Day Touro: Renato Franklin aposta alto em aluguel de carros a longo prazo

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Renato Franklin, CEO da Movida (MOVI3), segunda maior empresa de aluguel de carros do Brasil, esbanjou otimismo durante sua participação no Day Touro, evento online e gratuito com grandes nomes do mercado.

Em conversa animada com Pablo Spycer, Diretor de Operações da EQI, Franklin detalhou como está o cenário atual do segmento no País, e cravou: há muito espaço para crescimento no Brasil.

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“O Brasil tem um mercado muito sub penetrado. Aposto que se fizer uma pesquisa com quem está assistindo ao Day Touro, muitos nunca alugaram”, comentou.

“É o crescimento do mercado em si. Ele ganhou em escala. Quando entramos, em 2014, custava 150 reais, o que era significativo diante do salário mínimo da época. Hoje é 80 reais a diária, e há aluguel mensal para pessoas físicas, algo que antes não existia. Por 1200 reais você aluga um carro para o mês todo”, completou.

Airbnb dos carros

O aluguel a longo prazo, superior a um mês, aliás, foi apontado por Renato Franklin como o grande filão a ser explorado não somente pela Movida, mas também pelos representantes de outras empresas do setor.

Na visão do CEO da empresa, o segmento tem tudo para crescer tanto quanto o Airbnb, modelo adotado no ramo imobiliário para aluguel de casas, apartamentos ou somente cômodos por um período determinado.

“O Airbnb está crescendo e é a mesma coisa com carro. Uma hora a pessoa pode ter um carro compacto, uma hora de luxo, outra hora uma picape. Pega o que precisa e paga pelos dias de uso. Vejo grande potencial de crescimento, tanto no Brasil quanto no mundo, mas mais no Brasil, já que a média é menor do que nos países desenvolvidos”.

Volta do leasing?

Além do aluguel aos moldes do Airbnb, o CEO da Movida revelou em sua participação no Day Touro que as fichas estão casadas na volta do leasing – ou um modelo parecido – ao País, principalmente para as pessoas mais jovens.

“As pessoas mais modernas vão deixar de ter o carro todo dia. Vão pegar só quando precisam. Lá fora existe o leasing. Aqui não deu certo por conta da taxa de juros muito alta. Já lançamos produtos de carros por assinatura de longo prazo. Você escolhe tudo do carro, cor, acessórios, e não precisa se preocupar com IPVA, seguro, nada. Paga uma taxa mensal e fica bem menos fricção para o nosso cliente. Vai ser o grande mercado do futuro”.

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ESG atrai clientes, diz CEO no Day Touro

Day Toro, Renato Franklin

Renato Franklin revelou também que a Movida segue os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU e foi além, com compromissos mais agressivos. A ideia é ser uma empresa com emissão zero de carbono até 2030 e carbono positiva até 2040.

Para isso, além de instalar energia limpa e sustentável em todas as lojas, o CEO tem compensado com o plantio de árvores e outras vertentes do chamado “escopo 3”. “O escopo 3 eu preciso ter carro elétrico, que não polua. Além de ser carbono neutro, temos um compromisso de reduzir 15% nos próximos 5 anos e mais 15% nos outros anos. Vou reduzir as emissões trazendo carros elétricos, carros híbridos. Andando muito forte a questão ambiental aqui na empresa”.

Ao explicar que a empresa segue à risca a sigla ESG (ASG em português), Franklin detalhou o que a Movida faz nos pilares Ambiental, Social e Governança. “O A é estar alinhado com as práticas globais para reduzir a temperatura no mundo. No Social, temos muita coisa para fazer, e uma delas é democratizar o acesso à mobilidade, tornando o carro possível para todos a um preço justo e acessível. No G é muito relevante. A Governança. Como eu mitigo o risco? Emitimos o bond de 500 milhões de dólares. Por que esse caixa todo? Porque no Brasil é sempre bom carregar um pouco mais de caixa. E também pelo potencial de crescimento. Nossa política ASG é bem robusta”.

Segundo o CEO, ter uma empresa sustentável e voltada para os pilares citados é um dos segredos de atrair a atenção do mercado. “O único jeito de você ter cliente, de você ter colaborador e de você ter investidor é você ser uma empresa sustentável, com propósitos, com boas práticas, transparência, ética e alinhada com as boas práticas globais”.

Carros elétricos completam cenário

O cenário da empresa sustentável sonhada por Renato Franklin passa pela expansão do setor de carros elétricos no Brasil. Segundo ele, hoje ainda há muito preconceito em relação a esse tipo de veículo.

“A pessoa tem receio de pegar um carro elétrico, com dúvidas até se sobe morro, mas o torque é imediato e ele é divertido de dirigir”, avisou.

Os carros elétricos citados pelo CEO chegarão, a princípio, por meio de uma parceria firmada com a Nissan.

“Colocamos como plano para esse ano desmistificar o uso do carro elétrico. Fizemos acordo com a Nissan e compramos o Leaf, que é um carro legal. Está sendo alugado no varejo e no corporativo. Estamos trabalhando com parcerias para melhorar a infraestrutura do carro elétrico. Hoje é bem adequado para o uso urbano e para viagens curtas. Tem autonomia de 300 quilômetros em média. São tendências a que todo mundo vai se adaptar”, concluiu.