Definição do Copom: entenda o que muda com a Selic a 2%

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

Como esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 2,25% para 2%.

De acordo com as análises das instituições financeiras, este deve ser o último de um ciclo recente de cortes. E uma nova mudança na Selic só deve acontecer, agora, no meio do ano que vem.

A definição foi divulgada nesta quarta-feira (5) após os dois dias de reunião do comitê, que se reúne de 45 em 45 dias para ditar os rumos dos juros no país.

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Apesar de ser algo inédito no país, os juros a 2% já eram esperados. Isto porque a ata da última reunião do comitê, em junho, já havia deixado implícito que um “último corte residual” era possível, desde que a inflação estivesse sob controle (a meta do governo para este ano é de 4%).

Também o Boletim Focus, publicado toda segunda-feira pelo BC com as projeções das instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país, projetava o novo corte da Selic há cinco semanas.

Para Paulo de Souza, assessor daEQI Investimentos, o novo corte condiz com o cenário atual, de inflação controlada e atividade econômica sendo retomada pós-quarentena.

“A atividade está voltando, mas não tão rápido quanto o desejado. Isto explica a redução da Selic”, explica.

Selic como resposta ao PIB fraco

O Focus projeta uma queda acentuada do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano: 5,66%. A Selic, usada como referência para todo empréstimo ou financiamento no país, pode minimizar o impacto da crise.

Isto porque a taxa configura o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação. Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Como ficam os investimentos?

Para o investidor, o corte da taxa de juros significa que os rendimentos da renda fixa, especialmente os vinculados à Selic, deixam de ser tão atrativos.

“A poupança, por exemplo, vai render 1,4% no ano. Isto quer dizer que o investidor precisa buscar alternativas para fazer sua carteira de investimentos crescer, para não ficar à mercê de perder sua rentabilidade para a inflação”, afirma Souza.

Neste contexto, o mercado de ações deve ganhar destaque, mas há outras possibilidades interessantes de investimento, como os fundos imobiliários e o Tesouro Direto – especialmente os indexados à inflação – para perfis mais moderados e conservadores.

Leia também: Juros baixos, e agora? Renda fixa não morreu, mas vai se diversificar

Selic a 2% é a mais baixa da história

A taxa atual, de 2%, é a mais baixa já registrada na série histórica, que teve início em 1999. E representa a nona redução de um ciclo de cortes recentes da Selic.

Em termos comparativos, em agosto de 2016, a taxa básica era de 14,25%. Mas já chegou a 45%, em março de 1999.

Selic

Reprodução/Banco Central

Há brecha para mais cortes?

Definida a nova taxa de juros, o mercado já começa a projetar os próximos passos.

Na opinião dos analistas dos principais bancos do país, esta deve ser a última redução do ciclo de cortes. E a Selic deve permanecer em 2% até pelo menos meados do ano que vem.

Esta é a opinião, por exemplo, do BB Investimentos. “Entendemos que este seria o fim do ciclo de cortes dos juros. Eles devem permanecer fixados na mínima histórica até meados do segundo semestre do ano que vem”, afirma em relatório.

O UBS também aposta no corte de 0,25 ponto porcentual como o último do ano. “Existe a possibilidade de este ser o último corte de taxa em um ciclo longo que começou no final de 2016”, diz. O Itaú aposta em 2% até dezembro.

Para o final de 2021, a projeção do Focus é que a Selic esteja em 3% ao ano. Em 2022, em 5%. E em 2023, 6%.