D1000 (DMVF3): braço varejista da Profarma estreia na B3 em agosto

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A bolsa brasileira vai ganhar, nas próximas semanas, mais uma rede de farmácias. A d1000 (DMVF3), braço varejista do Grupo Profarma, está com IPO (oferta inicial de ações) previsto para 10 de agosto.

A empresa faz sua estreia no mercado de capitais depois de um logo e doloroso período de reestruturação.

A d1000 surgiu em 2013, depois que os donos da Profarma, uma distribuidora de medicamentos, decidiu verticalizar sua operação. Para isso, pretendia comprar farmácias pequenas de antigos clientes.

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O plano do CEO e controlador da Profarma, Sammy Birmarcker, parecia perfeito, mas foi um enrosco. Foi preciso investir muito mais dinheiro e energia do que ele imaginava.

Com isso, amargou cinco anos de prejuízo até voltar ao lucro no ano passado.

Agora, com o IPO, a Birmarcker quer reforçar e ampliar a atuação do grupo no setor varejista.

A empresa fará sua estreia no Novo Mercado com o objetivo de captar R$ 645,6 milhões com a oferta.

  • Neste texto, você vai conhecer mais sobre essa empresa que está perto de lançar suas ações no mercado. Nas próximas semanas, traremos mais informações sobre outras “Novatas da Bolsa”. Ao menos 12 estão com IPOs engatilhados.
D1000 (DMVF3): conheça a empresa farmacêutica que faz IPO em agosto

Drogasmil foi comprada pela d1000 Foto: Divulgação

Conheça a d1000

A d1000 Varejo Farma Participações é o braço de varejo do Grupo Profarma (PFRM3). Ela reúne marcas do varejo farmacêutico, como Drogasmil, Farmalife, Drogarias Tamoio e Drogaria Rosário.

São aproximadamente 196 lojas, distribuídas pelo Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

Constituída em 2013, a d1000 é a segunda maior rede em número de lojas do Rio, a sexta maior rede de varejo farmacêutico do Brasil e a líder do varejo farmacêutico do Centro-Oeste do país. No total, tem 3,6 mil colaboradores.

A empresa compra exclusivamente da sua controladora todos os produtos que comercializa e que sejam distribuídos também por ela.

Com 59 anos no mercado, a Profarma é uma distribuidora de produtos farmacêuticos, higiene e beleza. Tem 11 centros de distribuição em vários Estados e mais de 2,6 mil colaboradores.

A Profarma é controlada pela família Birmarcker, que fundou a companhia no Rio de Janeiro em 1961. Manoel Birmarcker, o patriarca, passou o comando geral da empresa para seu filho, Sammy Birmarcker, que hoje é o diretor presidente da Profarma.

A distribuidora está na bolsa desde 2006.

Em 2013, a companhia decidiu entrar no varejo, com a compra da Drogasmil e da Farmalife, dando origem à d1000. Na época, foram investidos R$ 87 milhões.

 

Sammy Manoel Birmarcker e Manoel Birmarcker no IPO da Profarma

Sammy e Manoel Birmarcker no IPO da Profarma em 2006

Os números da d1000

No ano passado, a d1000 registrou uma receita líquida de R$ 1,2 bilhão. O resultado representa uma queda em relação ao ano anterior, por causa da redução no número de lojas.

Nesse período, no entanto, o Ebitda avançou 13,6%, atingindo R$ 25,2 milhões.

A empresa ressalta nos resultados aumento no faturamento médio por lojas de 1,7%, que atingiu R$ 512 mil, por conta de melhorias operacionais.

Com dificuldade para integrar as empresas adquiridas na d1000, a Profarma registrou cinco anos de prejuízo e só voltou a lucrar em 2019 (R$ 16 milhões).

No quarto trimestre do ano passado, a empresa já estava mais confortável financeiramente e reportou um lucro líquido de R$ 21 milhões.

No primero trimestre deste ano, a d1000 registrou lucro de R$ 85,9 milhões, Ebitda de R$ 4 milhões e margem Ebitda de 1,47%.

O número de lojas abertas nos últimos anos tem diminuído. Foram 225, em 2017; 204 em 2018 e 196 no ano passado.

Em março. a d1000 tinha R$ 59 milhões em caixa e R$ 205 milhões de dívida líquida.

Dados do prospect da d1000

Dados do prospect da d1000

Sobre o IPO

A realização do IPO da d1000 (DMVF3) foi aprovada pelo conselho de administração da Proforma em 17 de julho. A expectativa é que o IPO seja feito em 10 de agosto.

A faixa de preço da ação vai de R$ 17 a R$ 20,32. Serão vendidas pela d1000 23.536.205 ações ordinárias. Mas há ainda a possibilidade de ser acrescida em até 20% (ações adicionais) e em até 15% (ações suplementares).

O objetivo da d1000 é levantar cerca de R$ 645,6 milhões com a oferta. O valor mínimo de investimento é de R$ 3 mil.

Para assegurar a condição de acionista controladora, a Profarma continuará sendo titular de mais de 50% das ações ordinárias da d1000 após a conclusão da oferta inicial.

O IPO está sendo coordenado pela XP investimentos e pelo BB investimentos. 

Objetivos a longo prazo

O IPO da d1000 será inteiramente primário. Assim, os recursos levantados serão direcionados ao caixa da companhia. Eles serão usados para: amortizar dívidas, abrir novas lojas e reforçar o capital de giro.

Segundo a empresa, os objetivos são o crescimento de receita e a busca por maior eficiência operacional. “Visando a atingir a liderança no mercado de drogarias nos estados em que atuamos”. No prospecto do IPO, a d1000 detalha suas estratégias:

  • Alavancar vendas. A d1000 planeja consolidar a atuação nos mercados em que atua por meio do crescimento orgânico, com a abertura de novas lojas e aumento das vendas por loja, ampliando a cobertura geográfica e permitindo um aumento de market share;
  • Ampliação da área de vendas das lojas. O foco da d1000 é ampliar a área das lojas existentes, aumentando assim o mix de produtos. Estudos internos mostraram que existe um aumento considerável do faturamento de farmácias com área menor do que 90 m² em função da maior diversidade de produtos ofertados. Assim, eles pretendem ampliar a área de vendas destas lojas para aumentar o ticket médio e o faturamento;
  • Expansão de marcas próprias. A d1000 tem as marcas Nº21, GOnutri e Bem Básico, lançadas a partir de 2014. Segundo eles, os produtos trazem rentabilidade superior aos concorrentes e agregam diferenciação. Em 31 de março de 2020, os produtos de marcas próprias representavam 6,2% do autosserviço da rede. Assim, a d1000 enxerga uma oportunidade considerável de crescimento com a entrada em categorias relevantes que ainda não participam;
  • Produtividade e tecnologia. O objetivo é buscar ferramentas que viabilizem a digitalização de processos internos, visando ganho de produtividade, acuracidade e segurança da informação. Isso inclui aplicativo de recursos humanos, BI, aplicativo para fluxo de ofertas e auditoria de execução de negociações de trade.