CVM: movimento de investidor para renda variável requer proteção

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Financeone

A proteção do investidor é fundamental, sobretudo num momento em que se debatem conflitos de interesse que podem envolver modelos de negócio de intermediários (bancos e corretoras) e seus clientes.

Com esse objetivo foi desenvolvida a proposta de nova Análise de Perfil do Investidor (API), como resultado do acordo de cooperação científica e técnico-científica entre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead/UFRJ).

Aprimorar regulação

A avaliação de especialistas é de que a nova proposta permitirá à CVM, inclusive “aprimorar sua regulação, visando proteger os investidores de receberem ofertas de investimento incompatíveis com os seus perfis, necessidades e objetivos”.

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A nova API também deverá fazer a verificação de suitability por exigência regulatória e para fins comerciais, defendida pelo pesquisador Ronaldo Deccax, sob orientação do Prof. Carlos Heitor Campani, Ph.D.

Caráter de urgência

“Este panorama confere um caráter de urgência e de importância ainda maior para um dos objetivos perenes mais relevantes que a CVM possui, que é a proteção do investidor”, destaca Deccax, ao acrescentar que essa “é uma necessidade evidente do mercado”.

Na autarquia, a pesquisa contou com a contribuição da Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI) e suas gerências, inclusive facilitando a distribuição do questionário para os intermediários.

A iniciativa também recebeu apoio da Superintendência de Proteção e Orientação aos Investidores (SOI), por meio do Centro de Estudos Comportamentais e Pesquisa (CECOP).

Movimento intenso

A queda da taxa básica de juros (Selic) precipitou um movimento intenso de novos investidores para a renda variável, inclusive na bolsa de valores, o que chamou a atenção do “xerife do mercado”, em especial naqueles casos em que não há perfil adequado e preparo desse investidor.

Estudar a API, comenta Deccax, “é de grande interesse comercial para bancos, corretoras e assessorias de investimentos, pois os auxiliará a captar e fidelizar investidores por meio de um atendimento segmentado de forma muito mais eficiente e eficaz”.

Tese dá frutos

A tese da API originou três artigos acadêmicos, um deles já publicado no International Journal of Economics and Business Research, em 2019.

O debate com intermediários financeiros – sobre os resultados alcançados e implicações e oportunidades para maior proteção e melhor atendimento aos investidores – marca a próxima prevista no acordo de cooperação, explica o superintendente da SMI/CVM, Francisco Bastos.

A partir de agora, a pesquisa será conduzida pelo Prof. Carlos Heitor Campani, Ph.D., e pelo agora Doutor Ronaldo Deccax, D.Sc., com apoio da CVM.