Cyrela (CYRE3): subsidiária Cury Construtora retoma pedido para IPO

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução / Facebook / Lavvi

A Cyrela (CYRE3) informou neste sábado (25) que a Cury Construtora e Incorporadora retomou o pedido de registro de oferta pública primária e secundária na B3 – Brasil, Bolsa, Balcão.

Em fato relevante publicado pela Cyrela, a companhia informa que detém atualmente participação correspondente
a 48,25% da Cury, o que representa cerca de 2,22% de seu patrimônio consolidado.

Ainda conforme a Cyrela, o pedido de oferta indica a adesão da companhia ao segmento especial de governança corporativa da B3 – o Novo Mercado.

A Cury foi constituída em 11 de outubro de 2007, com o objetivo de desenvolver projetos no segmento “Minha Casa, Minha Vida” e econômico nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Prospecto Cury

No documento arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informou que no ano passado teve um total de 14 lançamentos realizados.

Este montante representou um total de R$ 1,140 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV), dos quais R$ 923 milhões referem-se aos lançamentos e o restante referente à participação de parceiros.

Lucratividade

Segundo o prospecto, a Cury registrou um lucro líquido de R$ 204,057 milhões no ano passado, ante R$ 176,01 milhões de 2018 e R$ 128,77 milhões de 2017.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 251,194 milhões no ano passado, ante R$ 209,136 de 2018 e R$ 152,746 milhões de 2017.

A receita líquida atingiu R$ 1,019 bilhão no ano passado, R$ 920,253 milhões em 2018 e R$ 814,385 milhões em 2018.

A dívida líquida da Cury totalizou R$ 27,377 milhões no ano passado, R$ 33,365 milhões em 2018 e R$ 10,943 milhões em 2017.

Fatores de risco

Entre os fatores de risco informados estão a dificuldade de obtenção de terrenos atraentes, assim como uma valorização de seus preços, elevando os custos de vendas e reduzindo o lucro.

Outros pontos são o aumento da concorrência nas faixas do Programa Minha Casa Minha Vida, a redução da liquidez no setor imobiliário e os riscos de inadimplência nos financiamentos oferecidos pela companhia.

Destinação dos recursos

A companhia informou ainda que pretende utilizar os recursos líquidos provenientes da oferta primária para a aquisição de terrenos.

Outros IPOs

O pedido de IPO se segue a outro solicitado da Lavvi Empreendimentos Imobiliários, subsidiária integral onde a Cyrela tem uma fatia de 45% e atua no segmento de médio e alto padrão.

Além desses, está em análise na CVM também a Plano & Plano Desenvolvimento Imobiliário, da qual é acionista, solicitou pedido de registro categoria A à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para oferta pública primária e secundária de ações no mercado brasileiro (IPO).

A empresa tem como foco a incorporação e construção de empreendimentos residenciais do Programa Minha Casa Minha Vida, no segmento de baixa renda, principalmente na região metropolitana de São Paulo.

A diretoria da Cyrela também aprovou a venda de ações de sua titularidade no IPO. A companhia possui 50% do capital social da Plano & Plano, que por seu lado representa 1,21% do patrimônio líquido da Cyrela.

O movimento das subsidiárias é visto pelo mercado como uma forma de capitalizar a Cyrela. Além disso, tem potencial para impulsionar o preço da companhia, já que hoje esses ativos não são considerados pelo investidor individualmente.

Com isso, as ações têm atraído o interesse de investidores pelos papéis, que tinham registrado queda expressiva em março com o surgimento da pandemia de coronavírus. Cotada a R$ 32 em meados de março, a ação despencou para perto de R$ 12 em abril e desde maio vem se recuperando. No fechamento de ontem, estava em R$ 27,54.

Alta renda e juros baixos 

Além dos IPOs, os outros dois fatores que podem impulsionar Cyrela neste momento são o foco em empreendimentos de média e alta renda e a queda da taxa de juros.

Com a Selic em 2,25% ao ano, a expectativa é de que haja um aumento do financiamento imobiliário.

“Além disso, não falta dinheiro para quem compra alta renda”, diz Mario Mariante, analista chefe da Planner. “Mesmo na crise, esses segmentos tendem a performar bem.”

De acordo com a Guide, a Cyrela mantém o foco em geração de caixa, redução de estoque e melhoria de eficiência.

“ Do lado macro, diante da recuperação da economia, espera-se que as menores taxas de juros do financiamento imobiliário e a melhora da confiança do consumidor, beneficiem o setor imobiliário.’

Olhando para frente 

No primeiro trimestre, a Cyrela registrou lucro líquido de R$ 27,9 milhões, um recuo de 42% em relação ao mesmo período de 2019.

Entre janeiro e março, a empresa lançou 25 novos projetos, no valor de R$ 1,6 bilhão. Isso representa um aumento de 200% em relação ao ano passado.

“A Cyrela vinha em  recuperação desde 2019, aproveitando a taxas de juros mais baixas e o ambiente favorável para o setor”, lembra Mariante. “Veio a pandemia e mudou o quadro todo.”

Ele lembra, no entanto, que a empresa conseguiu se manter rentável no primeiro trimestre, apesar da crise que se instalou em março. “No segundo trimestre, sabemos que o resultado vai ser ruim para todo mundo. Estamos olhando para frente.”