CSN (CSNA3) informa IPO de Mineração e atualiza projeções

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Divulgação/CSN

A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) informou por meio de fato relevante que pretende realizar oferta pública inicial de ações (IPO) de sua controlada CSN Mineração (CMIN).

A medida visa financiar parte do plano de negócios da CMIN, que tem projetos de expansão para exploração completa do potencial de suasreservas e recursos.

A empresa não informou prazos nem quanto pretende levantar com a oferta.

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Perto das 13h, as ações da CSN caíam 2,26%, cotada a R$ 16,03.

Segundo comunicado, a decisão pelo IPO levou em conta as condições favoráveis e as perspectivas positivas do mercado de minério de ferro. Os recursos também ajudariam no crescimento orgânico da mina de Casa de Pedra.

A companhia, de acordo com plano de negócios, conta com importantes projetos de expansão, que aumentarão não só a sua capacidade de processamento, passando dos atuais níveis de 33 milhões de toneladas por ano para até 108 milhões de toneladas por ano no longo prazo, como também a qualidade do produto entregue que passará da média atual de 62% de teor de ferro para 67%.

Para suportar seu crescimento, a companhia conta, nas suas minas de Casa de Pedra e Engenho, com 5,9 bilhões de toneladas de recursos, dos quais 3,4 bilhões de reservas de minério de ferro de alta qualidade.

São quatro blocos de projetos, que se estenderão por 14 anos e incluem a expansão da Planta Central, a recuperação de rejeitos de barragens, os projetos de Itabirito e a expansão do TECAR. Para estes investimentos a empresa espera um desembolso de R$ 31,3 milhões, sendo que R$ 22,7 bilhões serão apenas para Itabirito.

Para o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi, dada a qualidade da empresa, a oferta de ações deve registrar grande interesse de investidores. Ele vê a operação importante também para a companhia normalizar sua estrutura de capital. Ao final de junho, a CSN tinha uma dívida líquida consolidada de R$ 33,1 bilhões, bem acima do mesmo período do ano anterior, motivada pela variação cambial, sem impacto em caixa, no entanto, por ser de longo prazo e em dólares.

De acordo com o diretor de investimentos da Reach Capital, Ricardo Campos, citado pela Reuters, o IPO da unidade de mineração da CSN tem tudo para ser um sucesso. Será um ‘player puro´ de minério de ferro, com logística integrada, em um mercado que há restrições de oferta e muita demanda, principalmente da China, opiniou.

Projeções da CSN

Além da divulgação da intenção de IPO do seu negócio de mineração, a CSN também atualizou as projeções da companhia para esse ano.

Para o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, no fechamento do ano, a expectativa é de R$ 9,75 bilhões.

A empresa tem também a projeção de dívida líquida/EBITDA ajustado de 2.99x.

E com relação ao Capex, a expectativa é de atingir R$ 1,5 bilhão,

Em 2019, a CSN registrou um Ebitda de R$ 7,251 bilhões. A dívida líquida em relação ao Ebitda foi de 3,74x. E o Capex somou R$ 2,216 bilhões.

De acordo com o Itaú BBA, os guidances superam as expectativas do mercado. A estimativa para o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ficou 9,5% maior do que a projeção da instituição. Assim , a siderúrgica adianta, em um ano, a meta da empresa de ter alavancagem abaixo de 3 vezes.

Recuperação

As informações coincidem com um momento de recuperação do setor siderúrgico e de alta dos preços do aço. Os volumes vendidos estão retomando os patamares pré-pandemia e tem impulsionado a cotação das ações do setor.

De 23 março, início da crise, até a última sexta-feira os papéis da companhia subiram 182%. A concorrente Gerdau vem na mesma toda, com valorização de 142%, favorecida também pelo aquecimento da demanda de materiais de construção.

O volume de aço bruto produzido no Brasil em agosto foi de 2,7 milhões de toneladas, 6,5% acima do mesmo mês de 2019, segundo os dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr). Na comparação com julho, a produção em agosto foi 4,2% maior.