Energia: demanda pode cair 5,3% em 2020 e só se recuperar em 2025

Paulo Amaral
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Crédito: Foto: Pixabay

A Agência Internacional de Energia (IEA) divulgou, nesta terça-feira (13), que a pandemia de coronavírus provocará um forte impacto na demanda por energia em 2020.

De acordo com o órgão, a queda neste ano será de 5,3%, com uma retração ainda maior, de 8,5% e 6,7%, no consumo de petróleo e carvão, respectivamente.

A IEA também projetou uma queda de até 3,3% na demanda por gás natural em 2020 – a maior desde que este se tornou uma das maiores fontes de combustíveis do planeta, na década de 1930.

“A pandemia de covid-19 causou mais perturbações ao setor de energia do que qualquer outro evento na história recente, deixando impactos que serão sentidos nos próximos anos”, declarou a organização, em comunicado.

Setor de energia terá recuperação lenta, segundo IEA

Segundo a IEA, a projeção para que o setor de energia consiga uma retomada global é a longo prazo.

Em um cenário otimista, o órgão projetou que a chegada de uma vacina eficiente contra o coronavírus poderá fazer com que a recuperação seja completa até 2023.

Uma visão menos otimista – e mais realista, no momento -, no entanto, é de que o cronograma possa ser adiado em até dois anos, postergando uma recuperação “full” do setor somente em 2025.

Renováveis em alta

Antes da crise causada pelo coronavírus, a estimativa da IEA era de um crescimento de até 12% da demanda energética em petróleo, gás, carvão e energias renováveis, de 2019 a 2030.

Após a explosão da pandemia, a projeção atualizada de crescimento no período é de 9% no cenário base e 4% no modelo de recuperação retardada.

De acordo com a IEA, as energias renováveis devem atender a 80% do crescimento da demanda de eletricidade nos próximos 10 anos, chegando a ultrapassar o carvão como principal meio de produção de eletricidade em 2025.

Segundo a organização, o petróleo permanecerá “vulnerável às incertezas econômicas resultantes da pandemia”, com a demanda começando a cair nos anos 2030

Fatih Birol, , chefe da IEA, afirmou à Reuters que governos estão atrasados na implementação de políticas para atingir metas climáticas.

“A era de crescimento na demanda global por petróleo chegará ao fim dentro dos próximos 10 anos, mas na ausência de uma grande mudança em políticas governamentais eu não vejo um sinal claro de pico (da demanda)”, comentou.

“A recuperação da economia global deve em breve trazer a demanda por petróleo de volta aos níveis pré-crise”, completou Birol.

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