a desistência do senador Bernie Sanders, tornou-se candidato dos democratas.

Sua vice é a senadora pela Califórnia Kamala Harris, de 56 anos, primeira mulher a ocupar esse cargo.

Ex-procuradora-geral da Califórnia, Harris ganhou papel de destaque na comissão de Justiça do Senado.

Harris postou hoje no Twitter: “Essa eleição é sobre a alma da América”.

Harris também postou, emocionada: “Nós conseguimos, Joe”

Biden vai governar com maioria republicana no Senado — embora o resultado ainda não esteja definido — e número maior de congressistas democratas que de republicanos na Câmara dos Representantes (a Câmara dos Deputados dos EUA).

Biden e Harris: “Nós conseguimos”

Mercado otimista

Ainda com a apuração em andamento, mas com perspectiva de vitória de Biden, as bolsas registraram ganhos na semana.

No Ibovespa, os ganhos nos três dias anteriores (segunda-feira foi feriado de Finados e o mercado não funcionou) garantiram a maior alta semanal desde junho, com alta de 7,42%.

De 1º a 5 de junho, a Bolsa havia subido 8,28%.

Os investidores brasileiros ainda foram mais otimistas que os estrangeiros.

Nem mesmo a previsível contestação do resultado das eleições do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez os investidores recuarem.

Eles já trabalhavam com a quase certa vitória do oponente democrata, que precisava de poucos delegados para se declarado vencedor.

Bolsa de Nova York

Uma das apostas mais certeiras era o encaminhamento da vitória do democrata Joe Biden, tirando do trono Donald Trump – o que acabou se concretizando.

Nesta sexta o Dow Jones desceu 0,24%. O S&P 500 ficou na estabilidade, com menos 0,03%. Da mesma forma que o Nasdaq Composite, que ao menos subiu um pouco, com mais 0,04%.

Na semana, os três tiveram ganhos robustos.

  • S&P 500: +7,31% (semana)
  • Nasdaq: +9,01% (semana)
  • Dow Jones: +6,87% (semana)

Na quarta as bolsas em Nova York já registravam altas: o Dow Jones (1,34%), o S&P 500 (2,21%) e o Nasdaq (3,85%).

Nesta quinta, a tendência de ganhos se repetiu. Os investidores já trabalham com a diplomação de Biden, embora a disputa ainda estava acirrada em cinco estados.

Biden tinha, até o fim do pregão desta quinta, 253 delegados dos 270 necessários para vencer. Trump contvaa 214.

Estavam em jogo, nesses cinco estados, 68 delegados – 20 na Pensilvânia, 16 na Geórgia, 15 na Carolina do Norte, 11 no Arizona e 6 em Nevada.

Nesta quinta o Dow Jones subiu 1,95%. O S&P 500 também aumentou 1,95%. E o Nasdaq Composite continuou indo mais longe: 2,59%.

O que mantinha o otimismo: a aposta de, com Biden eleito, seja aprovado um pacote mais robusto de estímulos à economia norte-americana — o que os investidores têm pedido há dois meses sem sucesso.

Outro fator que estimulava a euforia: Biden pode ter uma relação mais pacífica e diplomática e comercial com a China.

Enquanto isso, o Federal Reserve (Fed) fez o que o mercado esperava dele: decidiu nesta quinta manter as taxas de juros estáveis, entre 0% e 0,25% ao ano.

Governo brasileiro ainda não se manifestou

O presidente Jair Bolsonaro e sua equipe não se manifestaram sobre o triunfo de Biden. Conhecido apoiador de Trump, Bolsonaro chegou a dizer esta semana que “ele não é a pessoa mais importante do mundo”.

Guedes: relações com EUA continuarão iguais com eventual vitória de Biden

Rodrigo Maia foi a primeira autoridade do Brasil a reconhecer a vitória de Biden nos EUA. O governador João Doria também parabenizou o democrata e disse que a vitória é “boa para o Brasil”.

Maia postou no Twitter:

Líderes mundiais comentam a vitória de Biden

O presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson foram os primeiros líderes europeus a parabenizar Biden.

A chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro ministro espanhol Pedro Sanchez e o premiê português também felicitaram Biden.

Os presidentes Alberto Fernández, da Argentina, Sebastian Piñera, do Chile, Iván Duque, da Colômbia, e Luis Lacalle Poe, do Uruguai, também felicitaram Biden pelo Twitter.

Entre os republicanos, o senador Mitt Romney, candidato do partido à presidência em 2012 (perdeu para Barack Obama), reconheceu a vitória e felicita Biden e Kamala Harris também no Twitter.

A presidente democrata da Câmara Nancy Pelosi e os ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama também postaram mensagens entusiasmadas sobre a vitória de Biden.

Obama publicou um comunicado no qual disse que as eleições ocorreram em “circunstâncias nunca vividas” e que os americanos compareceram ao pleito “em número nunca vistos”.

“Temos a sorte de que Biden tem o que é preciso para ser presidente e já se conduz dessa forma porque quando ele for para a Casa Branca em janeiro, ele terá uma série de desafios extraordinários que nenhum outro presidente teve — uma pandemia, uma economia desigual, um sistema de Justiça e democracia em risco e o clima em perigo”, diz trecho do comunicado.

Obama disse ainda acreditar que Biden trabalhará “com os melhores interesses que os americanos têm de coração, quer queira ou não tenha sido seu voto”. E pediu a todos os americanos apoio a Biden.

“Nossa democracia precisa de nós mais do que nunca. Eu e Michelle estamos ansiosos para apoiar nosso próximo presidente e primeira-dama da maneira que pudermos”, encerra Obama.

Após o anúncio, os principais líderes da União Europeia parabenizaram Biden pela vitória. Macron disse, por meio de uma rede social, que quer trabalhar em conjunto com Biden para “superar os desafios de hoje”.

“Os americanos escolheram seu presidente. Parabéns @JoeBiden e @KamalaHarris! Temos muito que fazer para superar os desafios de hoje. Vamos trabalhar juntos!

Quem também enviou congratulações a Biden foi a chanceler alemã, Angela Merkel. Seu porta-voz, Steffen Seibert, publicou um comunicado, no qual Merkel diz estar contente com a futura colaboração com Biden.

“Nossa amizade transatlântica é insubstituível se quisermos superar os grandes desafios deste tempo”, diz Merkel.

“Vitalidade democrática”

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, também parabenizou Biden pela vitória e também as instituições americanas por uma “notável demonstração de vitalidade democrática”.

“Estamos prontos para trabalhar com o presidente eleito Joe Biden para tornar nossa relação transatlântica mais forte. Os EUA podem contar com a Itália como um sólido aliado e um parceiro estratégico”, escreveu no Twitter.

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa também usou sua conta no Twitter para parabenizar Biden pela vitória.

“Parabéns ao presidente eleito Joe Biden. Espero que em breve possamos trabalhar no reforço das relações transatlânticas e na gestão de assuntos globais, como as alterações climáticas, a defesa da democracia e a segurança internacional”, escreveu Costa numa publicação em português e inglês.

Na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi também parabenizou Biden e disse que a atuação dele como vice-presidente de Barack Obama contribuiu para o fortalecimento das relações entre os dois países e que espera que essa relação agora atinja um patamar maior.

“Parabéns @JoeBiden em sua vitória espetacular! Como VP, sua contribuição para o fortalecimento das relações Indo-EUA foi crítica e inestimável. Estou ansioso para trabalharmos juntos mais uma vez para levar as relações Índia-EUA a um patamar maior”.

Netanyahu parabeniza Biden e agradece Trump

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, parabenizou o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, neste domingo (8).

Netanyahu destacou uma forte aliança que pode ser prejudicada por divergências sobre a política para o Irã e os palestinos.

“Parabéns @JoeBiden e @KamalaHarris. Joe. Temos um relacionamento pessoal longo e cordial há quase 40 anos e o reconheço como um grande amigo de Israel. Estou ansioso para trabalhar com vocês dois para fortalecer ainda mais a aliança especial entre EUA e Israel”, disse Netanyahu em sua conta no Twitter, que ainda tem uma fotografia dele e do atual presidente dos EUA, Donald Trump.

Em sintonia com Trump por quatro anos, Netanyahu provavelmente será desafiado por qualquer desvio de Biden da política dura de Trump em relação ao Irã e aos palestinos.

Biden prometeu restaurar o envolvimento dos EUA no acordo nuclear de 2015 com o Irã — do qual Trump havia se retirado — e uma provável oposição da Casa Branca ao assentamento israelense em terras ocupadas onde os palestinos buscam a condição de Estado.

Netanyahu agradeceu a Trump em um tuíte subsequente: “Obrigado @realDonaldTrump pela amizade que você mostrou ao Estado de Israel e a mim pessoalmente, por reconhecer Jerusalém e Golã, por enfrentar o Irã, pelos acordos de paz históricos e por levar a aliança americana-israelense a patamares sem precedentes”.

A mensagem de Netanyahu ocorreu horas depois de muitos líderes mundiais já terem parabenizado o democrata Biden, mesmo com Trump se recusando a admitir o resultado da eleição e pressionando com disputas jurídicas contra o resultado.

Trump alegou fraude

O democrata Joe Biden se aproximava da vitória na eleição presidencial dos Estados Unidos (EUA), enquanto autoridades apuravam os votos em alguns estados que determinariam o resultado do pleito e a presença de manifestantes nas ruas.

O presidente dos EUA, Donald Trump alegou fraude sem apresentar evidências, entrou com processos na Justiça e pediu recontagens de votos, em uma disputa que ainda não tem resultado dois dias depois de ser realizada.

Trump disse nesta quinta-feira (5), sem apresentar provas, que, se forem contados os “votos legais”, ele vence a eleição presidencial, em um sinal de que não estava disposto a reconhecer uma eventual derrota para o democrata Joe Biden.

“Se você contar os votos legais, eu ganho facilmente”, disse Trump em um pronunciamento na Casa Branca, reclamando que as cédulas ainda sendo contadas sugeriam a ele que a eleição estava sendo fraudada e roubada.

Trump afirmou: “Vai ter muita briga na Justiça, mas vamos vencer essa eleição, talvez isso termine na Suprema Corte.”

Acusou os democratas de fraude na contagem dos votos.

“A contagem foi suspensa em vários estados, e os votos apareceram depois só com o nome Biden”, disse na Casa Branca.

Completou, reforçando indignação: “Há irregularidades em todo o país. É uma máquina de corrupção democrata.”

Acuou, sem mostrar provas: “Puseram papéis nas janelas para impedir que as pessoas vejam [a apuração].”

Trump, de 74 anos, por várias vezes buscava minar a credibilidade do processo eleitoral.

Desde terça-feira (3), dia da eleição, ele se declarou falsamente o vencedor do pleito, acusou sem provas os democratas de tentarem roubar a eleição e prometeu contestar os resultados em alguns estados nos tribunais.

Especialistas em eleições nos Estados Unidos afirmam que fraudes são raras no país.

Tensões

Com as tensões crescendo, cerca de 200 apoiadores de Trump, alguns armados com rifles e pistolas, se reuniram do lado de fora do escritório eleitoral em Phoenix, no estado do Arizona, após rumores infundados de que os votos não estavam sendo contados.

Em Detroit, no estado de Michigan, autoridades impediram que cerca de 30 pessoas, a maioria republicanos, entrassem em um local onde os votos estão sendo apurados em meio a alegações, também sem fundamentos, de que a contagem no estado estava sendo fraudulenta.

Manifestantes contrários a Trump em outras cidades do país exigiam que a apuração continuasse.

A polícia prendeu 11 pessoas e apreendeu armas em Portland, no estado do Oregon, depois de relatos de tumultos.

Prisões também foram feitas em Nova York, Denver e Mineápolis. Mais de 100 manifestações estão programadas no país até sábado (7).

Reta final

A disputa pela Casa Branca dependia de corridas acirradas em cinco estados.

Biden tinha vantagens apertadas em Nevada e no Arizona, enquanto Trump via sua pequena dianteira diminuir na Pensilvânia e na Geórgia — estados em que precisa vencer e onde os votos por correio estavam sendo contados.

Trump tinha pequena vantagem na Carolina do Norte, outro estado em que precisava vencer para ter chances de reeleição.

Trump precisava manter a liderança e vencer nos estados em que estava à frente e conquistar Nevada ou Arizona para conseguir mais um mandato e evitar tornar-se o primeiro presidente norte-americano no cargo a perder uma reeleição desde o também republicano George H.W. Bush em 1992.

Nevada

Junto como Nevada, em que Biden mantinha uma vantagem pequena, e ainda havia votos a serem contados, esses estados dariam ao democrata os 270 votos necessários no Colégio Eleitoral para conquistar a Casa Branca, mas Trump ainda pode vencer, já que tais estados estão oficialmente indefinidos.

Em teleconferências conflitantes com repórteres, membros das duas equipes de campanha insistiram que seu candidato prevalecerá.

“Se contarmos todas as cédulas legais, vencemos”, disse o gerente de campanha de Trump, Bill Stepien, o que pode abrir caminho para litígios pós-eleitorais relativos aos votos pelo correio.

A gerente de campanha de Biden, Jennifer O’Malley Dillon, disse a repórteres que o ex-vice-presidente ruma para vencer a eleição, e o conselheiro legal sênior, Bob Bauer, afirmou não haver justificativa para Trump invalidar cédulas depositadas legalmente.

“Defenderemos este voto, o voto pelo qual Joe Biden foi eleito à Presidência”, disse Bauer. Segundo ele, a equipe legal da campanha está preparada para qualquer contestação.

Processo

A campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou nesta quarta-feira (4) que estava entrando com processo para suspender temporariamente a contagem de votos na Pensilvânia, e também pediu interferência da Suprema Corte em um caso sobre cédulas enviadas pelo correio no estado, que pode determinar o vencedor da eleição presidencial norte-americana.

A campanha disse que a ação judicial visa impedir que autoridades democratas no estado “escondessem” o processo de contagem de votos dos observadores eleitorais republicanos.

A eleição norte-americana permanecia muito acirrada entre Trump e o democrata Joe Biden após a votação na terça-feira (3).

A campanha de Trump abriu um processo semelhante nesta quarta-feira em Michigan, também com o objetivo de interromper temporariamente a contagem naquele Estado.

A campanha também busca intervir em um caso existente perante a Suprema Corte, de acordo com um processo judicial.

O caso foi apresentado por republicanos que pediram à Suprema Corte dos EUA para revisar uma decisão da Corte da Pensilvânia, que permitiu que as cédulas enviadas pelo correio que chegassem até sexta-feira fossem contadas desde que postadas no dia da eleição.

Trump perdeu processo para parar apuração em Michigan

Uma juíza norte-americana rejeitou uma ação civil apresentada pela equipe de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na esperança de parar a contagem de votos no Michigan.

O ex-vice-presidente Joe Biden, adversário democrata de Trump, tinha vitória projetada no Michigan, onde o republicano foi vencedor na eleição de 2016.

Cynthia Stephens, juíza de uma vara cível do Michigan, tomou a decisão durante uma audiência realizada nesta quinta-feira (5), e disse que pretende emitir um veredicto por escrito na sexta-feira (6).

Autoridades de campanha de Trump disseram ter iniciado a ação no Michigan para deter a contagem no estado e ter mais acesso ao processo de apuração.

A ação civil foi um “exercício de mensagem”, disse Bob Bauer, conselheiro de campanha de Joe Biden.

“Não tem outro propósito além de confundir o público a respeito do que está acontecendo e apoiar suas alegações infundadas de irregularidade”, disse Bauer em conversa com repórteres.

Nacionalmente, Biden se aproximou da vitória nesta quinta-feira (5), em uma eleição extremamente acirrada, que dependia de margens mínimas em um punhado de estados.

Trump lançou uma enxurrada de ações judiciais em todo o país.

Em outro revés para Trump nesta quinta-feira (5), um juiz na Geórgia negou um pedido de sua campanha para que o condado de Chatham separasse as cédulas que chegaram tarde pelo correio para garantir que não sejam contadas.

Uma porta-voz da campanha de Trump não respondeu de imediato a pedidos de comentários sobre as decisões da Geórgia e Michigan.

Biden sofre ataques de Trump

Trump continuou a fazer ataques injustificados ao processo de contagem de votos no Twitter nesta quarta-feira, horas depois de aparecer na Casa Branca e declarar vitória em uma eleição longe de estar decidida.

Tanto Facebook quanto Twitter assinalaram várias postagens do presidente devido a afirmações enganosas.

“Estamos nos preparando para vencer esta eleição. Francamente, nós vencemos esta eleição”, disse Trump, após alegar que venceu em vários estados cruciais onde a apuração ainda estava em andamento.

“Esta é uma grande fraude contra nossa nação. Queremos que a lei seja usada de maneira apropriada. Então, nós iremos à Suprema Corte. Queremos que toda a votação pare”, afirmou o presidente, sem apresentar qualquer evidência que respaldasse sua alegação.

As urnas fecharam-se, e a votação terminou ao redor do país, mas as leis eleitorais dos EUA determinam que todos os votos devem ser contados.

Mais votos precisam ser apurados neste ano do que no passado, devido à grande votação por correio em meio à pandemia de coronavírus. Nesta quarta o país contabilizava mais de 100 mil casos de contaminação em 24 horas.

Função dos eleitores

As esperanças de Biden de uma vitória por ampla margem foram embora na noite de terça, quando Trump venceu nos Estados-chave da Flórida, Ohio e Texas. Mas o democrata disse estar confiante de que pode vencer.

“Nós nos sentimos bem onde estamos”, disse Biden no estado de Delaware, onde mora, recebendo como resposta o toque das buzinas dos carros de apoiadores que o ouviam. “Acreditamos que estamos a caminho de vencer esta eleição.”

Durante os últimos dias de campanha, Trump sugeriu que poderia declarar vitória se estivesse à frente na noite da eleição e que buscaria suspender a apuração de cédulas adicionais.

“A declaração do presidente nesta noite sobre tentar parar a contagem de votos devidamente depositados foi ultrajante, sem precedentes e incorreta”, disse a gerente de campanha de Biden, Jen O’Malley Dillon, em comunicado.

Trump tem repetido, sem apresentar provas, que o aumento na votação pelo correio levará a um aumento na fraude, embora especialistas em eleições afirmem que fraudes são raras e que a votação pelo correio é algo comum há tempos nos Estados Unidos.

“Estamos bem na frente, mas eles estão tentando roubar a eleição. Nunca permitiremos que façam isso. Votos não podem ser depositados depois que as urnas fecham!”, escreveu Trump no Twitter antes de sua aparição na Casa Branca. O Twitter rotulou a publicação como enganadora.

“Não é minha função, nem função de Donald Trump declarar um vencedor. É função dos eleitores”, escreveu Biden na mesma rede social em resposta ao presidente.

Vencedor leva tudo

Antes de mais nada, como o voto nos Estados Unidos não é obrigatório, há um esforço duplo dos candidatos para vencer: convencer que seu programa de governo é o melhor e convencer a pessoa convencida a ir votar.

Ademais, o candidato que tiver a maior quantidade de votos pode, inclusive, não sair vitorioso. Isso já aconteceu e o motivo é o colégio eleitoral.

Cada um dos 51 estados norte-americanos, dependendo da população, tem direito a um certo número de delegados. No total, são 538 delegados no colégio eleitoral.

Estados-chave são a Califórnia (55 delegados), Texas (38), Flórida e Nova York (29 cada), Illinois e Pensilvânia (20 cada) e Ohio (18).

É eleito o candidato que conseguir o voto de pelo menos 270 delegados.

O candidato que vence no estado leva todos os delegados. Só o Maine (4 delegados) e Nebraska (5) não seguem essa regra.

Ou seja, é perfeitamente possível receber mais votos nacionais e não levar a maior quantidade de delegados.

Por isso, o investidor precisa ficar atento na apuração de cada estado, para compreender quem pode ser eleito.

Impactos para o mercado com a vitória de Biden

O partido democrata, ao qual pertence Joe Biden, busca um pacote de estímulos mais amplo e robusto, que é o que o mercado espera.

Mas há outros impactos com sua vitória.

Internacionalmente, há a possibilidade de reaproximação com o Irã, com o fim das sanções atualmente impostas, o que pode levar a um acréscimo na oferta de petróleo. Isso fatalmente mexeria no valor da commodity.

Desde já, vale lembrar que é um tipo de avanço diplomático que leva tempo, mas talvez não tanto a ponto de acontecer antes de uma vacina eficiente contra a Covid-19.

Isso daria ao mundo uma oferta de petróleo ainda em tempos de pandemia e com possibilidades de lockdown, com demanda ainda reprimida por petróleo.

O próprio Biden poderia pensar em fechar a economia norte-americana em certo nível, caso a pandemia se torne mais vigorosa em seu território.

Biden também regularia setores como energia e de saúde, uma das suas bandeiras. Mais regulação não é exatamente o que os agentes de mercado gostam.

Haverá um aumento de impostos, com taxação sobre ganhos de capital, por exemplo.

Impostos

Como bem lembra o analista Arthur Mota, da Exame Research, o Congresso local votou o programa de redução de impostos de Trump, no final de 2017.

“Entre o ‘antes da aprovação’ e ‘um mês após a aprovação final no Senado’, período em que assumimos como acomodação da nova realidade por parte do mercado, o S&P 500 mostrou performance bastante positiva”, escreve o analista.

A princípio, “vale ressaltar que Biden registrou intenção de reverter parte dessa política, evelando a alíquota de 21% para 28% (antes era 35%), lembra.

Contudo, novas mudanças nessa questão podem vir.

Pesquisas

Há algum tempo, Joe Biden vinha liderando as pesquisas de intenção de voto.

Há poucos dias das eleições, a média das pesquisas, calculada pela empresa Real Clear Politics, dia 29 de outubro, mostra uma desvantagem para Trump. Joe Biden aparece, em média, com 51% das intenções de votos, enquanto o republicano tem 44%.

A pesquisa realizada entre 15 e 18 de outubro pelo jornal The Economist, aponta que Biden apresenta vantagem nos votos das
mulheres e dos eleitores não-brancos.

Além disso, conquista o voto de alguns grupos tradicionalmente republicanos que estão insatisfeitos com a postura do atual presidente em relação à pandemia.

Eleitores não-brancos serão decisivos nesta eleição, muito pelo o que aconteceu em 2020, depois do assassinato de George Floyd, em 25 de maio, por um policial branco, e que desencadeou fortes protestos e conflitos por todo país.

A pesquisa também aponta para uma liderança de Biden junto aos eleitores latinos, que vem crescendo em swing states como Arizona e Flórida.

Mas algumas pesquisas sugerem que Biden é menos popular neste segmento do que foi Barack Obama em 2012 ou Hillary Clinton em 2016.

Swing states são aqueles estados que não são fiéis a nenhum dos dois grandes partidos e mudam de cor eleição a eleição.

Os swing states são importantes porque são imprevisíveis. São 13 e, entre eles, há alguns decisivos, como a Flórida e o Colorado.

BTG analisa as expectativas de mercado com a vitória de Biden

A tendência é de retomada de políticas de restrições sociais para combate da Covid-19. Restrições mais agudas, como as que o mundo vê agora na Europa, com Alemanha, França, Inglaterra, Bélgica, Irlanda e Escócia fechando vários setores da economia.

Isso causaria uma retração, especialmente no preço internacional do petróleo.

Entretanto, haveria um pacote de estímulos mais parrudo, como os democratas têm mostrado na Câmara dos Representantes, onde tem maioria.

Biden prometeu em suas propostas “gastar o que for preciso” para conceder empréstimos a pequenas empresas e aumentar as transferências diretas às famílias.

Entretanto, lembra o BTG, um pacote de estímulos muito grande pode levar a um risco fiscal.

Há ainda uma possível reaproximação com o Irã e o fim das sanções, levando ao aumento da oferta de petróleo.

Além disso, Biden pode expandir o Obamacare, programa de saúde público instaurado no mandato do ex-presidente Barack Obama (do qual, inclusive, foi vice).

Sua vitória poderia levar a maiores regulações de setores como o financeiro, o de energia e o de saúde.

Ele poderia também quebrar o monopólio de empresas de tecnologia.

Vale lembrar que são elas que têm segurado os índices em Wall Street no azul nos últimos meses.

O BTG ressalta que Biden poderia rever os cortes de impostos de Trump e possivelmente taxar de ganhos de capital.

Além disso, a “guerra comercial China-EUA continuará, mas com tom de negociação menos agressivo”.

Dow Jones historicamente

Tanto em governos republicanos quanto em democratas, o Dow Jones apresentou bons rendimentos. A cor do partido que ocupa a Casa Branca não parece fazer diferença.

O retorno médio do Dow Jones em mandatos republicanos, de 1969 a 2020 é de 6,7%.

Entretanto, o retorno médio do Dow Jones em mandatos democratas, no mesmo período, é de 9,1%.

E se as eleições foram contestadas?

O BTG alerta que, antes da pandemia da Covid-19, era comum que os estados restringissem a votação pelo correio a um certo grupo de pessoas, como maiores de 65 anos, doentes ou que estão fora do estado.

Atualmente, a prática é amplamente permitida na maioria dos estados e isso pode levar a um impasse, como se vê nas constantes declarações de Trump.

As estimativas apontam que 80 milhões de votos sejam feitos pelos correios, mais de duas vezes o que foi contado em 2016.

“Contudo, há uma preocupação que os correios norte-americanos não suportem esta demanda acima do normal, levando ao atraso de entrega de muitos votos”, dificultando a apuração, diz o BTG.

O voto por correio faz com que exista a possibilidade de o líder nas votações na noite eleitoral não vença após a contagem de todos os votos

Com a preferência dos votos pelo correio, por consequência da epidemia da Covid-19, há um risco de atraso nos resultados e de contestação das eleições.

Biden afirmou que aceitará o resultado após a contagem de todos os votos.

Já o atual presidente Donald Trump, rejeita fortemente os votos por correio.

Segundo ele, o voto a distância abre precedentes às fraudes em massa. Com isso, Trump não se comprometeu com uma transferência pacífica caso perca.

Decisão na Suprema Corte

O resultado das eleições pode acabar na Suprema Corte dos EUA, caso o resultado seja contestado.

Vale lembrar que os Estados Unidos não têm um Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o Brasil, que é o que garante a lisura das nossas eleições.

Mundialmente, o Brasil é exemplo de eleições limpas, seguras, universais e com apuração rápida. O processo é indiscutível.

Por isso, quando a juíza progressista Ruth Bader Ginsburg morreu, em 18 de setembro último, os olhos se voltaram para quem seria o substituto.

Trump correu para indicar uma nova juíza para a Corte.

Ele escolheu a conservadora Amy Coney Barrett.

Em um só mandato, Trump indicou três dos nove juízes da Suprema Corte, formando uma maioria de seis indicados por republicanos, contra três indicados pelo partido da oposição.

Todos eles têm cargo vitalício.

Assim, as ações judiciais contra o voto pelo correio podem definir a eleição.

E a Suprema Corte teria maioria a favor de Trump.

Tal indefinição pode ser desastrosa para Wall Street, que precisa trabalhar com um mínimo de segurança e certeza.

Portanto, é consenso que as eleições não terminarão dia 3 de novembro e que momentos de tensão virão por aí.

Relação com os mercados

Na média das eleições norte-americanas desde 1900, o índice S&P 500 mostrou performance positiva até 12 meses depois da eleição.

É o que informa o analista da Exame Research.

Ele acredita que isso acontecerá novamente “justamente pelo processo de retomada da economia e pelo anabolizante de estímulos da política fiscal e monetária dos EUA”.

Além disso, “há um certo mito de que a gestão dos democratas pode ser pior para as bolsas americanas por causa de alguma inclinação menos pró-Wall Street na comparação relativa com os republicanos”.

Mas Mota mostra que de forma “histórica e pelo Dow Jones, a gestão republicana não necessariamente coincide com os períodos de maior retorno para os investidores”.

É uma questão de estatística.

Ele ressalta ainda que “não é possível fazer uma inferência direta do impacto da eleição americana na bolsa brasileira”.

Entretanto, no geral, o Ibovespa tem “performado bem nos 12 meses pós-eleição desde 1972 (considerando o índice deflacionado)”.

“A recuperação esperada para 2021 pode fazer o próximo ano entrar nessa estatística positiva para períodos pós-eleitorais”, diz.

*Com Agência Brasil

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