CVC (CVCB3) informa sobre capitalização, erros contábeis e pandemia

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação/ CVC

A CVC anunciou nesta terça-feira (7) que está finalizando os termos e condições definitivos de uma operação de capitalização da companhia.

A operação tem o objetivo de fortalecer sua posição financeira diante dos desafios impostos pela pandemia de Covid-19.

De acordo com a CVC, até o presente momento, não foi possível finalizar a elaboração dos resultados do exercício social de 2019 e das informações financeiras intermediárias do primeiro trimestre de 2020.

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Sendo assim, a companhia entende que para estruturação de capitalização tornam necessária a divulgação de informações atualizadas acerca do processo de revisão e conciliação dos erros contábeis identificados pela companhia, e dos impactos da pandemia de Covid-19 em suas atividades.

Erros contábeis

Em fevereiro, a CVC constatou indícios de erros na contabilização de valores transferidos aos fornecedores de serviços turísticos referentes às receitas próprias de tais fornecedores.

Na ocasião, a companhia informou que o impacto potencial estimado dos referidos ajustes na receita líquida de vendas da Companhia era de R$250 milhões, considerando os exercícios sociais de 2015 a 2019.

Apesar de não ter finalizado as demonstrações contábeis, a CVC informou que a revisão terá impacto de R$ 350 milhões na receita líquida e inclui exercícios anteriores a 2015 até 2019.

Por fim, a Companhia estima que em virtude desses erros, possa ser possível recuperar cerca de R$ 55 milhões em tributos pagos indevidamente.

Impactos da pandemia na CVC

Conforme a CVC, a redução significativa nas operações ao longo de 2020 e as perspectivas relacionadas à retomada das atividades do setor de viagens e turismo indicam impossibilidade de recuperação de certos ativos, levando ao registro de provisão para impairment, em valor de aproximadamente R$ 475 milhões referentes a ativos intangíveis originados na aquisição de empresas, principalmente na Argentina;

Além de R$81 milhões referentes a créditos de tributos diferidos relativos a prejuízos acumulados e diferenças temporárias que, no atual cenário, dificilmente serão utilizados em um período razoável.

O atual cenário do segmento de viagens e turismo impôs à CVC volume maior de cancelamentos de viagens, que atingiram R$96 milhões até 30 de junho de 2020.

Estes cancelamentos geraram perdas relativas a valores já pagos pela CVC e que não são recuperáveis (relacionados, por exemplo, a comissões e tarifas de cartões de crédito) de aproximadamente R$ 13 milhões.

Adicionalmente, a companhia incorreu em custos de aproximadamente R$ 3 milhões referentes à repatriação de passageiros durante a pandemia de Covid-19;

Houve um incremento da inadimplência de clientes da CVC, no valor de R$ 72 milhões, relativos a saldos em aberto a receber de clientes e franquias, com baixa expectativa de recuperação.

Atualmente, a CVC possui um saldo de R$ 380 milhões junto a companhias aéreas, referentes a bilhetes já pagos e que podem gerar perdas adicionais caso alguma companhia aérea encerre suas operações sem honrar ou transferir estes bilhetes para outra empresa.

Todavia, a empresa ressalta que não é possível no presente momento estimar o potencial de perda envolvido.

Medidas implementadas

A pandemia de Covid-19 teve grande impacto sobre o segmento de viagens e turismo, com severos reflexos nas atividades e nas receitas da CVC.

De acordo com o documento, a CVC vem tomando uma série de medidas voltadas à preservação de sua saúde financeira.

A CVC adotou diversas medidas preservação de caixa e iniciou o planejamento das atividades para retomada dos negócios, incluindo o desenvolvimento e aprofundamento de parcerias comercias e a evolução das ferramentas digitais e de relacionamento com os clientes.

Adicionalmente, com as medidas de redução implementadas, os gastos mensais recorrentes da companhia (folha de pagamento, tributos, investimentos em projetos prioritários e juros da dívida) foram reduzidos para uma média mensal de R$52 milhões ao longo do segundo trimestre deste ano.

A Companhia tem buscado  acomodar as necessidades de seus clientes, oferecendo opções de remarcação de viagens e/ou crédito para os clientes com viagens planejadas para períodos próximos e que não poderão ser realizadas.

Turismo acumula US$ 1,2 tri em perdas na pandemia

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou na semana passada que o prejuízo do turismo por conta da pandemia pode chegar a US$ 1,2 trilhão.

O valor, equivalente a 1,5% do PIB mundial, é reflexo dos quatro meses de interrupção de viagens e outras atividades no setor por causa da pandemia de Covid-19.

Conforme a ONU, o turismo poderia chegar a um prejuízo de US$ 3,3 trilhões caso a interrupção pela pandemia dure 12 meses.

O montante seria equivalente a 4,2% do PIB global.

Brasil

No caso do Brasil, de acordo com a agência da ONU, uma freada de quatro meses não causaria enorme prejuízo. Mas, nos dois cenários menos otimistas, o setor no País perderia o equivalente a 1% do PIB.

O turismo no Brasil já acumula perdas de R$ 88 bilhões até maio.

De acordo com a CNC, as perdas do setor registraram R$ 13,38 bilhões em março e subiram para R$ 36,94 bilhões em abril, chegando a R$ 37,47 bilhões em maio, meses em que houve “uma paralisia quase completa do setor”.

Tá, e aí?

Em relatório, a Eleven referendou que “quando em dúvida, não faça nada”.

Isso porque as ações da CVC apresentaram queda de 50% em 2020 em reflexo dos fundamentos desfavoráveis para setor de turismo e dos erros contábeis mencionados acima.

De acordo com o relatório, foram identificados R$ 1,49 bilhão em efeitos, que apesar de grande parte ser considerado não-caixa, o motante é significativo e material na opinião dos analistas da Eleven, Daniela Bretthauer, Eric Huang e Tales Granello.

Cara ou barata?

A recomendação dos analistas é de que na dúvida os investidores não façam nada neste momento.

“Ou seja, quem não tem ações ainda não devem comprar e quem já tem, não devem vender”, explicaram os analistas.

“No curto prazo, as ações ainda devem apresentar alta volatilidade, sendo a melhor decisão no momento não fazer nada e aguardar o encerramento das apurações”.

Dessa forma, a recomendação segue neutra para CVC, com upside de 1%.

As ações da companhia encerraram o pregão de segunda (6) cotadas a R$ 21,79.