Davos 2019: 10 fatos sobre a conferência que marca a estreia internacional de Bolsonaro

Há quase 50 anos, sempre no mês de janeiro, uma cidade em uma região montanhosa da Suíça acaba atraindo uma série de pessoas muito importantes como líderes mundiais, chefes e grandes empresas e uma série de celebridades. Essa cidade é Davos, sede do Fórum Econômico Mundial. Neste ano, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, participa do evento. É o seu primeiro compromisso internacional desse tipo.

Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

Crédito: O Presidente da República, Jair Bolsonaro,durante reunião do Conselho Internacional de Negócios no Fórum Econômico Mundial em Davos (Crédito da imagem: Alan Santos/PR )

O futuro do Brasil no que tange às relações internacionais ainda é incerto, pois uma série de mensagens conflitantes espalhadas entre os órgãos do governo acabam por gerar muitas dúvidas. Contudo, a participação de Bolsonaro no evento em Davos pode dar algumas pistas acerca do que o novo governo pretende fazer no campo econômico.

O Presidente da República, Jair Bolsonaro,durante reunião do Conselho Internacional de Negócios no Fórum Econômico Mundial em Davos (Crédito da imagem: Alan Santos/PR)

Mas, o que significa esse encontro? Por que ele é realizado na Suíça? Qual é o motivo que o faz atrair tantas personalidades importantes no campo da economia e da política? Pensando nisso, o Portal G1 listou 10 fatos importantes para quem deseja saber mais sobre o evento.

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O nome correto não é Davos

Muito embora a maioria das pessoas chamem o evento de “Davos”, na realidade, a reunião que se realiza sempre em janeiro é denominada Fórum Econômico Mundial (FEM). O nome Davos é simplesmente o do resort suíço em que a reunião é realizada.

O problema é que o prestígio do evento junto ao nome da cidade acabou gerando uma série de eventos “rivais”, que tentaram se apropriar da importância que tem esse nome. Assim, várias conferências surgiram com o nome “Davos” disto ou daquilo.

No ano passado, uma conferência de investimentos saudita recebeu o apelido de “Davos no deserto”. Algum tempo depois, o FEM acabou reagindo e advertiu o mundo de que utilizaria todos os meios possíveis para proteger a marca “Davos” contra qualquer tipo de apropriação ilícita.

O Presidente da República, Jair Bolsonaro,durante reunião do Conselho Internacional de Negócios no Fórum Econômico Mundial em Davos (Crédito da imagem: Alan Santos/PR )

Não se trata de apenas uma conferência

Na realidade, o principal objetivo do FEM é melhorar a situação mundial. O grupo, sem fins lucrativos, se reúne em uma conferência em Davos, em que ocorrem longos discursos e sessões sobre os mais diversos assuntos, desde as principais perspectivas para a economia global até mesmo gerenciamento do estresse.

O fato é que a maior parte das pessoas que participam da reunião não têm como objetivo assistir as sessões, mas aumentar a sua rede de contatos. Essa é uma excelente oportunidade para quem tem esse objetivo, pois em um curto espaço de tempo, um grande volume de reuniões é realizado com políticos, jornalistas e chefes de grandes empresas.

Os encontros do FEM acontecem até tarde da noite e incluem jantares, festas e bebidas, tudo pago pelas empresas que participam do fórum.

As reuniões podem gerar ações

O FEM foi iniciado em 1971, quando Klaus Schwab convocou a conferência para a discussão de práticas de gestão global. Hoje, o evento possui um papel bem mais amplo, contudo, vários críticos apontam que se trata apenas de uma conversa.

O fato é que, em um cenário isolado em Davos, os políticos têm uma valiosa chance de realizar encontros mais afastados e com certa distância do público em geral.

As primeiras reuniões ministeriais das Coreias do Norte e do Sul foram realizadas em Davos no ano de 1989. Além disso, no ano passado os primeiros-ministros da Grécia e da Macedônia utilizaram o evento para se encontrar frente a frente pela primeira vez em sete anos, fato que abriu as portas para que uma disputa de 27 anos acerca do nome da Macedônia fosse encerrada definitivamente. Recentemente, o país que faz divisa com a Grécia acabou aceitando modificar o seu nome para Macedônia do Norte.

Apenas as empresas pagam para participar 

Entre os diversos participantes do FEM, apenas as empresas é que precisam desembolsar algum valor para participar. Os demais participantes recebem convites gratuitos.

O valor cobrado das empresas é de 27 mil francos suíços por pessoa, o que é equivalente a cerca de R$ 101 mil. Mas não é só isso.

Apesar de ser algo caro, os principais membros ainda têm acesso às sessões privadas com os demais integrantes do setor. Além disso, esse grupo ainda conta com um luxo que não é dado aos demais participantes do fórum: um carro com motorista à disposição para os deslocamentos pela cidade. Alguns dizem que vale a pena pagar o preço por esse conforto.

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante reunião do Conselho Internacional de Negócios no Fórum Econômico Mundial em Davos. (Crédito da imagem: Alan Santos/PR)

Durante a conferência, os crachás são codificados por meio de cores

Apesar de um dos grandes pontos de discussão no FEM ser justamente a desigualdade no mundo, o sistema de identificação adotado no evento mostra que está longe de conceder a igualdade de tratamento a todos os participantes.

Isso acontece, pois, cada participante recebe um crachá colorido que dá acesso a determinados setores dentro do evento.

Os convidados de perfil mais alto recebem um crachá branco que possui um holograma. Esse distintivo acaba lhes concedendo acesso a todos os lugares, inclusive as reuniões especiais que ocorrem durante o evento e que contam com bastidores extremamente exclusivos.

Os cônjuges dos participantes e os jornalistas recebem crachás com cores diferentes, cada um com um nível de acesso. O mais baixo é um crachá de “hotel”, que não permite ao portador nem mesmo entrar no centro de conferências, mas que dá acesso às festas noturnas, por exemplo.

Há muitos homens

Ao longo dos 49 anos em que a reunião é realizada em Davos, o número de homens supera ­– e muito – o número de mulheres, mesmo que exista um sistema de cotas para as grandes empresas, que devem levar pelo menos uma mulher a cada grupo de cinco pessoas.

A expressão “Davos Man” (ou “Homem da Davos”) é comumente utilizada para descrever aqueles participantes mais ilustres: homens poderosos e ricos da elite, muitas vezes vistos como fora da sintonia com o mundo real.

Na realidade, esse é apenas mais um reflexo de algo que acontece com bastante frequência no mundo dos negócios e da política: o predomínio dos homens nos cargos mais altos. Contudo, a situação tem melhorado ao longo dos anos.

Em 2019, 22% de todos os participantes são do sexo feminino. O resultado ainda não é considerado ótimo, mas já representa o dobro do quantitativo apurado em 2001, por exemplo.

Não se trata de uma multidão jovem

É interessante observar que leva certo tempo para que alguém consiga atingir o topo e seja convidado para Davos. Essa conclusão pode ser retirada do fato de que a idade média dos participantes é mais elevada: cerca de 54 anos para os homens e 49 anos para as mulheres.

É claro que há algumas exceções, como é o caso da fotógrafa de vida selvagem Skye Meaker, que possui apenas 16 anos e é a participante mais jovem deste ano. Por outro lado, o participante mais velho é o apresentador britânico David Attenborough, que possui 92 anos.

O Presidente da República, Jair Bolsonaro,durante reunião do Conselho Internacional de Negócios no Fórum Econômico Mundial em Davos. (Crédito da imagem: Alan Santos/PR)

Davos tem a sua própria linguagem

Entre as marcas registradas da conferência está o uso de jargões corporativos complicados. Aquilo que alguém quer realmente dizer pode ser um grande mistério, até mesmo para os observadores mais atentos da FEM.

O tema da conferência em cada ano é, muitas vezes, considerado um enigma. Neste ano, por exemplo, o tema escolhido é “Globalização 4.0: Moldando uma arquitetura global na era da quarta evolução industrial”.

Mas, o que significa isso realmente? Só será possível saber com o desenrolar do evento.

A segurança é bastante reforçada

Com um grande número de participantes de alto perfil, como príncipes, chanceleres e premières, a segurança em Davos durante o FEM é bastante reforçada.

Atiradores de elite ficam posicionados nos telhados de prédios e construções e há uma espécie de “zona segura” em que só se entra com o crachá correto. Sempre que alguém entra no principal centro de conferências precisará passar por um procedimento semelhante ao de entrada na sala de embarque de um aeroporto, pois deverá retirar seu casaco e passar seus pertences por um escâner para depois guardar tudo novamente.

A tradição do gorro azul

Apesar do alto padrão dos participantes, um dos itens mais valiosos do evento é distribuído gratuitamente para todos: trata-se do tradicional gorro de malha azul brilhante distribuído pela Zurich Insurance.

O interessante é que quase todos os participantes levam esse gorro para casa. Assim, se um dia você encontrar com alguém que esteja com um deles na rua, pode ter certeza que essa pessoa faz parte do seleto grupo de Davos.

Fonte da notícia: Portal G1.