Cruzeiro do Sul quer acelerar aquisições com recurso do IPO

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

No início de outubro, enquanto uma série de empresas brasileiras anunciou que estava desistindo de abrir o capital na bolsa, o Grupo Cruzeiro do Sul fez o caminho contrário e pediu seu registro de companhia aberta.

O pedido de IPO (Oferta Pública Inicial) foi protocolado no dia 7 de outubro. Ainda não há detalhes sobre a oferta, mas no mercado fala-se em uma captação de até R$ 1,5 bilhão. Cerca de 90% dos recursos serão usados na compra de outras redes de ensino.

Com 330 mil alunos de graduação, pós-graduação e extensão na modalidade presencial e a distância, o Cruzeiro do Sul é o quarto maior grupo de ensino superior privado do País em número de estudantes.

Juliano Custódio. Henrique Bredda. Luiz Barsi. Gustavo Cerbasi.

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Na bolsa, a empresa vai se juntar a outras grandes companhias de educação, como Cogna (COGN3), YDUQS (YDUQ3), Anima Educação (ANIM3), e Ser Educacional (SEER3).

Leia também: IPO: o que é, como funciona e quando é uma oportunidade?

A história da Cruzeiro do Sul

Era 1965, quando surgiu o Cólegio Cruzeiro do Sul, na cidade de São Paulo. A semente do que hoje tornou-se a Cruzeiro do Sul Educacional foi formada por um grupo de jovens professores recém-formados em duas salas emprestadas nos fundos de uma igreja. A proposta era oferecer curso preparatório para conseguir entrar no nível ginasial da escola pública.

Na década de 1970 surgiram os primeiros cursos superiores. Assim, com os cursos de contabilidade e administração, surgiu a Faculdade Cruzeiro do Sul, em 1972.

A ampliação com atendimento de ensino fundamental e infantil foi na década de 1980. Mas foi nos anos 90 que a empresa realmente se expandiu. Recebeu do Ministério da Educação o título de universidade, começou a fazer pesquisas científicas, e criou núcleos de educação a distância.

Nos anos 2000, a rede chegou a novas cidades e Estados. Em 2012, a gestora inglesa Actis desembolsou R$ 180 milhões por uma participação de 37% no Cruzeiro do Sul. Com a injeação de recursos, a empresa triplicou de tamanho até 2016, quando a gestorou colocou à venda sua participação.

No início de 2017, o Fundo Soberano de Cingapura (GIC) comprou a fatia da Actis no negócio.

Um dos nomes por trás da Cruzeiro do Sul foi Gilberto Padovese, que morreu em 2011. Natural de Birigui, interior de São Paulo, ele foi um dos fundadores e dirigiu o colégio de 1965 a 2000. Também foi pró-reitor de 1993 e 2001.

 O negócio

A Cruzeiro do Sul Educacional atua com uma estratégia nacional de multimarcas.

A companhia se apresenta como o quarto maior grupo privado de ensino superior em número de alunos no Brasil. Além da própria Cruzeiro do Sul, a empresa também detém as marcas Unicid, UDF, Módulo, Universidade Positivo e Braz Cubas.

A Cruzeiro do Sul oferece formação acadêmico-profissional, presencial e à distância, voltada para jovens de diferentes classes sociais.

“Com essa estratégia, a companhia registrou crescimento contínuo e sustentável de suas atividades. Tem um ticket médio elevado e baixas taxas de evasão e inadimplência em comparação às companhias do setor listadas na B3”, ressalta a empresa no prospecto preliminar.

A Cruzeiro do Sul atua no setor de educação por meio de 14 instituições de ensino superior. Cada uma tem uma marca regional de liderança, oferecendo, principalmente, cursos presenciais e a distância de graduação e pós-graduação lato sensu (especialização) e stricto sensu (mestrado e doutorado). Mas ela atua também com cinco instituições de ensino de educação infantil e educação básica (ensinos infantil, fundamental e médio).

Números

Em 2019, a Cruzeiro do Sul fechou o ano com lucro líquido de R$ 120,8 milhões em 2019. O valor foi próximo dos R$ 117,8 milhões de 2018 e superior aos R$ 86,9 milhões de 2017.

Até setembro de 2020 a empresa teve um prejuízo líquido de R$ 78,3 milhões, revertendo um lucro de R$ 79,4 milhões em igual período de 2019.

Já o Ebitda saiu de R$ 182,3 milhões, em 2017, para R$ 397,2 milhões em 2019.

A receita líquida da empresa totalizou R$ 1,3 bilhão até setembro de 2020, contra R$ 1,109 bilhão no mesmo período do ano passado.

Em 2109, a receita líquida foi de R$ 1,474 bilhão. Valor maior que 2018 (R$ 1,255 bilhão) e 2017 (R$ 1,006 bilhão).

IPO e projetos futuros

O pedido de IPO da Cruzeiro do Sul foi feito em 7 de outubro e está em análise pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A empresa quer ser lista no Novo Mercado, mais alto grau de governança da B3.

De acordo com o prospecto, a empresa realizará oferta primária e secundária de ações. Mas detalhes sobre valores, prazos e cronograma ainda não foram definidos.

BTG Pactual, Bradesco BBI, Bank of America Merrill Lynch e Santander vão coordenar a oferta.

Segundo a empresa, os recursos da oferta primária serão direcionados para realização de operações de fusão e aquisição; expansão e investimentos greenfields.

Segundo o prospecto, 93% dos recursos primários serão para fazer aquisições, com objetivo de expandir portfólio e entrar em mercado que a Cruzeiro do Sul ainda não atua.

A longo prazo, além da aquisição de outras instituições, a empresa quer expandir os polos EAD e investir mais visando à modernização das infraestruturas.

Por fim, na tranche secundária, o acionistas vendedores são os fundos de investimento Alfa 7 e D2HFP.

No prospecto preliminar, a Cruzeiro do Sul cita algumas entre as suas vantagens competitivas o histórico de aquisições estratégicas. Foram 11 aquisições desde 2011. Outro fator em destaque é a baixa exposição governamental de Fies.