Confinamento aumenta em 11% devido à demanda externa e alta no preço da carne em MT

Weslley Almerindo
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução /

Em comparação ao ano de 2018, o número de animais confinados aumentou em cerca de 11%, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Ademais, conforme o último levantamento divulgado pelo instituto, foram confinadas cerca de 824 mil cabeças de gado.

O que o levantamento do Imea nos traz?

O último levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) referente às intenções de gado confinado em Mato Grosso foi realizado em outubro de 2019 e contou com um total de 176 pessoas.

Destas, 155 pecuaristas, técnicos ou gerentes responsáveis participaram do levantamento, o que representa 88,07% da amostra.

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Dessa forma, 107 pecuaristas, ou 71,33% do total levantado, confinou gado no ano de 2019.

Nessa perspectiva, o total de gado confinado destes 107 equivale a 824 mil cabeças de gado, um valor 19,23% maior que o primeiro cenário observado em abril de 2019.

Dessa forma, se comparado a 2018, a região sudeste de Mato Grosso se destacou quanto ao número de cabeças, haja vista o aumento de 33,66% em comparação ao ano anterior.

Por fim, o aumento total de 2018 para 2019 no confinamento foi de 10,81%, totalizando uma diferença de 80.420 cabeças.

O que causou o aumento do confinamento?

Segundo especialista, os criadores ficaram estimulados, principalmente, a partir do segundo semestre, quando a demanda foi maior e o preço pago pela arroba do boi também aumentou. Desse modo, sua fala corrobora com o gráfico contido no levantamento do Imea.

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Reprodução / Imea

A demanda na fazenda de Leone Furlanetto, gerente técnico

Além disso, em uma fazenda de Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, o número de animais confinados aumentou em 5% neste ano, segundo o gerente técnico Leone Furlanetto.

Em soma, Leone disse que até setembro a arroba do boi custava em médio R$ 140, mas o preço disparou nos meses seguintes e agora pode chegar a custar R$ 250, algo inimaginável pouco tempo atrás.

“Nem nas estimativas mais otimistas se falava em um patamar de uma arroba a R$ 210. Em outubro começou a ter um reajuste, mas em novembro teve uma alta muito forte e rápida”, disse.

Para o gerente o principal fator para o aumento foi a abertura para o mercado asiático.

Nessa lógica, foi registrado um aumento de mais de 340% na exportação de carne bovina do Mato Grosso para China, em comparação ao mês passado.

Todavia, Leone afirmou que a maior demanda continua sendo a internada. Cerca de 80% da carne produzida na fazenda dele é para o mercado interno.

Nessa perspectiva, além de aumentar o número de cabeças, a fazenda de Leone fez uma estratégia para segurar algumas cabeças de boi, assim, quando houver um período de escassez, ele terá gado disponível para venda.

A sobrecarga não atinge somente a fazenda de Leone

Uma outra fazenda que registrou um aumento no confinamento fica em Diamantino, a 229 km de Cuiabá.

Nessa fazenda, além de confinar os próprios animais, a fazendo aumentou as parcerias com outros pecuaristas que usam a estruturas de piquetas para fazer a engorda dos bois.

Nesse sentido, tal prática funciona semelhantemente a hospedagem de um hóspede em um hotel, a semelhança é tanta que apelidaram essa modalidade de ‘boitel‘.

Dessa forma, as diárias para os animais são cobradas de acordo com o sexo e o peso de entrada dos animais no confinamento.

Assim, o pecuarista consegue ter um lucro sob o peso do gado, semelhante ao lucro obtido com a venda de seu próprio gado.

“No Brasil, 13% dos bois abatidos provém do confinamento e a tendência é aumentar, pois esse é um sistema mais inteligente e mais produtivo que favorece todos os elos da cadeia. É um processo natural que favorece a qualidade da carne para o consumidor”, explicou o pecuarista Francisco Camacho.

Expectativas para o agronegócio em 2020

A tendência é que a demanda só aumente, sendo que atualmente se fala em engordar e abater 100 mil cabeças no ano para tentar atender a demanda externa da carne bovina.

A valorização do mercado é tremenda visto a atual demanda, prova disso é que Francisco conseguiu vender um lote recente por R$ 210 a arroba do boi.

“Tivemos um choque de demanda com a entrada forte da China que tem um potencial grande para mexer com o mercado”, ressaltou.

Assim sendo, essa demanda está trazendo novos desafios para os fazendeiros. Dessa maneira, os bois tendem a ficar confinados apenas no período da seca.

Contudo, com tamanha demanda, Francisco, por exemplo, mantém os animais confinados durante todo o ano.

“Temos uma estratégia de confinar o ano inteiro. Tem uma série de desafios que acontece para que isso aconteça no período das águas e a gente acabou agregando essa estratégia a uma condição comercial, que hoje tiramos valor disso”, disse.