Déficit primário do setor público fica em R$ 64,56 bi em setembro, diz BC

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
1

O setor público consolidado brasileiro teve déficit primário de R$ 64,56 bilhões em setembro, divulgou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (30). O dado está abaixo do esperado e influenciado pelo resultado positivo de Estados e municípios. 

Este é o maior déficit para o mês na série histórica, iniciada em dezembro de 2001. Em agosto deste ano, havia sido registrado déficit de R$ 87,594 bilhões.

O rombo do governo central (governo federal, Banco Central e Previdência) foi de R$ 75,15 bilhões no período. Impactado, novamente, pelos gastos extraordinários no enfrentamento à pandemia de coronavírus. Enquanto isso, Estados e municípios tiveram superávit de R$ 9,96 bilhões. As empresas estatais ficaram no azul em R$ 628 milhões.

BDRs| Aprenda mais sobre essa classe de Ativos

A projeção do Tesouro para o rombo fiscal do setor público consolidado em 2020 é de R$ 895,8 bilhões. O montante equivale a 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Para o Governo Central, o déficit estimado é de R$ 871 bilhões (12% do PIB).

Conforme os dados, em setembro, a dívida pública bruta foi para 90,6% do PIB, sobre 88,8% em agosto. Com o valor, foi renovado o seu novo recorde histórico. 

Valor acumulado até setembro

As contas do setor público acumularam um déficit primário de R$ 635,926 bilhões no ano até setembro. De acordo com o BC, o montante equivale a 11,95% do PIB. O resultado vem do desempenho dos últimos meses, em meio aos efeitos da pandemia de Covid-19 na economia. Houve déficit primário de R$ 64,559 bilhões só em setembro.

Os governos regionais apresentaram um superávit de R$ 37,119 bilhões (0,70% do PIB) no período. Enquanto isso, os Estados registraram um superávit de R$ 35,810 bilhões, os municípios tiveram um saldo positivo de R$ 1,310 bilhão. Além do mais, as empresas estatais registraram um resultado positivo de R$ 3,956 bilhões no acumulado de 2020.

Últimos 12 meses

Conforme o BC, as contas do setor público acumulam um déficit primário de R$ 655,306 bilhões em 12 meses até setembro, equivalente a 9,08% do PIB.

O Tesouro projeta um rombo fiscal do setor público consolidado em 2020 de R$ 895,8 bilhões. O montante equivale a 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Para o governo central, o déficit estimado é de R$ 871 bilhões (12% do PIB).

O déficit fiscal dos últimos 12 meses pode ser atribuído ao rombo de R$ 702,734 bilhões do Governo Central. Os governos regionais apresentaram um superávit de R$ 32,671 bilhões (0,45% do PIB) em 12 meses até setembro.

Déficit nominal

O setor público consolidado registrou, em termos nominais, um déficit de R$ 103,419 bilhões em setembro. Em agosto, o resultado nominal havia sido deficitário em R$ 121,879 bilhões. 

Conforme o divulgado em agosto, o Governo Central apresentou déficit nominal de R$ 109,762 bilhões. Enquanto as empresas estatais registraram superávit nominal de R$ 74 milhões, os governos regionais tiveram saldo positivo de R$ 6,269 bilhões.

O resultado nominal aponta a diferença entre receitas e despesas do setor público, que vem após pagamento dos juros da dívida pública. Por consequência da pandemia, houve redução da arrecadação dos governos e aumentou as despesas. Assim, o déficit nominal tem sido mais elevado nos últimos meses.

Por fim, os gastos com juros ficaram em R$ 38,860 bilhões em setembro, contra R$ 25,379 bilhões no mesmo período de 2019. Ao comparar com o mês passado, o resultado de setembro também foi maior. E ainda, em agosto, os gastos com juros foram de R$ 34,285 bilhões. No  ano, as despesas com juros acumularam R$ 252,596 bilhões.