Crise do coronavírus afeta patrocinadores de futebol e até de LoL

Paulo Amaral
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Crédito: Agência Brasil

A crise do coronavírus parece ter acertado em cheio o futebol brasileiro. Depois de a TV Globo, detentora dos direitos de transmissão dos principais campeonatos estaduais do País, ter anunciado que interromperia os pagamentos aos clubes, chegou a vez dos patrocinadores.

A impossibilidade de ver a marca divulgada na televisão durante as partidas, ou nas placas espalhadas pelos estádios do País, levou algumas empresas a colocarem o pé no freio e anunciarem interrupções – temporárias e definitivas – nos contratos junto a alguns dos principais clubes brasileiros.

Uma reportagem do Estadão Conteúdo revelou que o Azeite Royal decidiu dar um tempo na parceria que possuía com os quatro principais times de futebol do Rio de Janeiro – Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco.

Em nota, a empresa justificou que suas ações durante a pandemia de coronavírus estão concentradas no abastecimento de redes de supermercados parceiras.

O investimento da empresa era responsável por R$ 3 milhões anuais ao Flamengo e metade do valor para cada um dos outros três grandes do futebol carioca.

Clubes paulistas

Dois dos principais clubes do futebol paulista também estão sendo afetados. De acordo com o Diário do Peixe, o Santos já teve suspensos dois contratos de patrocínio.

O Grupo Algar, parceiro do clube desde 2016, estava negociando a permanência da marca na camisa alvinegra por mais duas temporadas, mas interrompeu as conversas e colocou um ponto final no vínculo.

A Autoridade de Turismo da Tailândia também não faz mais parte do grupo de patrocinadores do time da Vila Belmiro, pois achou inviável manter a divulgação do turismo de um país que está fechado por conta de uma pandemia.

O Corinthians viu a Marjosports, startup de tecnologia voltada para o ramo de apostas esportivas, suspender o contrato de patrocínio temporariamente – a princípio.

Até o momento, somente o São Paulo e o Palmeiras permanecem firmes com seus patrocinadores. O último, no entanto, pode ver a Crefisa, sua principal marca, alterar o contrato nos próximos meses.

Hoje a marca é dona do principal contrato de patrocínio do futebol brasileiro, rendendo aproximadamente R$ 81 milhões anuais aos cofres do Palmeiras.

Futebol feminino

A crise causada pela pandemia de coronavírus pode causar danos irreparáveis ao futebol feminino, que nunca foi tão badalado quanto o dos homens, mas vinha começando a galgar um espaço importante na mídia e entre os torcedores.

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Uma publicação recente da AFP mostrou que o pouco caso voltou a imperar em relação à modalidade, especialmente na Europa.

A Uefa, entidade que comanda o futebol no Velho Continente, cedeu as datas antes separadas para a disputa da Eurocopa feminina para a versão masculina do torneio, que teve de ser adiada para 2021 por conta da pandemia.

Olivier Blanc, ex-zagueiro da seleção francesa, campeão do mundo em 1998 em cima do Brasil, resumiu o que muitos pensam, mas têm receio de falar publicamente.

“O futebol feminino sofre com a falta de reconhecimento e a exposição que merece em geral, e agora, pela força dos acontecimentos, está desaparecendo neste momento”.

Blanc revelou, no entanto, que os patrocinadores do Lyon, clube no qual ele é o responsável pelo departamento feminino, não deverão deixar as “garotas” abandonadas nesse período em que o coronavírus parou a bola em todo o planeta.

“Temos patrocinadores fiéis e com contratos longos”, resumiu.

O presidente da Federação Francesa de Futebol, Noel Le Graet, endossou as palavras de Blanc e prometeu que as meninas não ficarão desamparadas na França.

“As meninas são tratadas como meninos, especialmente do ponto de vista econômico. Se houver adiantamentos a serem feitos, nós os faremos. Os clubes serão pagos. Reconheço que haverá dificuldades, mas não deixaremos as meninas de lado”, prometeu.

Le Graet fez uma comparação entre os ganhos das jogadoras de futebol, mesmo as mais brilhantes, com os principais nomes do esporte masculino no país, como Mbappe, craque do PSG e da seleção nacional.

“Se você cortar o salário do Mbappe ao meio, ele continuará dirigindo uma Ferrari. Se fizer isso com uma jogadora, causa muito mais dano”.

LoL

Para quem pensa que somente o futebol – masculino e feminino – sofrerá perdas por causa da pandemia de coronavírus, a triste notícia é que os cortes já chegaram a outras modalidades, inclusive as virtuais, chamadas de e-sports.

Segundo Chandy Teixeira, blogueiro do GloboEsporte.com, a Simplicity eSports, empresa norte-americana que patrocinava o time de LoL (League of Legends) do Flamengo, cortou boa parte do orçamento reservado ao clube.

A informação é de que quatro jogadores reservas e o técnico StarDust foram demitidos por conta do severo impacto que a pandemia causou nos cofres da Simplicity.

Os jogadores demitidos foram, de acordo com o blog, Luskka, Vvert, Aslan e wyLL. Apenas o suporte Jojo permanece como suplente no plantel.

Em suas redes sociais, Luskka, que exercia a função de atirador reserva, alegou ter sido pego de surpresa com a demissão.

De acordo com o GloboEsporte.com, o contrato da Simplicity com o time da Gávea não estipula um investimento mínimo, mas apenas o pagamento do licenciamento da marca ao Flamengo, em torno de R$ 500 mil por ano, além da exigência de manter o time entre os seis melhores do País no ranking.

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