Cyrela (CYRE3) de volta ao radar do mercado: entenda por quê 

Naiana Oscar
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Divulgação / Plano&Plano estreia em alta na bolsa

A Cyrela (CYRE3), uma das maiores e mais tradicionais incorporadoras do mercado brasileiro, está de volta ao radar dos investidores. 

Desde março, quando a pandemia chegou com tudo, a empresa vinha ficando de fora das listas de ações recomendadas pelas corretoras. Em julho, ela retomou posição com quatro indicações. 

O interesse dos investidores coincide com um certo otimismo do mercado com o setor imobiliário.  

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Os papéis da empresa subiram 116% desde o tombo da bolsa, no dia 23 de março. Na última sexta-feira, 10, as ações fecharam em R$ 28,03. No entanto, ainda não retomaram o patamar pré-crise, de R$ 33 por ação. 

Ações da Cyrela em 2020

Ações da Cyrela em 2020 Fonte: Bloomberg

O Credit Suisse iniciou neste mês a cobertura de setor imobiliário com recomendação de compra para a Cyrela. O banco também tem uma visão otimista para as incorporadoras.

“Vemos potencial de valorização sobrando para as construtoras brasileiras, uma vez que os investidores estão precificando níveis demasiadamente baixos de lançamentos”, diz  o relatório. 

 IPOs à vista 

Na semana passada, a Lavvi Empreendimentos Imobiliários, subsidiária integral da Cyrela, protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) seu pedido para uma  oferta pública inicial de ações (IPO).  

A Cyrela tem uma fatia de 45% na Lavvi, que atua desde 2016 em São Paulo. A empresa já lançou oito empreendimentos, de médio e alto padrão, que somam R$ 1,1 bilhão em valor geral de vendas (VGV).  

Além da Lavvi, outras subsidiárias da Cyrela estão se preparando para abertura de capital na B3. Uma delas, segundo o Valor Econômico, é a Plano&Plano, que tem uma joint venture com a Cyrela para atuar no Minha Casa Minha Vida.  

A Cury, incorporadora de baixa e média renda que também tem a Cyrela como sócia, registrou seu pedido na CVM em fevereiro. 

Fundada em 2007, a empresa é resultado de uma joint venture entre a antiga Curi Engenharia e a Cyrela, que tem participação de 48,25% no negócio. 

No ano passado, a Cury lançou 14 empreendimentos com valor geral de vendas (VGV) de R$ 1,14 bilhão.   

O movimento das subsidiárias é visto pelo mercado como uma forma de capitalizar a Cyrela. Além disso, tem  potencial para impulsionar o preço da companhia, já que hoje esses ativos não são considerados pelo investidor individualmente. 

Alta renda e juros baixos 

Além dos IPOs, os outros dois fatores que podem impulsionar Cyrela neste momento são o foco em empreendimentos de média e alta renda e a queda da taxa de juros. 

Com a Selic em 2,25% ao ano, a expectativa é de que haja um aumento do financiamento imobiliário. 

“Além disso, não falta dinheiro para quem compra alta renda”, diz Mario Mariante, analista chefe da Planner. “Mesmo na crise, esses segmentos tendem a performar bem.” 

No início deste mês, ao recomendar as ações da Cyrela, a Guide explicou que segue otimista com a companhia por ver que ela mantém o foco em geração de caixa, redução de estoque e melhoria de eficiência. 

“ Do lado macro, diante da recuperação da economia, espera-se que as menores taxas de juros do financiamento imobiliário e a melhora da confiança do consumidor, beneficiem o setor imobiliário.’

Olhando para frente 

No primeiro trimestre, a Cyrela registrou lucro líquido de R$ 27,9 milhões, um recuo de 42% em relação ao mesmo período de 2019. 

Entre janeiro e março, a empresa lançou 25 novos projetos, no valor de R$ 1,6 bilhão. Isso representa um aumento de 200% em relação ao ano passado. 

“A Cyrela vinha em  recuperação desde 2019, aproveitando a taxas de juros mais baixas e o ambiente favorável para o setor”, lembra Mariante. “Veio a pandemia e mudou o quadro todo.” 

Ele lembra, no entanto, que a empresa conseguiu se manter rentável no primeiro trimestre, apesar da crise que se instalou em março. “No segundo trimestre, sabemos que o resultado vai ser ruim para todo mundo. Estamos olhando para frente.”