Crise do coronavírus aumenta a pobreza no Brasil

Rebeca Torres
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Crédito: Keulefm / Pixabay

A crise causada pelo novo coronavírus vem aumentando gradativamente a pobreza brasileira se compararmos com a média da população mundial, que começou a ser analisada em 2015, de acordo com informações do Jornal Folha de São Paulo.

Conforme dados da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit), a renda per capita do Brasil sofrerá uma queda drástica de US$ 16.670, no ano passado, para US$ 15.910, em 2020.

Esses valores são computados de acordo com o poder de compra (PPC), medida que elimina as disparidades nos custos de vida dos países, permitindo com isso comparações internacionais.

Assim, se o planejamento da consultoria se concretizar, a renda média do brasileiro terminará o ano de 2020, 18,6% abaixo da média mundial, que deverá despencar para US$ 19.550, valor um pouco abaixo do US$ 19.730 registrados em 2019.

Essa disparidade mostra uma forte queda ocorrida de uns anos pra cá. Tanto é que em 2000, a renda per capita do Brasil (em PPC) era 9% superior à da população média global, com essa superioridade relativa se mantendo, ora em maior, ora menor grau até 2014, quando começou uma das maiores recessões da história de nosso país.

A crise dessa época foi tamanha que chegou a colocar o Brasil em uma escala de empobrecimento com a renda per capita em reais caindo, fazendo com que o poder de compra de diversos países, como China, Costa Rica, Botsuana e Iraque, ultrapassassem o do Brasil.

Nem o lento retorno da economia a partir de 2017, foi o bastante para mudar o processo de separação entre a renda brasileira e de outros países. E, esse ano, com a crise provocada pelo novo coronavírus, a situação tende a ficar ainda mais crítica.

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EIU, Banco Mundial e FMI fazem suas projeções

Tanto é que a EIU, braço direito do conjunto que publica a revista The Economist, foi uma das que começaram a diminuir sua projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, após a chegada do coronavírus. A consultoria espera que seja atingida uma queda de 5,5% na atividade econômica do país este ano.

Em seguida, o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) também fizeram suas estimativas, de 5% e 5,3%, respectivamente, para o PIB brasileiro em 2020.

Parado há dez anos, o poder econômico brasileiro se distancia do de chineses, uruguaios e chilenos.

Analistas brasileiros também dão seu parecer

Para analistas brasileiros, as projeções analisadas pelo Banco Central, vêm se mitigando semana a semana, indicando atualmente uma queda de 3,3%.

”Esse foi um golpe terrível justamente quando o Brasil parecia se levantar de novo e caminhar para um crescimento superior a 2% de forma mais sustentável”, afirmou Robert Wood, economista-chefe da EIU para a América Latina.

Ele frisa que, por mais que o cenário do país ainda se mostrasse enfraquecido, o desemprego vinha caindo devagar e com isso tínhamos expectativas de reformas estruturais, como a tributária, apesar da interferência política.

Agora, diz o analista, o Brasil deverá ter pouco poder de mudança para enfrentar a crise, mas não o suficiente como outros países.

”Por isso, o sofrimento, particularmente dos mais pobres, será mais severo no Brasil”, diz Wood.

”E há o desafio extra de implementar os programas de assistência anunciados, como os vouchers [de R$ 600] para os mais vulneráveis, em um contexto de alta informalidade e fraquezas institucionais”, completa ele.

Lembrando que no primeiro trimestre deste ano, 1,218 milhão de brasileiros ficaram sem emprego, com dois terços deste atuando de maneira informal, o que levou à taxa de desocupação crescer e atingir 12,2%, segundo o IBGE.

Conforme Wood, a situação do Brasil é difícil também por causa da falta de concordância no que diz respeito às medidas de isolamento social imposto no combate ao coronavírus.

”Isso é algo problemático, que não tem sido tão visto em outros países onde há maior unidade de propósito, incluindo até os Estados Unidos”, afirma o especialista.

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