Pesquisa da CVM aponta popularização do mercado de capitais

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: CVM

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgou nesta segunda-feira (26) os resultados de uma pesquisa com 5 mil pessoas. Os dados apontam que 40% dos participantes começaram a investir nos últimos 5 anos.

De acordo com a comissão, a participação do público investidor foi marcante na pesquisa. O levantamento começou a ser feito em setembro, a respeito dos Requisitos para Investimentos em Valores Mobiliários.

Conforme Bruno Luna, chefe da Assessoria de Análise Econômica e Gestão de Riscos (ASA/CVM), uma parcela relevante do público alvo já acessa investimentos mais sofisticados, como criptomoedas, derivativos e investimentos no exterior.

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“O conhecimento sobre a existência de produtos de securitização e private equity, que foram foco na pesquisa, se mostrou elevado. Há interesse desse público em acessar esses mercados. É importante destacar que, embora o nível de conhecimento mais profundo sobre ambas as indústrias não tenha sido objeto do questionário nesse momento, observamos que o público investidor em geral possui apetite por mais risco e diversificação de sua carteira de investimentos”, comentou Bruno.

De acordo com Karl Pettersson, analista responsável pelo estudo na ASA, outro ponto destacado é a escolaridade. A maior parte dos investidores que respondeu a pesquisa possui formação superior (quase 70%).

“Mesmo com esse número alto, conseguimos atingir todos os níveis de escolaridade e faixas de renda”, comentou o analista. 

Para ele, é clara a popularização do mercado de capitais brasileiro. “Isso é perceptível quando 40% dos participantes afirmam ter começado a investir nos últimos 5 anos”, disse.

O meio digital é um dos principais canais de acesso aos investimentos, como sites e aplicativos de corretoras. Conforme Pettersson, isso aponta para um perfil de investidor mais autônomo.

Outros dados da pesquisa

Por outro lado, de acordo com a CVM, o estudo trouxe à luz um dado impactante: apenas 11% dos participantes são do sexo feminino.

“Isso demonstra uma concentração ainda muito forte de homens no nosso público investidor. Com certeza temos ainda um longo caminho pela frente, no sentido de atrair e engajar mais o público feminino, uma vez que o tema possui reflexos relevantes em diversos aspectos da vida”, afirmou Bruno Luna, Chefe da ASA/CVM.

Além disso, com 65%, a Região Sudeste foi a de maior participação. Em seguida, a Região Sul, com apenas 16%.

CVM

Próximos passos

A ASA/CVM fará um levantamento mais detalhado dos diversos perfis de respondentes e suas características. 65.8% dos investidores disponibilizaram contato para esclarecimentos e colaborar futuramente.

Por fim, Bruno Luna destaca que a área também está estudando regras em outros mercados. Ainda mais, também há estudos sobre a literatura econômica sobre formação de poupança e decisão de investimento. 

“Nosso objetivo é concluir e divulgar o estudo de Análise de Impacto Regulatório ainda este ano e realizar uma discussão mais ampla sobre futuros movimentos regulatórios relacionados às atuais regras e restrições de acesso aos diversos tipos de valores mobiliários, o que pode contribuir decisivamente para a canalização de poupança para o mercado de capitais e, consequentemente, o financiamento da economia”, concluiu.