Críticas, mudanças de discurso: vejas as baixas do governo com o coronavírus

Jéssica De Paula Alves
Jornalista e produtora de conteúdo

Crédito: Reprodução/TV Globo

Após a confirmação que o general Augusto Heleno, o mais influente do Palácio do Planalto, contraiu o coronavírus, diversas baixas têm ocorrido tanto no governo quanto no Legislativo. Além disso, crescentes críticas ao modo como o presidente Jair Bolsonaro tem lidado com a crise endossam a situação.

Heleno, chefe do Gabinete de Segurança da agência, é o conselheiro mais influente do presidente e o 16º membro de uma delegação nos Estados Unidos para obter resultados positivos para a doença. A 17ª quarta-feira anunciada é o Ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, informou o Buzzfeed News.

A preocupação que o Planalto se tornou um foco de contágio ficou explícita. Os oito ministros presentes em coletiva realizada na quinta-feira (19) passaram a integrar o grupo de risco de contágio. Assim, quem apresentar sintoma de gripe será submetido ao exame.

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Alegando razões de segurança, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República não informa o número de servidores que atuam na área e que estiveram com Heleno nos últimos dias.

Discurso

A crise do coronavírus no Planalto fez com que Bolsonaro mudasse o discurso. Inicialmente ignorando os riscos, na coletiva o tom foi outro.

“Teremos dias duros, mas serão menos difíceis se cada um se preocupar com seus parentes. O momento é de grande preocupação, é de gravidade”.

Apesar de negar ter subestimado a crise do coronavírus, voltou a mencionar “histeria”:

“É uma questão grave, mas não podemos entrar no campo da histeria. Esse foi o meu papel como chefe de Estado, sem deixar de se preocupar, obviamente. Tudo o que fiz foi para levar tranquilidade para o povo brasileiros. É grave, é preocupante, mas não chega ao campo da histeria ou da comoção nacional.”, enfatizou.

Após ter contato com um grupo de apoiadores, em protestos no domingo, Bolsonaro declarou à CNN Brasil, Bolsonaro: “Outros vírus muito mais perigosos e letais que este aconteceram no passado e não tivemos essa crise toda. É claro que tem um interesse econômico por trás disso [da pandemia]”.

O presidente deixou o isolamento para se misturar a um grupo de apoiadores. Sua atitude foi alvo de crítica até por aliados.