Delegado diz que foi convidado por chefe da Abin de Bolsonaro para assumir a chefia da PF no Rio

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Amazonas Atual

Alexandre Ramagem, preferido de Jair Bolsonaro para assumir a diretoria-geral da Polícia Federal, convidou o delegado Alexandre Saraiva, da superintendência do órgão na Amazônia, para ser chefe no Rio de Janeiro.

Pelo menos foi isso o que Saraiva afirmou em seu depoimento no inquérito que apura a acusação do ex-ministro Sérgio Moro sobre a suposta interferência do presidente da República na Polícia Federal.

A proposta teria sido feita em agosto de 2019, ocasião na qual Bolsonaro tentou trocar a superintendência do Rio de Janeiro pela primeira vez, mas não obteve êxito.

De acordo com o depoimento de Saraiva, reproduzido pelo Estadão Conteúdo, Ramagem, chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), teria lhe telefonado e afirmado que o presidente da República tinha alguns nomes para sugerir ao ex-ministro Sérgio Moro para ocupar a função.

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Saraiva confirmou ter aceitado o convite, mas com o pé atrás, pois, segundo ele, Maurício Valeixo, que ocupava a direção-geral da PF à época, não havia indicado nenhum delegado ocupante da região da Amazônia Legal para uma posição de comando no litoral do País.

O depoimento de Saraiva revelou ainda um encontro com Sérgio Moro no aeroporto de Manaus e um questionamento do ex-Ministro sobre “que história seria essa de ele ir para o Rio de Janeiro”.

O delegado contou à PF que Moro teve uma ‘atitude extremamente correta e digna em relação à sua pessoa’ e que finalizou a conversa dizendo que ‘estava sabendo dos fatos’ e que ele podia ficar tranquilo.

“Número 2” da PF contraria Bolsonaro

Bolsonaro

Fausto Macedo, colunista do Estadão, revelou nesta quinta-feira que o delegado Carlos Henrique Oliveira, atual “número 2” da Polícia Federal, desmentiu o presidente Jair Bolsonaro em seu depoimento.

O presidente da República tem afirmado, repetidas vezes, que “não há e nunca houve nenhuma investigação da Polícia Federal contra qualquer membro de sua família”.

Segundo o atual diretor-executivo da PF, no entanto, a história é um pouquinho diferente do que defende Bolsonaro.

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“Perguntado se tem conhecimento de investigações sobre familiares do presidente nos anos de 2019 e 2020 na SR/PF/RJ disse que tem conhecimento de uma investigação no âmbito eleitoral cujo inquérito já foi relatado, não tendo havido indiciamento”, disse Oliveira, em seu depoimento.

A investigação, segundo Fausto Macedo, é sobre supostos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica por parte de Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, com base em sua declaração de bens nas eleições de 2014, 2016 e 2018.

O caso foi aberto após notícia-crime do advogado Eliezer Gomes da Silva, que apontou valores distintos em anos diferentes para o mesmo imóvel do filho do presidente, localizado no bairro carioca de Laranjeiras, em declarações à Justiça Eleitoral.

Zambelli nega conversas sobre Moro no STF

 

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) negou, em seu depoimento à Polícia Federal, que tenha conversado com o presidente Jair Bolsonaro ou com qualquer outra pessoa em nome do presidente propondo que o ex-ministro Sérgio Moro assumisse uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

Moro, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu trechos de uma conversa com Zambelli via aplicativo de mensagens, na qual a deputada se compromete a falar com “JB”, iniciais de Jair Bolsonaro, sobre a ida do então Ministro da Justiça para o STF em setembro.

A indicação, de acordo com os prints mostrados, estaria atrelada à aceitação por parte de Moro da troca de comando da Polícia Federal.

Moro, então, teria respondido que “não estava à venda”, deixando claro seu posicionamento em relação à tentativa de interferência política na PF.

Rubens Valente, colunista do Portal Uol, teve acesso ao depoimento prestado por Zambelli na quarta (13), no qual a deputada negou qualquer tratativa em relação ao assunto.

A parlamentar afirmou, segundo Valente, que “não chegou a ter qualquer conversa com o presidente Jair Bolsonaro no sentido de o ex-ministro Sérgio Moro aceitar a substituição da direção da Polícia Federal tendo como contrapartida a vaga no STF”.

Em matéria publicada nesta quinta, o jornal O Globo revelou outra parte do depoimento de Zambelli, no qual a deputada teria dito que “poderia trabalhar junto ao presidente Jair Bolsonaro no sentido de o ex-ministro Sergio Moro vir a ocupar a futura vaga, com a vaga decorrente da aposentadoria próxima do ministro Celso de Mello”.

A deputada federal explicou ainda que a missão não seria fácil, porque “o presidente tinha desconfianças com Moro pelo fato de ele ser desarmamentista, indo contra uma das principais bandeiras eleitorais de Bolsonaro”.

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