Arábia Saudita costura acordo com a Rússia para estabilizar mercado do petróleo

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução

A Arábia Saudita assegurou, nesta terça (20), que está disposta a colaborar para colocar um ponto final na pior crise do petróleo de todos os tempos.

Segundo informações apuradas pela Agência Reuters diretamente de Riad, o país assegurou estar pronto para tomar medidas junto à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e aos demais aliados para estabilizar o mercado o mais rápido possível.

“O país está interessado em alcançar a estabilidade do mercado de petróleo e compromete-se com a Rússia a implementar cortes de produção nos próximos anos”, informou o governo, em comunicado distribuído pela SPA, agência de notícias estatal.

A Opep e os demais aliados, incluindo a Rússia, anunciaram na última semana cortes de aproximadamente 10% na produção diária de barris de petróleo, mas a crise mundial causada pelo coronavírus fez a demanda cair 30%, tornando os cortes insuficientes para restabelecer o equilíbrio entre oferta e procura.

O petróleo Brent e futuros de petróleo dos EUA para entrega em junho caíram para mínimas de cerca de duas décadas nesta terça-feira. Brent para entrega em junho, caiu para US$ 18,10, atingindo a menor cotação desde novembro de 2001.

A queda do petróleo

Os mercados viram um movimento histórico nesta segunda-feira (20), quando os contratos para maio do petróleo WTI (West Texas Intermediate) despencaram para -US$ 37,63.

A commodity estava sendo vendida a preços negativos porque os produtores temiam não terem onde estocar o petróleo. Os estoques estão elevadosem razão da pandemia de coronavírus, que reduziu drasticamente a demanda mundial .

Em outras palavras, as medidas restritivas adotadas devido ao coronavírus fizeram com que os volumes produzidos  fossem superiores ao consumidos pelo mundo.

Segundo Paulo Filipe, assessor de investimentos da EQI, isso levou os vendedores a pagarem para os clientes que quisessem fechar contratos de compra de petróleo para o mês de maio e aliviar os estoques.

Importante lembrar que, um ano antes, o barril de petróleo WTI era vendido por US$ 66.

Por que o Brent sofreu menos?

O barril do Brent também sofreu perdas na sessão de ontem. O movimento pode ser explicado pelo efeito manada e pela baixa demanda por ele, afirmou Paulo.

Em relatório, o analista de Energia e Petróleo da XP Investimentos, Gabriel Fonseca disse que, na iminência do cenário de crescimento de estoques de petróleo, as cotações onshore como o WTI podem ter performance muito pressionada no curto prazo devido a maiores restrições logísticas.

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“No caso de produtores offshore, tal pressão é menor devido à disponibilidade de navios-tanques petroleiros como forma de estocagem (por isso a melhor performance do Brent)”, destacou.

Trump quer aproveitar preços

O presidente Donald Trump anunciou, na noite de segunda-feira (20), que pode comprar 75 milhões de barris de petróleo para “completar a reserva estratégica nacional” dos Estados Unidos.

Trump diz que pensa em aproveitar a baixa histórica nos preços dos contratos negociados, que tiveram redução de mais de 300% e operaram no negativo pela primeira vez, para reforçar a reserva norte-americana.

Na segunda, o contrato para maio do WTI fechou em queda de 305%, cotado a US$ 37,53 o barril.

O colapso nos preços do petróleo, a princípio, não incomodou o presidente Donald Trump, que classificou a até então inédita situação como “algo de curta duração, decorrente de um aperto financeiro”.

“O problema é que ninguém está dirigindo um carro em qualquer lugar do mundo, essencialmente. Fábricas estão fechadas, empresas estão fechadas. Tínhamos muita energia para começar, em particular o petróleo e, de repente, eles perderam 40%, 50% do seu mercado”, comentou.

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