Day Touro: “Ogro de Wall Street” e os segredos do Day Trade

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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A série de palestras do Day Touro contou com a presença de André Machado, popularmente chamado de Ogro de Wall Street, um dos principais traders do País.

Em seu bate-papo com Pablo Spyer, o profissional revelou um pouquinho sobre a profissão que, para muitos, é vista como sonho de consumo, por supostamente ser “fácil” e proporcionar a chance de ficar rico rapidamente.

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Veja aqui a transmissão completa:

A realidade, no entanto, não é bem essa. De acordo com o “Ogro”, que tem 19 anos de experiência no mercado, e começou a trabalhar com day trade já em 2003, o caminho é tortuoso e cheio de armadilhas.

“O day trade acabou virando um mito no mundo inteiro que é muito fácil, mas, na verdade, é uma profissão de alta performance. Você só vai evoluir com o tempo”, avisou Machado.

“O detalhe que ninguém conta é que, em outras profissões, quando você é empenhado, afunda no assunto, futuramente tem a recompensa. No mercado financeiro, você pode ser empenhado e estudar horrores, mas o mercado não está nem aí. Se você não acertar a direção e fizer uma gestão de risco correta, esquece, pois vai morrer na praia. Não adianta pensar que assistindo a 10 DVDs você estará formado. Eu durmo e acordo com isso na cabeça”, revelou.

Dica de ouro no Day Touro

Apesar de avisar que o caminho não é nem um pouco fácil, o “Ogro de Wall Street” sabe que muitos dos espectadores do Day Touro talvez tenham se inscrito no evento para ouvir dele qual a dica para quem ainda sonha em se tornar day trader. E ele tentou ser o mais didático possível.

“A dica é começar fazendo swing trade. A principal diferença para um day trade é o tempo do gráfico, de pegar a leitura. É preciso acompanhar o desenvolvimento do mercado, ver o lote correto de acordo com o estoque que está entrando. No swing trade ele vai ter mais controle. Depois vai para o day trade de ações. Um mini índice hoje é quase R$ 24 mil. Se não tem a manha de gestão de risco para a coisa funcionar, é complicado”, alertou.

Ter uma visão macro foi outro ponto importante levantado por André Machado para quem pensa em seguir seus passos. “Day trader técnico só olha o gráfico, mas eu me acostumei com um cenário macro, que abrange questões políticas, como CPI de pandemia, etc. O trigger é o gráfico”, complementou.

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As crises de 2008 e 2020

Day Toro, André Machado

Veterano no mercado financeiro e, especialmente, no day trader, André Machado tem lembranças das crises globais de 2008 e da mais recente, de 2020, causada pela pandemia da Covid-19. E revelou ter se saído bem (muito, aliás) em ambas, justamente por sua “mania” de analisar o mercado em uma visão macro.

Em 2008 eu já trabalhava com análise técnica há cinco anos. Fiquei acompanhando o topo do mercado americano desde 2007. Eu tinha convicção de que a gente ia corrigir como S&P 500, como Dow Jones. Quando sei que isso vai acontecer, que vamos ficar perto do topo, fico perto da porta, com a mão na maçaneta. Quando começou a cair aqui e lá já estava caindo, estava posicionado”, lembrou.

Sobre a crise do novo coronavírus, André Machado revelou ter sido “salvo” por um insight. “Em dezembro de 2019 eu dei uma entrevista em uma rádio de São Carlos. Eu disse para não entrar agora na bolsa, e avisei que em um ou dois meses teríamos uma correção violenta no mercado. Já tinha sinais de fragilidade no fim de 2019 e em fevereiro aconteceu tudo. Tive a sacada de olhar o gráfico do arroz em Chicago. Acompanhava trigo, milho, soja, e vi que o arroz disparou. Pensei: o vírus não está mais só em Wuhan, pois a China está estocando arroz. O que eu lamento não ter feito foi não ter montado posições”.

Fibonacci e Projeto os 10%

Um dos métodos muito utilizados pelo “Ogro de Wall Street” para fazer sucesso na carreira de day trader é o de Fibonacci. O recurso matemático é usado na análise técnica de investimentos para prever tendências a partir de pontos de expansão ou retração. Assim, o investidor encontra oportunidades de entrada ou de saída de uma operação.

“Mostro no mercado financeiro cada movimento e os alvos possíveis. São três alvos possíveis. Ou você realiza e bota no bolso ou protege ali na expectativa de ir no próximo”, simplificou, em uma rápida introdução do que seus alunos aprendem no curso chamado “Projeto os 10%”.

“Eu dava aula na B3 há cinco anos e fiquei um tempo sumido das redes sociais. Quando voltei, pediram pra fazer um curso comigo. Montei uma turma e sete dos alunos pediram para operar comigo e colocar na prática. Chegou a um ponto que precisei profissionalizar a coisa, de tanto que cresceu. Meio que caiu no meu colo. Não era meu plano. Hoje a gente tem online umas 3 mil pessoas operando com a gente. A ideia é formar traders”, resumiu.

Origem do apelido “Ogro de Wall Street”

Como não poderia deixar de ser, André Machado teve que explicar aos inscritos para curtir as palestras do Day Touro sobre a origem do apelido. Afinal de contas, por que ele é chamado de “Ogro de Wall Street”? A “culpa”, segundo ele, é da esposa.

“Eu tinha assistido ao filme O Lobo de Wall Street com minha esposa e, um dia, estava operando dólar. Minha esposa queria viajar para Riviera e me perguntou se faria sol no fim de semana. Eu respondi que não sabia nem em quanto o dólar ia fechar. Como saberia se faria sol na Riviera? Ela me falou que eu era o Ogro de Wall Street. Gostei e criei um avatar com esse perfil na internet”, concluiu.