Com queda do minério, analistas divergem sobre papéis da CSN (CSNA3)

José Azevedo
Jornalista especializado em economia.
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A depreciação recente do minério de ferro, que até nesta quinta-feira (23) acumulava queda de mais de 20% apenas em setembro, vem derrubando companhias da área de mineração e siderurgia. A CSN (CSNA3), uma das principais companhias brasileiras do setor, apenas nos últimos trinta dias desvalorizou quase 25% – performance que divide investidores e também analistas.

O BB BI, por exemplo, manteve, em seu último relatório, uma recomendação de compra para a CSN. “Apesar do cenário de cautela para mineração, com as fortes quedas de preço do minério de ferro, sobretudo pela desaceleração do ritmo da atividade siderúrgica na China, entendemos que as perspectivas são de bons resultados para a CSN”, afirmou a analista Mary Silva em relatório.

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Segundo ela, a visão é sustentada pelo preço do aço, ainda elevado no mercado interno, bem como pela demanda aquecida no setor de cimento, com a construção civil ainda resiliente no Brasil, impulsionada pela atividade de construtoras e também por pequenas reformas em residências. 

Além disso, a CSN tem “margens atrativas na mineração, com baixos custos de produção frente aos pares internacionais. “No entanto, após a tonelada superar US$ 230 em meados de maio, os preços de minério vêm passando por forte correção, retomando ao patamar de outubro de 2020”. 

Mary Silva aponta que, apesar das sinalizações do governo chinês, que quer reduzir a produção siderúrgica no país, a CSN continua seguindo seu plano de expansão, que prevê a  multiplicação de sua capacidade instalada para capturar o potencial de crescimento da demanda no longo prazo.

Aço e cimento com demanda aquecida e preço estável para o aço e para o cimento e as “iniciativas da companhia para perpetuidade”, com disciplina financeira e redução da alavancagem, embasam a manutenção da recomendação de compra e ainda a elevação do preço-alvo, que saiu de R$ 31,28 para R$ 46,00.

A agência de risco Moody’s também sinalizou, recentemente, que viu as movimentações financeiras da CSN com bons olhos ao melhorar o rating da companhia de BA3 para BA2.

Além da desalavancagem, a Moody’s citou que levou em conta na decisão a posição de caixa da CSN de R$ 22,2 bilhões de reais no fim de junho, valor que sobe para R$ 25,3 bilhões ao incluir as ações que siderúrgica detém da Usiminas. 

Credit Suisse corta preço-alvo da CSN (CSNA3)

O Credit Suisse também manteve recomendação de compra para CSN, mas, diferentemente do BB BI, reduziu o preço-alvo, ao menos para o braço de mineração, que saiu de R$ 13 para R$ 12. Para a holding, o alvo ficou em R$ 62,50.

A redução do prêmio possível para a ação foi, justamente, causada pela queda de preço do minério de ferro. “Apesar da pressão no minério, ainda vemos o rendimento do fluxo de caixa livre da CSN Mineração em 12% em 2022 (incluindo investimentos de expansão)”, comentou o analista Caio Ribeiro.

Além da geração de caixa, contou também na visão do banco os boatos de a CSN estar estar analisando oportunidades de avançar em novos setores, como no de geração de energia, em uma nova linha de produtos de aço galvanizado e a já mencionada expansão do seu negócio de minério.

Bank of America também corta preço-alvo

Por fim, o Bank of America também rebaixou o preço alvo da CSN de R$ 55 para R$ 45 e da CSN Mineração R$ 11 para R$ 9, apesar de também ter mantido a recomendação de compra para ambos papéis.

A queda do prêmio, segundo o BofA, é justificada também, majoritariamente, por conta da China, com a queda do preço provavelmente influenciando os Ebitdas futuros.

“A China cortar a produção de aço em 10% no segundo semestre é ruim para a demanda do minério e deve gerar excesso da commodity no mercado neste ano”, explicaram. 

A CSN, então, tem o ponto positivo do mercado interno e da desalavancagem mas pesa, na visão dos analistas, a queda da demanda por minério – apesar de os cálculos de quanto isso custará nos próximos balanços divergirem.

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