Dados chineses, dos EUA, balanços e Covid-19 movimentam semana

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Foto: china-economic-min

Após recuperar parte das perdas acumuladas ao longo de 2020 antes da Páscoa, os investidores devem ingressar essa semana com cautela redobrada.

Semana passada, o Ibovespa registrou alta de 11,7%, enquanto o S&P 500 avançou 12,1%, o Nasdaq valorizou-se 10,6% e índice Dow Jones subiu 12%.

No Ibovespa, foi o maior ganho semanal desde fevereiro de 2016 e, para o S&P, a maior expansão desde 1974.

Dessa forma, o principal índice da bolsa brasileira reduziu suas perdas a 31,57% este ano.

Os avanços nos mercados acionários foram impulsionados por notícias pontuais sobre a queda no avanço de casos de Covid-19, pela injeção de US$ 2,3 trilhões pelo Federal Reserve e pelo iminente acordo para redução na produção de petróleo – o que se concretizou neste domingo.

Para essa semana, uma agenda intensa de indicadores será divulgada na China e nos Estados Unidos.

Balanços

Adicionalmente, começa a safra corporativa do primeiro trimestre nos EUA, quando os primeiros resultados da pandemia do novo coronavírus estarão refletidos nos balanços.

Segundo estimativas da FactSet, reportadas pela CNN Business, os lucros das empresas do S&P 500 devem cair 10% no primeiro trimestre em comparação com o ano anterior.

Dessa forma, este seria o pior desempenho desde a queda de mais de 15% observada no terceiro trimestre de 2009.

Entre as empresas a divulgar resultados estão JPMorgan, Wells Fargo, Goldman Sachs, Citigroup, Morgan Stanley, BlackRock, Delta Air Line e J&J.

Covid-19

Entretanto, devem ser os dados sobre o números de mortes e infectados globalmente pelo Covid-19 que irão determinar os rumos do mercado.

Reduções poderão ter efeitos positivos no humor dos investidores, assim como o contrário tem capacidade de piorar as expectativas.

Enquanto a duração da pandemia seguir desconhecida, assim como a falta de uma vacina e de um medicamento eficazes contra o vírus, a palavra de ordem nos mercados será cautela.

Veja os destaques da semana:

China

Na terça-feira, dia 14 de abril, sairão os dados da balança comercial da China.

Já na quinta-feira, dia 16, uma nova bateria de indicadores será divulgada, com destaque para o Produto Interno Bruto (PIB) – cuja previsão é de queda de até 10% no primeiro trimestre.

Outros dados, do dia 16, serão os de produção industrial, investimentos em ativos fixos e taxa de desemprego na China.

EUA

Nos Estados Unidos, a agenda econômica também será muito agitada.

Na terça-feira, dia 14, serão conhecidos os dados de preços de bens importados e exportados.

Quarta-feira, dia 15, serão divulgadas as vendas do varejo, o Índice Empire State de atividade industrial, estoques de empresas e, por fim, o Livro Bege – documento publicado pelo Fed com informações qualitativas sobre a situação da economia americana.

Já quinta-feira, dia 16, as atenções se voltam ao próximo relatório de pedidos iniciais de seguro-desemprego.

Na semana encerrada no dia 4 de abril, mais 6,6 milhões novos pedidos foram encaminhados, elevando, assim, o total para 16 milhões na três semanas derradeiras do impacto do novo coronavírus na economia americana.

Brasil

Por aqui, a semana começa com uma provável nova revisão para baixo nas projeções para a queda do PIB este ano pelos economistas consultados pelo Boletim Focus do Banco Central.

Semana passada, o mercado passou a prever uma redução de 1,18% do PIB para este ano, ante 0,48% de uma semana antes. Confirmada expectativa, será nona semana consecutiva de redução.

Já na terça-feira, dia 14, o Banco Central irá divulgar a chamada prévia do PIB, o índice IBC-Br, referente a fevereiro.

Como será um indicador passado, pois a crise do Covid-19 se intensificou em março, será mais uma leitura de uma realidade econômica atualmente inexistente.

Por fim, na economia, sairá no dia 15, a inflação medida pelo IGP-10.

Política

Enquanto isso, na política, as expectativas se voltam à votação da PEC batizada de “Orçamento de Guerra” pelo Senado, que está na pauta da Casa nesta segunda-feira, dia 13.

Após ser aprovada sem muitas dificuldades pela Câmara na semana passada, o texto pode enfrentar maiores resistências, já que alguns senadores questionam a necessidade de alteração da constituição para o enfrentamento da pandemia do coronavírus.

Petróleo

Adicionalmente, os investidores devem acompanhar os desdobramentos na cotações dos preços do barril do petróleo após a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de redução da produção.

Apesar de reagir positivamente, a expectativa é de que os preços da commodity se mantenham em baixa, em meio ao recente aumento da oferta e desaceleração econômica global.