Déficit pode ultrapassar os R$ 800 bi em 2020, diz Mansueto

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação

O rombo nas contas públicas em 2020 pode chegar a R$ 800 bilhões. Esta é a estimativa do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. Para ele, o governo precisa manter o compromisso com o teto de gastos para limitar o avanço das despesas e um crescimento do déficit público.

A nova estimativa de Mansueto, informada pelo jornal O Estado de S. Paulo, é maior do que a anterior. Até então, o Ministério da Economia previa um déficit primário do setor público de R$ 708,7 bilhões para este ano.

Mas a Instituição Fiscal Independente (IFI) e economistas já preveem um déficit de até R$ 900 bilhões.

No entanto, Mansueto descarta alteração da Constituição para flexibilizar o teto de gastos. Segundo ele, ao ultrapassar o teto o governo poderia elevar o juro, o risco-país, a carga tributária e aumentar o período de restrição.

Além da questão da liquidez, Mansueto disse ainda que a crise é também de solvência. “Não sabemos quais empresas vão sobreviver e como será comportamento de consumidor”, disse ele.

 

Reformas nos próximos anos

A retomada do crescimento será possível, segundo Mansueto, com a aprovação de novas reformas. A expectativa do secretário é que isso ocorra nos próximos dois ou três anos.

De acordo com ele, o impacto da crise na arrecadação em 2020 e nos próximos anos levará o Brasil a acumular rombos sucessivos nas contas. O superávit, segundo ele, deve voltar somente no fim do próximo governo, em 2026 ou 2027.

“Nos próximos dois ou três anos não podemos errar. Se errar, vamos ter muitos problemas à frente. Não podemos desperdiçar essa janela de oportunidade como tantas outras vezes a gente desperdiçou”, disse o secretário.

Mansueto destacou ainda que o atual governo não vai conseguir em nenhum ano cumprir a chamada regra de ouro do Orçamento, que impede a emissão de dívida para bancar despesas como salários.