Dasa (DASA3) fará parceria com Covaxx para testes de vacina contra Covid-19

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site A Gazeta

A rede de laboratórios brasileira Dasa anunciou, nessa quarta-feira (9), parceria com a americana Covaxx do Brasil (grupo United Biomedical), para a conclusão das fases II e III de uma vacina contra o Covid-19.

A união empresarial prevê, ainda, a doação, pela Dasa, de R$ 15 milhões para que a Covaxx mantenha o desenvolvimento de pesquisas de imunização no país, divulgou o Estadão.

A previsão é de que a Dasa realize testes em hospitais públicos e privados, até o final deste ano, cujos resultados devem sair em novembro próximo. Já a confirmação da eficácia de proteção do medicamento deverá demandar um prazo de 12 a 24 meses.

No momento, o laboratório está definindo os respectivos protocolos e como serão distribuídos os testes no país, com prioridades para os estados com maior número de casos confirmados.

Confirmação de eficácia

O objetivo é ter os resultados de testes da fase 1 em novembro e começar a encontrar voluntários para as fases seguintes em dezembro — processo que deve durar de 12 a 24 meses para confirmar a eficácia da proteção.

Também foi realizado um acordo para que as 10 milhões de primeiras doses se destinem a redes particulares, uma vez que a rede pública já dispõe de 15 milhões de doses garantidas. De qualquer modo, o medicamento precisará passar pelo crivo das agências reguladoras.

Segundo a Covaxx, a nova vacina é baseada em peptídeos sintéticos de precisão, que são cadeias pequenas de aminoácidos sintetizadas em laboratório, ou seja, não contém partículas do vírus.

“Estamos muito confiantes nessa vacina e ela é feita para ser segura também em humanos”, destacou o presidente da Covaxx, Mei Mei Hu. Ele adianta que “outras 50 milhões de doses serão destinadas à população brasileira”.

Voluntários em Taiwan

Antes de chegar ao mercado nacional, porém, a vacina da Covaxx está passando pela fase 1, que conta com 60 voluntários em Taiwan. Administrada em duas doses, a vacina demanda um intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda aplicações.

Outra vacina – desenvolvida pela anglo-sueca AstraZeneca, em conjunto com a britânica Universidade de Oxford – a partir do adenovírus extraído de chimpanzés, teve de ser suspensa, por conta de problemas colaterais apresentados por um voluntário de testes.

Outra pesquisa, que uniu os laboratórios Moderna e Pfizer – em parceria com a BioNTech –   desenvolve imunizações, a partir do mRNA do coronavírus.

Anticorpos neutralizadores

Embora a vacina desenvolvida pela Covaxx ainda não esteja aprovada pelas autoridades, dados da empresa dão conta de que os anticorpos neutralizadores produzidos por ela chegam a 32 mil.

“Um dos pontos mais importantes é que a vacina tem escala de produção à altura das necessidades de imunização da população”, acentua o cofundador e vice-presidente do conselho da Covaxx, Peter Diamandis.

O executivo acrescenta que a plataforma da vacina é a mesma utilizada pela Covaxx e possui capacidade para produzir 5 bilhões de doses de vacinas, nesse caso para doenças de animais.

De acordo com o diretor-executivo da Dasa, Emerson Gasparetto, além da doação da empresa, MRV, Localiza e Banco Inter vão contribuir com R$ 15 milhões adicionais, o que totaliza R$ 30 milhões para a iniciativa.

“Garantimos 10 milhões de doses para Dasa e Mafra para distribuição ao mercado privado brasileiro, após aprovação dos órgãos reguladores.