Déficit primário do governo federal atinge R$ 96,1 bi em agosto

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Marcello Casal Jr

O governo central, formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, encerrou agosto com déficit primário de R$ 96,096 bilhões.

As informações são da Agência Brasil.

Esse é o pior desempenho registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997.

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Por outro lado, o resultado veio melhor que o estimado pelo mercado.

A estimativa feita pelo Prisma Fiscal, publicação do Ministério da Economia com analistas de mercado, era de R$ 98 bilhões.

O déficit primário representa o resultado negativo nas contas do governo, sem considerar os juros da dívida pública.

Comparação mensal

De acordo com os dados, de janeiro a agosto, o resultado negativo do Governo Central totalizou R$ 601,283 bilhões.

O valor é recorde da série histórica para o período. Nos oito primeiros meses do ano passado, o déficit era de R$ 52,066 bilhões.

No acumulado de 12 meses, o déficit primário chega a R$ 647,8 bilhões, o equivalente a 8,96% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o Ministério da Economia, a projeção é o resultado negativo de R$ 871 bilhões para o Governo Central em 2020.

O valor é equivalente a 12,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Receita

O Tesouro Nacional afirma que a alta registrada em agosto é devida à reversão parcial de algumas medidas que adiaram o recolhimento de contribuições patronais para a Previdência Social, do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Por conta da pandemia, o governo permitiu que empresas adiassem o pagamento de diversas obrigações.

Dessa forma, o fluxo de caixa dos empregadores não foi tão prejudicado.

Ao descontar a parcela da arrecadação transferida aos estados e aos municípios, a receita subiu ainda mais.

De acordo com o Tesouro Nacional, as receitas líquidas saltaram 5,8% acima da inflação em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado.

No entanto, à diminuição dos repasses aos governos locais é decorrente da queda da arrecadação de tributos compartilhados nos últimos meses.

Coronavírus

O recuo de 15% de janeiro a agosto reflete a crise econômica provocada pela Covid-19. O aumento de despesas para combater a pandemia foi um dos principais responsáveis pelo crescimento do déficit primário.

Essa é a razão de o governo central ter dispensado o comprometimento de manter o déficit primário em R$ 124,1 bilhões.

Conforme os números do Tesouro, as medidas associadas à pandemia aumentaram as despesas em R$ 93,1 bilhões no mês passado.

A maior despesa decorre do auxílio emergencial, que totalizou R$ 45,3 bilhões.

Em segundo lugar, vem a ajuda aos estados e aos municípios, que consumiu R$ 15,2 bilhões.

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